Resiliência: Compreendendo o Processo e Fatores de Proteção

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Texto: Resiliência – Introdução

A resiliência é a capacidade humana para enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experiências de adversidade.

1) A resiliência está ligada ao desenvolvimento e ao crescimento humanos, incluindo diferenças de idade e gênero.

  • Ater-se às etapas de desenvolvimento como linha de orientação para a promoção de resiliência. Adultos com expectativas concretas (confiança básica -> autonomia -> iniciativa -> sentido de indústria -> desenvolvimento da identidade)

2) Promover fatores de resiliência e ter condutas resilientes requer diferentes estratégias.

  • Fatores resilientes: - “eu tenho” (apoio; suporte social)

                                      - “eu sou” “eu estou” (desenvolvimento da força intrapsíquica)

                                      - “eu posso” (habilidades interpessoais; resolução de conflitos)

  • Condutas de resiliência: - requerem fatores + ação, os quais mudam nas diferentes etapas de desenvolvimento;

                                                  - exige se preparar, viver e aprender com experiências adversas.

3) Nível socioeconômico e resiliência não estão correlacionados (o bom desempenho escolar não é resiliência)

4) Resiliência é diferente de fatores de risco e proteção, no caso deste último, é como ser imune ao risco, nem precisa de resiliência.

5) A resiliência pode ser medida e é parte da saúde mental e da qualidade de vida.

6) As diferenças culturais diminuem quando adultos são capazes de valorizar ideias novas e efetivas para o desenvolvimento humano.

  • Em cada país há um conjunto comum de fatores resilientes com o objetivo de promover a resiliência para seus filhos. Diferenças culturais = graus de autonomias dadas distintas; diferentes motivos de castigo; etc.

7) Prevenção e promoção são diferentes conceitos em relação à resiliência. O primeiro se refere à prevenção da adversidade e seu impacto, mostrando-se similar ao modelo epidemiológico de saúde pública, que trata de prevenção de doenças e até da violência. Já a promoção mostra-se mais consistente com o modelo de resiliência. Nesta, há a maximização do potencial e bem-estar do indivíduo em risco, focaliza na construção de fatores de resiliência, comprometendo-se com comportamentos resilientes e a obtenção de resultados.

8) A resiliência é um processo: promoção de fatores de resiliência + compromisso com o comportamento resiliente + avaliação dos resultados resilientes. Ela não é uma simples resposta à adversidade.

  • Inclui: 1º) A promoção de fatores resilientes

                 2º) Compromisso com o comportamento resiliente (= interação dinâmica com fatores de resiliência para enfrentar adversidade)

                 3º) Avaliação dos resultados de resiliência (não é só enfrentar a adversidade, mas também se beneficiar com a experiência - aprendendo e passando a estimar o impacto da mesma sobre os outros).

Passos: identificar a adversidade; selecionar o nível e o tipo de resposta (planejar exige tempo); resposta discutida implica falar e resposta imediata requer ação instantânea.

Texto: Resiliência – Cap. 1

Resiliência é diferente de invulnerabilidade. Este é caracterizado por ser um traço intrínseco; enquanto aquele implica um processo que pode ser desenvolvido ou promovido, no qual o sujeito é afetado, porém supera e se fortalece.

O desenvolvimento histórico do conceito de resiliência:

  • 1ª geração (1970): organizam-se os fatores resilientes e de risco em 3 grupos: atributos individuais; aspectos da família (modelo ecológico transcendental = indivíduo imerso em ecologia com diferentes níveis de interação individual, familiar, comunitário, cultural = valores sociais, serviços sociais); ambiente social. Estes 3 grupos interagem entre si representando um processo dinâmico.

Questão: o que distingue crianças que se adaptam ou não positivamente quando vivem em risco social?

  • 2ª geração (1990): quais os processos associados à adaptação?

         - Fator de proteção: envolve resiliência.

         - Fator de risco: sair fortalecido de uma adversidade, superando características individuais.

Conceito de resiliente:

1º) Noção de adversidade (medida ou percepção individual = risco objetivo e subjetivo)

2º) Processo dinâmico entre mecanismos emocionais, cognitivos e culturais (interação entre múltiplos fatores de risco e de resiliência ≠ atributo pessoal).

3º) Adaptação positiva (não há sinal de desajuste e/ou alcança expectativas sociais proporcionais à etapa de desenvolvimento). Esta adaptação positiva ocorre em 3 aspectos:

        - Conotação ideológica associada à adaptação (conceito do normal para cada etapa definido pela cultura);

        - Heterogeneidade nas diferentes áreas do desenvolvimento humano (não há adaptação igual em todas as áreas do desenvolvimento: cognitivo, social, emocional). Resiliência ≠ supercrianças, uma vez que esta representa a invulnerabilidade, uma uniformidade de adaptação em todas as áreas.

        - Variabilidade ontogenética. Resiliência é um processo que pode ser promovido durante o ciclo de vida. Crianças que se saem bem durante a infância, em geral, continuam apresentando resultados positivos ao longo do tempo, mostrando-se importante essa intervenção durante a infância, pois mais tarde a criança continuará a se adaptar. A resiliência é diferente para cada pessoa e é necessário fortalecê-la ao longo de todo o ciclo da vida.

Vantagens do modelo de resiliência:

  • Muda a forma como se percebe o ser humano: de um modelo de risco, baseado nas necessidades e na doença, se passou a um modelo de prevenção e promoção, baseado nas potencialidades e recursos que o ser humano encontra em si mesmo e ao seu redor.
  • O indivíduo como agente de sua própria ecologia e adaptação social.
  • A adaptação resiliente não é responsabilidade só do indivíduo, mas de todos.
  • Promoção da qualidade de vida/ecologia que o rodeia (responsabilidade coletiva).

Texto: Princípios gerais da promoção da saúde e prevenção de doenças

Epidemia biopsicossocial de sofrimento (século XXI): deseja-se uma revolução não só expressa pela química orgânica, mas pelo comprometimento de indivíduos, famílias, nações.

A revolução de saúde deve levar avanços para lugares onde pode fazer a diferença entre a vida e a morte = “saúde para todos”.

Valores humanos e econômicos da prevenção:

  • Saúde: riqueza; saúde física, mental e social de toda a população é um recurso natural fundamental de uma nação.

“A saúde é o alicerce essencial que sustenta e alimenta o crescimento, a aprendizagem, o bem-estar pessoal, a satisfação social, o enriquecimento dos outros, a produção econômica e a cidadania construtiva.”

  • A partir de 1980: há aumento nos custos de atenção à saúde. Avanços na tecnologia médica -> tratamento de mais doenças -> aumento da expectativa de vida -> necessidade de um maior treinamento de pessoas para oferecer reabilitação e atenção em longo prazo à população -> PIB destinado à atenção terciária cresce.
  • Os programas bem-sucedidos de promoção e proteção à saúde podem ser disponibilizados de forma custo-efetiva para toda a população. Eles têm potencial para interromper ou diminuir custos previsíveis (ex: pré-natal -> crianças mais saudáveis; proteger crianças e jovens da violência -> força de trabalho mais saudável).

“Manter os adultos economicamente produtivos até a sua aposentadoria deveria ser uma meta tanto para a promoção de saúde quanto para o desenvolvimento econômico”.

  • É melhor prevenir doença ou trauma externo do que tratá-lo depois (poupa indivíduos e família de dor e economiza dinheiro público).

No entanto, o argumento para a prevenção não pode ser feito somente sob bases econômicas:

  • A justificativa para a prevenção é que ela reduz o sofrimento, torna a incapacidade e suas consequências menos comuns e mantém a morte longe da porta da família até mais tarde.
  • Além disso, algumas doenças, apesar de previsíveis, não são curáveis (ex: AIDS; acidentes; cirrose por álcool).

Prevenção de doenças e promoção de saúde:

A prevenção se detém mais a tipos específicos de doenças e traumas, e depende mais diretamente dos profissionais de saúde.

Por outro lado, a promoção de saúde envolve o comprometimento individual, familiar e de políticas públicas; promove o senso de responsabilidade pessoal; e depende mais do indivíduo, da comunidade, bem como defende prioridades preventivas entre legisladores, indústria e governo.

Identificam-se 3 tipos de prevenção:

1º) Prevenção primária: tem por objetivo evitar o desencadeamento de uma doença ou a ocorrência de um trauma; alcançar um grupo populacional mais amplo que esteja ou possa entrar em estado de risco.

     Ex: imunização; redução de risco para doenças cardíacas.     => promoção e proteção de saúde.

2º) Prevenção secundária: detecção e intervenção precoces contra as doenças antes que se desenvolvam completamente.

         Ex: programas de rastreamento (oferece mais resultados, evita que a enfermidade se agrave após a ocorrência e evita complicações) -> inicialmente pode não exigir processamento laboratorial caro.

3º) Prevenção terciária: depois que a doença ou lesão ocorre. Objetiva não só prevenir o agravamento e as complicações de uma doença, mas também, reabilitar e devolver o indivíduo à sua função física, mental e social o máximo possível. Evita sequelas graves ou a morte.

    As 10 verdadeiras causas principais de morte (fatores de risco): uso de tabaco; nutrição inadequada; exercícios aeróbicos inadequados; consumo excessivo de álcool; falta de imunização; exposição a venenos e toxinas; armas de fogo; comportamentos sexuais arriscados; trauma por veículo motorizado; uso de drogas ilícitas. Todos estes podem ser reduzidos por mudança social ou de comportamento.

Texto: Situações de risco

Crianças e adolescentes precisam de tempo e condições favoráveis para um processo de transição adequado. Múltiplas situações de risco podem pôr em perigo essas etapas de desenvolvimento. A redução dos riscos depende de mudanças de atitudes.

  • Risco: probabilidade de ocorrência de algum evento indesejável, não isolados do contexto social.
  • Fatores de risco: elementos com grande probabilidade de desencadear evento indesejado, ou ainda, aumentar as chances de adoecer ou morrer (não precisa ser a causa direta). Devem ser evitados.
  • Comportamento de risco: qualquer alteração de conduta ou atuação repetida que possa desviar o desenvolvimento biopsicossocial normal durante a infância/adolescência, com repercussões futuras (quase sempre existe noção consciente do risco).
  • Situação de risco: oferece risco à toda a comunidade ou subgrupo social (ex: más condições de esgoto); transcende o comportamento individual. São mais frequentes na infância e adolescência: distúrbios alimentares, desagregação familiar, ansiedade, evasão escolar, uso de drogas, prostituição, trabalho inadequado.
  • Fatores protetores: mecanismos conscientes ou inconscientes de adaptação. São recursos pessoais ou sociais que atenuam ou neutralizam o impacto de risco. Devem ser fortalecidos. Ex: bom funcionamento familiar, educação, afeto, esportes, direito à cidadania, etc.
  • Prevenção primordial: apoio e promoção do desenvolvimento humano, favorecendo o contexto social ambiental, isto é, reforçar fatores protetores.

Texto: Resiliência – Introdução

Resiliência: capacidade humana para enfrentar, vencer e ser fortalecido e transformado por experiências de adversidade.

Fatores de proteção: funcionam para neutralizar o risco. São logo identificados com a imunidade ao perigo (ex: vacina) -> indivíduo como imune ao risco, para o qual não necessitaria desenvolver resiliência.

Prevenção: prevenção da adversidade e seu impacto. É similar ao modelo epidemiológico de saúde pública, que trata de prevenção de doenças e até de violência.

Promoção: mais consistente como modelo de resiliência -> maximização do potencial e bem-estar do indivíduo em risco -> focaliza na construção de fatores de resiliência comprometendo-se com o comportamento resiliente e na obtenção de resultados positivos.

Texto: Princípios gerais da saúde e prevenção

Prevenção: se detém mais a tipos específicos de doenças e traumas/depende mais diretamente dos profissionais de saúde.

Promoção de saúde: envolve comprometimento individual, familiar, de políticas públicas/promove senso de responsabilidade pessoal/depende mais do indivíduo, da comunidade, bem como defender prioridades preventivas entre legisladores, indústria e governo.

Texto: Situações de risco

Risco: probabilidade de ocorrência de algum evento indesejável, não isolado do contexto social.

Fatores de risco: elementos com grande probabilidade de desencadear eventos indesejados, ou maior chance de adoecer ou morrer. Eles devem ser prevenidos.

Comportamento de risco: qualquer alteração na conduta ou atuação repetida que possa desviar o desenvolvimento biopsicossocial normal durante a infância/adolescência, com repercussões futuras.

Situação de risco: oferece risco a toda a comunidade ou subgrupo; transcende o comportamento individual.

Fatores protetores: mecanismo consciente ou inconsciente de adaptação; são recursos pessoais ou sociais que atenuam ou neutralizam o impacto de risco. Ex. afeto, esporte, bom funcionamento familiar.

Prevenção primordial: apoio e promoção do desenvolvimento humano favorecendo o contexto social e ambiental. Isto é, reforçar fatores protetores.

Texto: A Reforma Flexner

(esse texto NÃO cai!! É só pra “desencargo” de consciência ;P)

Novo tipo de hospital filiado às faculdades de medicina -> como reforma na educação médica e da prática médica (baseada na medicina científica).

Flexner: visando uniformizar e aprimorar o desempenho profissional, centrava-se na reorganização do ensino médico em torno do modelo anatomo-clínico*. Assim, Flexner consagrava os princípios da biomedicina e enfatizava a importância das ciências biológicas e naturais como eixo estruturador das atividades de ensino, pesquisa e prática médica.

MI -> realizava a importância da participação de fatores psicológicos e sociais na gênese e no curso das enfermidades. MI se apóia em 2 princípios:

1º) totalidade biopsicossocial

2º) Multi-causalidade das doenças (não só história natural das doenças)

* instituído no rastro da “progressiva autoridade epistemológica e social das ciências”. Assim, Flexner consagrava os princípios da biomedicina e enfatizava a importância das ciências biológicas e naturais como eixo estruturador das atividades de ensino, pesquisa e prática médica.

Vulnerabilidade: aumenta a probabilidade de um estudo negativo na presença de risco.

Texto: O território e o PSF

Necessidade de contextualizar saúde no espaço em que o processo saúde/doença acontece. O PSF é regido por 4 princípios:

  • O profissional de saúde é hábil;
  • O profissional de saúde da família é fonte de recursos para uma população definida (território);
  • A saúde da família é uma disciplina baseada na comunidade (território);
  • A relação equipe/paciente é central.

“Território processo” (conceito de Mendes): local de vida dinâmica e pulsante onde deve ser considerado a cultura, postura e credos da comunidade que ali habita; seus espaços geográficos e fluxos de movimentação; os serviços e facilidades ali encontrados. => permite identificar porque as pessoas adoecem, como elas reagem a este processo, como se recuperam e como podem ser fortalecidas.

Saúde é a capacidade dos indivíduos lidarem com o estresse e a doença quando esta capacidade é ultrapassada(conceito de Janet Christie-Seely).

Territorialização (conceito de Giacomini): o território processo está em constante mutação e construção, exigindo das equipes do PSF uma abordagem ao longo do tempo, atrelada à vida da comunidade a que serve e buscando a identificação de micro áreas de risco – mapeadas pela própria comunidade no seu processo de crescimento.
   Na tabela a seguir, observa-se a diferenciação entre a concepção biológica da saúde frente à concepção do processo saúde/doença:


Z

9k=

O diferencial do PSF está na

sua capacidade de inserção

na comunidade -> conhecer a realidade -> promover o desenvolvimento social ->

melhorar os indicadores de

saúde.


Texto: Orientações para o Diagnóstico Comunitário

Território: não é homogêneo; constituído por dimensões econômica, política, cultural e epidemiológica (“onde a população vive o cotidiano de uma sociedade instável e cheia de conflitos”-Tavares). É um território-processo.

Área de abrangência: a área de responsabilidade de uma equipe de saúde. É o espaço geográfico propriamente.

Micro-área de risco: área com perfil sócio-econômico ou epidemiológico específico.

Setor censitário: área territorial contínua, de mesma situação (rural ou urbana) e mesmo distrito administrativo.

Vigilância: intervenção sobre os determinantes e condicionantes dos problemas de enfrentamento contínuo, com ações também de caráter individual, são estas: promoção de saúde, prevenção de doenças e atenção curativa.

Risco: probabilidade da ocorrência de um evento indesejável. Estão interrelacionados a uma complexa rede de fatores e interesses culturais, históricos, políticos, sócio-econômicos e ambientais.

Fatores de risco: elementos com grande probabilidade de desencadear determinado evento indesejado. Desta forma, o fator de risco não é necessariamente o fator causal. Há, portanto, uma associação de causas e efeitos múltiplos que interagem no aumento da probabilidade ou do desencadeamento de um evento.

Equidade e justiça social: significa trabalhar pela busca de maior igualdade de direitos e condições.

  • Igualdade ≠ Equidade, esta última significa tratar de forma desigual os desiguais, ou seja, dar mais àqueles que mais precisam. Assim, a equidade em saúde deve ser buscada pelo reconhecimento das desigualdades existentes e do desenvolvimento de ações de saúde específicas, direcionadas aos distintos grupos de risco.

Texto: Significados do processo saúde adoecimento e do sistema de atenção à saúde

As políticas de saúde em cada local e as concepções dos indivíduos sobre o que é estar doente são alguns aspectos determinantes na relação entre serviços de saúde e usuários. Calcula-se que 70 a 90% dos episódios de doença sejam tratados fora de um sistema formal de cuidado à saúde, podendo ocorrer através do autocuidado ou pela busca de formas alternativas de cura.

A doença não é apenas a alteração biológica pura, mas também uma construção cultural.

Illness ≠ Disease (Kleinman)

Illness equivale a “perturbação”, é a forma como os indivíduos e os membros de sua rede social percebem os sintomas e os classificam. É, portanto, a resposta subjetiva do indivíduo à situação de doença, uma resposta que engloba aspectos individuais, sociais e culturais à experiência de estar doente.

Disease é a forma como a experiência da doença (illness) é reinterpretada pelos profissionais de saúde à luz de seus modelos teóricos e que os orienta em seu trabalho clínico. É, portanto, uma definição de disfunção, assentada num substrato essencialmente biomédico.

Uma das atribuições principais do médico é, então, “traduzir” o discurso, os sinais e os sintomas do paciente para chegar ao diagnóstico da doença, ou seja, decodificar illness em disease, levando ao encontro de modelos explanatórios (ou explicativos) diferenciados divididos nos seguintes elementos:

  • Etiologia do problema;
  • Duração e características dos sinais e sintomas iniciais;
  • Fisiopatologia do problema;
  • Evolução natural e prognóstico;
  • Tratamento indicado para o problema.

Ao longo dos anos, a perspectiva antropológica vem auxiliando no entendimento desses fenômenos cada vez com mais clareza e veemência, no entanto, o modelo biomédico é ainda brutalmente hegemônico, o que tem levado a uma visão reducionista da doença, vista como processo exclusivamente biológico.

O sistema de atenção à saúde é um sistema cultural próprio, constituído por uma forma socialmente organizada para enfrentar a doença. Tanto as crenças quanto os padrões de comportamento dos indivíduos fazem parte desse sistema de atenção à saúde e são, em grande parte, derivados de regras culturais.

A atenção à saúde deve ser entendida como um sistema que é social e cultural na sua origem, estrutura, função e significado. Baseado nisso, Kleinman sustenta que a prática clínica (tradicional e moderna) ocorre e cria mundos sociais particulares. A Medicina Integral visa, desta forma, a ampliação dos conceitos sobre saúde/doença na atividade clínica.

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