Sistema respiratório: funções, fisiologia e DPOC

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

Escrito em em português com um tamanho de 50,85 KB

Funções do sistema respiratório

Principal função: Ventilação e troca de O2 proveniente da atmosfera pelo CO2 produzido pelas células do corpo.

Funções secundárias

  • Defesa pulmonar contra microrganismos;
  • Regulação do pH (em conjunto com o sistema renal);
  • Fonação;
  • Metabolismo.

Fisiologia pulmonar

  1. Ventilação dos gases ao longo da árvore respiratória;
  2. Difusão dos gases através da barreira alvéolo-capilar;
  3. Perfusão dos alvéolos para o transporte dos gases no sangue.

Organização do sistema respiratório

  • Cavidade nasal;
  • Cavidade oral;
  • Pulmões;
  • Vias aéreas;
  • Estrutura torácica.

Vias aéreas superiores

  • Nariz;
  • Boca;
  • Faringe;
  • Laringe.

Vias aéreas inferiores

  • Traqueia;
  • Brônquios;
  • Bronquíolos.

Zona de condução

  • Não contém alvéolos;
  • Espaço morto anatómico.

Zona respiratória

Canais alveolares e alvéolos.

Sor4HNzlwv7bzYGOoo-WuxffNrumdIBZDPGDt533VeRfUkrAmt8zJhepaA10BXoGkJZtngTh8AOm-lCXoeTvXUptvyyKUSBlfhEN2qNlKEAfbnmgsfl5SPERIBMxzr2pdhTZlzYgLF2CCIX9EF88Xb8

tIsBt2L2z8nB0GagguqiPggYd7KPNyGTjfiMPSU7peSVSnkdFSQxonbeVuNrCUhhZcAtkb2bg0csNVjDO8uf5oybBngyRRJdhcNlfOQ2Rsc9507_kgFA6iT9I7wC_ClnJruFzlm7pk4LVysnytfRHKM

8TZL5evo4h5JN5iY1FA4vdM8UobD_kYTUWd0L-SQSgZbdNPM7SXHhpF9q-d3xd97hb4k6x1OpgGJVXdor6NvxwJYU5ITsVCTk_nPd2Ow1Nkv5WK9cXVXQgB1WllVVmYCdRAVs0YwmNDlJvF8NLqjUqY

Alvéolos

Canais de Martin: comunicações acessórias entre bronquíolos terminais.

Canais de Lambert: comunicações acessórias entre bronquíolos terminais e alvéolos.

Poros de Kohn: comunicações acessórias entre alvéolos (presentes a partir do 5.º ano de vida).

Alvéolos ≈ 300 milhões.

Capilares ≈ 280 biliões.

500 a 1000 capilares por alvéolo.

Área disponível para trocas gasosas ≈ 50 a 100 m².

Pleuras parietal e visceral

Para o movimento dos pulmões relativamente às paredes do tórax existe a pleura: membrana na parede interna do tórax e na superfície externa do pulmão.

Cavidade pleural: espaço virtual entre as pleuras que contém líquido seroso, lubrificando as superfícies pleurais e permitindo deslizamento durante a ventilação.

Caixa torácica

Segmento propulsor, juntamente com os músculos respiratórios.

  • Apresenta um cone truncado, mais estreito superiormente;
  • A parede apresenta praticamente a mesma espessura do esqueleto;
  • O pavimento é composto pelo diafragma;
  • Protege as vísceras torácicas e parte das vísceras abdominais;
  • Inclui os principais órgãos dos sistemas respiratório e circulatório.

Músculos respiratórios

Músculos da inspiração

Principais: diafragma, paraesternais, intercostais externos e escalenos.

Acessórios: esternocleidomastoideo (ECM), trapézios, grande peitoral (porção esternal), pequeno peitoral, subclávio, serrátil posterior e elevadores das costelas.

Expiração ativa

Acessórios: abdominais, intercostais internos e transverso do tórax.

IGyAgeCTTtPW30lEzJqS7j6J6MpfkDLzNEX7hvRLgoNR5xH1iTMKqAN4xPtnVkQ6HfO_FaJrcH6TMcajxlaeUORdk305jhluPRachCiceoHCfGqA5k5ce42KeUd9EGemeUADqRbx7OvWDUcXG1rdYTI

Diafragma (responsável por ~80% da inspiração)

Fibras costais

  • Inserção posterior na apófise xifoide;
  • Superfície interna: 6 últimas costelas e cartilagens.

Fibras crurais

Inserção nas primeiras vértebras lombares.

Tendão central: permite o aplanamento durante a contração.

Passagem: aorta, veia cava e esófago.

Intercostais internos e externos

Paraesternais (inspiratório):

  • Adjacentes ao esterno;
  • Dirigem-se posteriormente;
  • Produzem movimento de rotação das costelas.

Externos: dirigem-se anteriormente.

Internos: dirigem-se posteriormente.

Escalenos

Elevam o esterno e as duas primeiras costelas.

Biomecânica ventilatória

  • Pump-handle motion (movimento de "braço de bomba");
  • Bucket-handle motion (movimento de "asa de balde");
  • Movimento toracoabdominal;
  • Ângulo infra-costal.

Aumento do diâmetro ântero‑posterior e do diâmetro médio‑lateral.

Ventilação e mecânica pulmonar

Ventilação: como fazer mover o ar de fora para dentro e de dentro para fora para realizar as trocas gasosas?

3p7WEbqJ7gg15uYt29Z5AMAaoo-qPT_E_LXHmpo_WYcWK8g6byag2yIy4LkG5-n2v2q_e1rdnfC78CrNQ87iR63tehSjGX2RqwEzMVUtB-XuvVpSYXec7R2KmEEgu-UpsMMUq55iz2hpRbt1sIiFywY

SmYQtG3YV-pmazzsT8D_tvvJwY8YFBAfgFzSfzATWqSyyqBGeXsSVsLu7Zf4xDYaLaTZ22yopF6VAgi9elg_vdhIZOn3j17cHcegr6shKGRoItLsWIDFilds4HXmFZyItIt4LAU93BrDPzAYCENfp3I

Mk_101opcXQt5lGHSuYNqvqY38hZnw9wy2jkLQ65uUc1CWB69k0Z-6ERCBvgP-6fxydtIg9R0CJTsNjOIqpBJUoZslTy0Lcs_T0JsyVP5HU4APuNT-Y6xDQedtZ0YVHseSHZrEGoa7nCq_5BJ0hYXC4

Y7pjczzPcQ_HxpfkHGZvhvE_kwZPMeOp18wfkhiq4UFlXaWIUsq-CLl0ER1tnzAO2z9cBjQ-qZY7v1H8iP86pw1xBNe1QsvJQWqTHCZxNRqlGhRyjZwr_MDMnyTFZPfsIZDE9dO102d998YeXnm0XxI

O volume/expansão pulmonar depende de:

  1. Pressão transpulmonar: quanto maior a pressão transpulmonar, maior o volume pulmonar;
  2. Grau de distensibilidade (compliance): P = ΔV P / ΔPtp.

Facilidade de deformação de um órgão por uma força externa.

3l8lahAlWsSTnHKsbL-_1IDt_hav0-sCLnVcmT2jLK4jnipUNhDXFpFNv52eCGAi63zWxnJ1eHlw_AS4ID8-Hqx_mI2D4Tj6MXVTnNRRpKoOgGHVAlmoSU_bFXadeBkQRUx6etzoH8_9w2xPVyUgDRQ

Determinantes da compliance pulmonar

  1. Extensibilidade do tecido pulmonar — quanto maior a extensibilidade, maior a compliance;
  2. Tensão superficial do líquido alveolar — quanto maior a tensão superficial, menor a compliance.

Nas paredes dos alvéolos existem células secretoras responsáveis pela produção de surfactante, que ajuda a manter o alvéolo expandido diminuindo a tensão da superfície. O surfactante reduz a tensão superficial da humidade dentro dos alvéolos para facilitar a expansão pulmonar.

SURFACTANTE
↓ tensão superficial alveolar
↏ Compliance

Outros factos importantes acerca do surfactante: impede o colapso dos alvéolos de menor tamanho.

V8BIZUhz8srIDbA-LWO4SpwzwS-osivFo-dcN8wAmpdiGCER8UMni_8xVmokyubY__hsD6lx4SIPPlY3LYuEPH9fg_ohGQ-H2JzWW94f1x85m6___11vBzJVYQnuY6JmmvRXsC1APNkVzdfIiT2CSAE

Fatores que influenciam a ventilação

scpSLW3C9lZb1fd8wp-zgtYDTosn4-RmWonq3wtB60OwrxFibNGKI3dT4SHLSCG-NY1j41rZOIgKD5ZwV6_i0J5JDU8ZA8cbloVqWL3ZwVk6jfhJ0_F8b4IIoMF_fWLOqDS_Z7iwtOb9-2tolbfCPXU

Troca de ar entre a atmosfera e os alvéolos

GbmWVZQ4HH36cFotLqBOWTolPn6X001h_xuIL0wCZ7ilb8m6rQTG0c3lh80dOSngSTpXu2xze8bkWv2aeupWFJ85zXIauWNSpL-L94WZNd3lwUgG-GN3BjIATyaUMnkw5rVBoySJOEbOk2w8b3rL5Tk

Resistência

Inversamente proporcional ao raio das vias aéreas. Apesar do raio das vias aéreas inferiores ser menor que o das superiores, a área de secção transversal das inferiores é substancialmente maior, reduzindo a resistência.

O raio das vias aéreas é afetado por fatores físicos

  1. Pressão transpulmonar: ↑ Ptranspulmonar → ↑ expansão das vias aéreas → ↓ resistência;
  2. Tração lateral das fibras elásticas conjuntivas: durante a expansão pulmonar ↑ tração lateral → ↑ expansão das vias aéreas → ↓ resistência.

Fatores neurais que afetam o raio

Atividade simpática: norepinefrina/epinefrina relaxam o músculo liso das vias aéreas → ↓ resistência.

Atividade parassimpática: acetilcolina provoca contração do músculo liso das vias aéreas → ↑ resistência.

Fatores químicos

1. Níveis elevados de CO2 ou reduzidos de O2 relaxam o músculo liso local → ↓ resistência.

2. Níveis reduzidos de CO2 na zona de condução geram contração local do músculo liso → ↑ resistência.

Outros fatores

Inalação de irritantes químicos, fumo e poeiras → contração do músculo liso das vias → ↑ resistência.

Inflamação → contração do músculo liso das vias → ↑ resistência.

Volumes, ventilação alveolar e espirometria

Ventilação minuto (VE): ventilação total por minuto. VE (ml/min) = Volume corrente (ml/ciclo) × frequência ventilatória (ciclos/min).

Exemplo em repouso: VE = 500 ml/ciclo × 12 ciclos/min = 6000 ml/min.

rqMLzQboUmGzu189PZXDE8S7dM3dDdro9AmlTWnSqDRA-Q6eyywE9vVAeQP4fp-g8TYjMYRMIVKWXs4CRLaromdE43mfIhtSv3vRE7DjFxNfaKuAfsyhVT7UXDU2KA5l1RiobTCgpS5e8ytd4GhXjDI

Espaço morto anatómico

150 ml dos 500 ml do ar inspirado não alcançam os alvéolos.

Varia conforme altura/massa corporal (≈ 1 ml por 0,454 kg).

Ventilação alveolar minuto (VA)

VA (ml/min) = (VC ml/ciclo − VD ml/ciclo) × FV ciclos/min.

Exemplo: VA = (500 − 150) × 12 = 4200 ml/min.

HTF_dAeJ7JxI97wpsTHbzdzF8aQo7V2qmnQTk6der-I-uL97Q3m8VVQ0LtQsrLTHNcdvKZaK_DHZjyJFrNt-VzOcBUh4DE53zMBhIBuWP_M0ImPfduT-4iEgs3H1z89b6LfflpHF3zQF0Z_pj2R3mRc

sxSjynxTjWmVIdZZppyZH0XO4-glGn15MmbhNJA0dmSDOk_LDOG9ns9V9HRrinLZ2HfGAhPShgaYhPb63Al8PNj--fxGJZ66QQWCCmRRV70SeaMS8NjEcrl9QfKyc7ghJT-xIFXLA-tJW4kWHn-OEMw

Volumes pulmonares

  • Volume corrente (VC): volume inspirado/expirado em ciclo normal ≈ 500 ml;
  • Volume reserva inspiratória (VRI): volume máximo inspirado além do VC ≈ 3000 ml;
  • Volume reserva expiratório (VRE): volume máximo expirado além do VC ≈ 1200 ml;
  • Volume residual (VR): volume que permanece após expiração máxima ≈ 1200 ml.

Capacidades pulmonares

  • Capacidade inspiratória (CI): VC + VRI ≈ 3500 ml;
  • Capacidade expiratória (CE): VC + VRE ≈ 1700 ml;
  • Capacidade residual funcional (CRF): VRE + VR ≈ 2400 ml;
  • Capacidade vital (CV): VRI + VC + VRE ≈ 4700 ml;
  • Capacidade pulmonar total (CPT): soma de todos os volumes ≈ 5900 ml.

fgAOth8Hliv95J9ZEab5JIuLBIk5twr3h-iMldUU2k59CLZIcazL_BmdjF0FdQl_tEmJYkP-Y2rF3XPrkV_5zVYFsd0m1mR0UhiSBPhE1dP8PBRe6w5HSRl0Fd5aqUb0MGt9AkM2oWy3occMQ0nrntc

VVnMOFHcw8sAUsGeqldMPPjojGuFcpLXoQEjvImiNOweLDYASA-PjUEns_IoGJen8d7jhQf15OhDeLtQCFiyHSILhXt3CJB8V2YQpAZxTY1oZ4RhPGAXWBkEZdpwo_nBMwUwHFaZHl3wGKex4fHMC8A

3eMsLN9wEQcH1jlwvRfoQMDRHcv46xiPLjY8xJX2EFoTMk375xjoRultRiA6k8EdtXo5J6J8JvbnomViKwaLDfv0KvfoP3DP8Qa7RSnH7SYUC26XIT8_Ww1iMf16R13jiidzxIhN5BivjZFZuC_SUiQ

2t3G1DmHhx-XDLDOFiEO5k3qQ-S-3z21IfFel7rWbw95kcnUgtAhgNIUVJ1DeML63RGkhHkq7VFXBl53lqxS0RyLdwDxWnh6KEu-uzE6VAXUPfMYI8_e-pma44GK5FamoXKOH__3fPHNfnMWAWUZeRE

YsNb_G-14Xvwqr84yAMGGhYJT_t9THla477GBXDjU__Tx5sn8nlHkgt2fp_KdsHeT8aSuaeaV8JtEbQttr2p7_r22g0g-WTR6xhZ1jPBA5O3eHMw77YeSln4G0E2rKTotmyMO_f7wgyAw8aYlpG4nys

0kLR4SWh_KBpIAr_Y1w-Na_WXQxikvuO9CuBULg4XlMNSzfI4lns9ThC8F6249JwYNY5Nrg7qsaNGjJU1OCFA3dX8uuk1Qhs23PaQLgtZI1duj6z_NH_ce1bNbveAQZqQHsIb7SM_aa2ZMFFjmTeZq0

Ds8HRhtBLzQm9yk66oCvoLS7qOxmeI2h2lTzF2sBJK4Mkx5EVwZui2C0wStO2sYdlzK_Joe5zb_0JygJE0s7gvAd8WUISDpEi0H5Vhv5mZ8QMLIsaif0-uVFRYSm5xDD1DLQ47vyFdsu2lwJEOLKDSk

Ventilação alveolar, fluxo sanguíneo pulmonar e relação V/Q

Ventilação alveolar

VE (ml/min) = VC (ml/ciclo) × frequência ventilatória (ciclos/min).

Mas nem todo o volume ventilado participa nas trocas gasosas devido ao espaço morto.

i3niPZLYUefmLfNfFBWKXt6wWctBZElOwdEplRjVMplkGDNyKlA2cPOQufUPQ2_G0ZMmh8oMImwGNaGpRW-fRz44UEScUJHuKBHSqSFbiMtTlbUO0bqJiCKq_1QMLwD3MkCAQYBCiunRXimliDqFTCM

Distribuição regional da ventilação

A gravidade influencia a distribuição. Em postura vertical, regiões inferiores recebem mais ventilação por unidade de volume. A pressão intrapleural (Pip) não é uniforme ao longo da cavidade pleural.

Na vertical, nas regiões inferiores:

  • Pip é menos negativa;
  • Pressão transpulmonar é menor;
  • Volume alveolar é menor;
  • Maior capacidade de aumentar o volume durante o ciclo respiratório;
  • Melhor ventilação.

Distribuição regional do fluxo sanguíneo pulmonar

Também influenciada pela gravidade. Em postura vertical, regiões inferiores recebem mais sangue por unidade de volume (efeito hidrostático).

Vasos alveolares e extra-alveolares

Com a expansão alveolar, os vasos alveolares (capilares) são comprimidos e alongados, aumentando a resistência ao fluxo sanguíneo → ↓ perfusão.

Quando a pressão alveolar > pressão arterial, o fluxo sanguíneo cessa → apesar de ventilada, a região não é perfundida (espaço morto alveolar).

Espaço morto fisiológico = espaço morto anatómico + espaço morto alveolar.

Relação ventilação-perfusão (V/Q)

Região superior: alvéolos com maior volume e menor ventilação por unidade de volume; menor fluxo sanguíneo, maior resistência e menor perfusão.

Região inferior: alvéolos com menor volume e maior ventilação por unidade de volume; maior fluxo sanguíneo, menor resistência e maior perfusão.

xAKOdTSJDcX9hvAUqSzSjJ7mkhyp825-pXyZj6DZdDWAeaFJjvYr9NAPD5HhHciGBIbww5qW3mX6x2SoDh1ixdQrluBuq-MzDeR3tA6WZUa5PWNlEhKVK7uz-OPOQLbD-yi1MB7m0N1wT5R2x36hlpA

BjuOMyHE16fnhR28lzUE5poy-PjiW-icqZ8yJHiKLO0WDP0MjfSpjHlj_4geLWJ3VR3rPJA1BXCnYQC_hIFE6OsH4mWZ7jLVByAdAubUz10KdDTLVRRiGiG1HyrPK1UMgq_DlE1R28c_csdRnRqv5T0

Ag8Pcyqr4PT-eBSkGUDRrUoJkMv_vGJRkPCWK1QSbxyypwyF6rCfuj1WEIIC7kp2osf-4lDnHiDur0OXhSqj3QqjRrZ4d-tS5cQt5CKuyZWotD-EaE4BTki6vHNF3wV2dvvWeeDO6pc8r6xpzreGURw

CvmMLs8zGfv_Y-9ZGEenaxlYxob81raXjW0X2tYG-r6usx3O6_kWMcHXnO9Jx5738vvoUPWMJgBGkFWQX7ICg_GCsuOB-sR8og7an0BE0-ns2wBTGZD5nNqymOjJ6RL3UvIKQBmZ9gcysPyrVn6UODw

Difusão de gases

V gás = volume de gás que se difunde através da barreira tecidual por unidade de tempo (ml/min).

V gás = A × D × (P1 − P2) / T, onde:

  • A = área superficial disponível para difusão;
  • D = coeficiente de difusão (difusividade) do gás na barreira;
  • P1 − P2 = diferença de pressões parciais através da barreira;
  • T = espessura da barreira (distância de difusão).

O CO2 difunde-se cerca de 20 vezes mais rapidamente que o O2 através da barreira alvéolo-capilar devido à maior solubilidade do CO2.

A90G9BRkWtIdnHhjnW60Nk-RpVyLuI87yE-klY3TzS0kuCLYWFnhOSir2uKX0LjXgu_70kJRRTsAPfo-2nEw1w33YxOD6TLtwaDAZ72plIPJUVHWPXYvm04BqR4QYG74rU1yH4LDri7M3N12vWwmh8U

Os gradientes de pressão de cada gás são determinados por ventilação, consumo de O2, produção de CO2 e perfusão.

Doenças pulmonares obstrutivas crónicas (DPOC) — introdução

Doenças obstrutivas: DPOC (enfisema e bronquite crónica), asma, bronquiectasias.

Doenças restritivas: intrínsecas (parênquima, p.ex. fibrose) e extrínsecas (p.ex. cifoescoliose, obesidade).

Outros grupos: fraqueza dos músculos respiratórios (doenças neuromusculares, sistémicas) e distúrbios psicológicos (ansiedade, depressão).

YSqXbuzL2yH7S_zNJeNkXcFmw6K4FqvZtG6-g4hiPEO7ZrS_mkf7paOhefHKpyemOVmSVj_vMq1KbIYrygCD0W48922f5RvnbNsjyiHT-5LCPdGfUan2I6UeddgfkdgQyOyOfi6AaX35hPfEPP7nUNM

Doenças pulmonares obstrutivas

Obstrução das vias aéreas → redução anormal do fluxo de ar e aumento da resistência.

Causas e mecanismos fisiopatológicos

DPOC: uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo.

Asma: mortalidade relativamente baixa, mas preocupante.

Bronquiectasias: condição menos prevalente.

Definição de DPOC

Doença caracterizada pela limitação do fluxo de ar que não é totalmente reversível. A limitação é geralmente progressiva e associada a resposta inflamatória anómala dos pulmões a partículas ou gases nocivos. É uma doença comum, evitável e tratável, com efeitos extra‑pulmonares que aumentam a sua gravidade. Caracteriza‑se por dispneia, tosse e produção de expectoração.

Considerada uma das principais causas de morte pela OMS.

1yLyQq4QEZq6rd2iOKYQLqH9wCmcX80G00_CF9IbnLLSd1JJBrTartxt_lcvKPJ_6xpykdUnDnt08DRustLXysQjpCEu69mtULRyaXHZoNJm-A99Zf1IdUA9aM9i4jss9PZL2a9yfhxKxo_KcNz1FSM

Fatores associados ao aumento do risco de mortalidade na DPOC

  • Tabagismo;
  • Exacerbações;
  • Comorbilidades;
  • Estado socioeconómico.

A DPOC não é a única causa de morte em doentes com DPOC; causas de morte incluem múltiplas comorbilidades.

Prevalência e internamentos

Prevalência de DPOC em Portugal

vUXA9XZky6HQaf7yYidy3CWNcjOB_ckFnUFMTj-JPSsdgJQA9w7hz_5Zp9YW2JPWRsVzKYMSs-elpPDhDt6rg03mqKZGO6BsHSxu7i1FeEeZeXB2mlb_BcNbL_E_sh7mZT5JPCAu60SPvk5-LKx5dq0

Internamentos por motivos respiratórios em Portugal

55KHowPsZnV77cUdXIyoWv0wfb30p2ShVlNk3yLkrZyA6ozMA9b6DUz4qXEzcV4ZtvIYta5DlbdX05SNCDZFvyXlI3w5eFBnngT7o5T-vsF51zewX-qbSWkP6nNX7fuIeI1q9ED-T2PpI-UrG61CjgQ

Fatores de risco

A DPOC resulta da interação entre suscetibilidade genética e exposição a estímulos ambientais. Défice de alfa‑1 antitripsina está presente em 1–2% das pessoas com DPOC.

Fisiopatologia

FXXiBUoWux-PK6h-gRHBcoGsLqj7BESb2SGBErdTjfyB_IKcHWSDFEwXsSIKEX73smx2EZ_RwZCdd1Vpma5yDHpsy2HQKlK9Xti1QXl6yfYNPSNJbTe_DnG3vFV2zcdO4nl3j0S7U66SHZt7s7O2i88

Bronquite crónica: presença de tosse e produção de expectoração durante pelo menos 3 meses por ano em 2 anos consecutivos.

z0Z43tbLrLm4ZX7fzvSlriqnT-SKUDA9rkCkacOtitjZHlNqhke1SLbRURE3H3st6n3wB_tiJf6EOn9Ar_UvwyCcDc45UqAkpWKjkJjIYq35fBThMxUp3_8svZcu808tR1hDcjCcVWBVmdRXQPdJXCw

Li-H4re-VFa23QQAmb5v0xgLhiptZCrPl4QGUOTEb4BoUiphKkNpz_FMPHxGVH0cUHNUGrzI3TPp4zx3XWsftYL12lFFdoFUKgRJKww8Kz_NLm_WaNivIpPaBdrk2Fzfv04zdcldSa_f9MxsoY44-qQ

Efeitos sobre a ventilação

Aumento da resistência ao fluxo de ar, mais pronunciado na expiração → ↓ VEF1 (volume expiratório forçado no 1.º segundo).

SLYHHsFu91hMdxktUV3zqzc7oMCb7MY1O8t0JSfIpGrnd1xj8-sVXnha7YMFcbDY0l59isoXOqTMwqjM9_kViFtXO7opk5HFaGtRqws86jLbDgwfsSOVTGo5Frpkk0CoG7-PXpXPF8ZL7CK4_65MIYo

Alterações dos volumes dinâmicos na DPOC

FEV1 / VEMS (L)Volume expirado no 1.º segundo de uma expiração forçada, tão rápida quanto possível, após inspiração máxima.
Índice de Tiffeneau (%)Razão entre FEV1/CV. Representa a % da CVF que se consegue expirar no 1.º segundo após inspiração máxima.

ORdSuznRyF1Fyv5Wj9YuMRy6sIJvKr5dNJgZtYFIsWHc6O-8XHNmW-LLqO_cU-4nf3bfP3YhbWkMplG5pe_xAE7yyIEQUMVmDTTNTT7fgZY6iaAEiOOYZ57Q3YNgVfhoOVl4iKFPyOI4rQewkoI3eZM

História natural

  1. Período inicial: assintomático;
  2. Primeiros sintomas: tosse produtiva intermitente e falta de ar durante esforço;
  3. Exacerbações agudas: aumento de tosse, expectoração e dispneia, possível purulência;
  4. Após anos: tosse produtiva diária e dispneia com esforços mínimos ou inexistentes;
  5. Fase final: atrofia muscular, perda de peso, cor pulmonale, insuficiência respiratória crónica.

UPNCoTZ6a4R80EXpuyOpFXBz_69VN-WgvvIiT2bvPA9XrxSVeuLHLIw-w-89zhFinXU4jWhcyCDJdTfSyfdL6X6oG6WYyVcw4spkcnul5Q-Vtd9Zke1hKyS0JunjIWck3H9pjBoysMU0f4adIPO4TOs

Diagnóstico clínico da DPOC

Sintomas: dificuldade em respirar, tosse crónica, escarro.

Fatores de risco: tabaco, fatores do hospedeiro, ocupação, poluição interior/exterior.

Espirometria: exigida para estabelecer o diagnóstico.

Sintomas

DispneiaProgressiva ao longo do tempo; piora com esforço; persistente.
PieiraVariável ao longo dos dias.
TosseInicialmente intermitente; posteriormente pode ser diária; fase crónica pode ser produtiva ou não.
Aperto no peitoVariável; geralmente manifestado com esforço.
Infecções recorrentesExacerbações na DPOC.
História de fatores de riscoTabaco, ambientais, ocupacionais, estilo de vida, fatores fisiológicos.
FadigaSensação de cansaço geral ou falta de energia.
Características clínicas na doença gravePerda de peso, perda de massa muscular, edema dos pés (pode indicar cor pulmonale), sintomas de depressão/ansiedade.

Diagnóstico — espirometria

- Diagnóstico de DPOC;
- Avaliação da severidade da obstrução do fluxo (prognóstico);
- Avaliações de seguimento (follow-up);
- Orientação terapêutica (farmacológica e não farmacológica);
- Identificação de declínios e impacto da exposição ocupacional/ambiental;
- Avaliação do risco pré-operatório.

Presença de VEF1/CVF < 0,7 pós-broncodilatador é obrigatória para o diagnóstico de DPOC.

j-WNAhKXGwAkf9XiIhzhmup2lZ78kKif-V5epA7R6BvAd6Ffhy6aMkYKXTL9GpKm0tDMEDK1y3bhGXwr64x5ywoyGIGqBcirsXrDPJNe26QuU2AqNoKVflDlbRN8GRS_3eH5FMnZlkgpNcCigFRytO8

WwCl_h5PPnBBpX30YoWuyrdhCLmv2WuqKoTq2QO3W3TLmHSsi3K3a_GwEPD56wXe_RV2_AZR60VS7bZreu9ncRC76Fe_MqSDWemEuB5aSYpH_l81lRYGSCcbWFo2rxgeZsxhYZ84ybRxsHURhENFmCY 3hkxxNwTuHVH5zgbFo3-uSgr_77sa88-KlduEK9zTwlwX9V7dhZYqLpnObiDZ-efyx29tw4aN-QyPfXNUcMG8907aGprP3cF3AFBwR_GP2ZImy5CKyUGNZ-kqONJPiK793FB6LfY0GTgmCPcABkuJ9g 2x8Dlz0x0C9GtOFBwcSXrqeuImRxGcVRxQoiGst_w8hetbiUtRq3-GWvJWtSXaggL3q1j3Rnld9TrWCe3W1bjVHfM4Fe1goqVC6LN7a7g5jZvIp_m7LnnMGIEKyCDBNPCwrqfh5ua6znTRwbeu44n_w

Achados radiológicos e imagiológicos

Sinais de hiperinsuflação:

  • Aumento do volume pulmonar (tórax em "barril");
  • Hipertransparência pulmonar;
  • Achatamento do diafragma;
  • Coração verticalizado e estreito;
  • Aumento do diâmetro ântero‑posterior torácico.

Radiologia convencional (RX) → é inespecífica; não implica necessariamente aumento do VR ("air-trapping").

Tomografia computorizada

Mais eficaz no diagnóstico do enfisema e na diferenciação da gravidade. Tem maior resolução que o RX e localiza regiões afetadas e espessamento brônquico; útil na detecção de complicações como pneumotórax e pneumonia.

Avaliação dos sintomas e questionários

Questionário de dispneia: Modified Medical Research Council (mMRC).

Questionários multidimensionais: Chronic Respiratory Questionnaire (CRQ) e St. George's Respiratory Questionnaire (SGRQ). O SGRQ é um questionário de 50 itens que avalia sintomas, atividade e impacto (0 = sem comprometimento a 100 = máximo comprometimento).

História prévia de exacerbações moderadas e graves aumenta o risco de futuras exacerbações.

jFJetD0HbqR1M5FbesguwWzE7xFx7kEwi5xfeyA_fwsw54fWI4U3_8nKuWmheSk86-Qj1bCjLvNungtNgPUsWzLIim4mUOnRjDQjK4kCYMeg8eUqpGmm-YfJvgsH-TCoisJnhWY9C5ihACK-Ly64iOA

As exacerbações tornamse mais frequentes e graves à medida que a função pulmonar diminui — motivo comum para hospitalizações, redução da qualidade de vida e aumento do risco de mortalidade. A melhor preditora de exacerbação é a história prévia do paciente.

WOh3hLUyrlv9dPOeG4y89127VuWifwnvSAMKShK-DmJ1aUGLw0blSypywHf185IcAkZURtIl9vobPEwyjTK5bmZ8iOKa8a-2q2Ppj9MNNVs1Z4zuLcV-ynWbOobV3L6J7frrtSFMsvFpo3zT8X2s2iQ

fJXMW4vtDNlONwqRRxmj7tjPpHlBFJpiV6AW7uQUJ3HOSgEIq7mViumgJNJyXyje4o7gFnYLVXNUIEIL_hnus4Mt-HthsI3N2WVS53kaagcpaZYbhk7B3_Zy-rOrYLM_QaztuwUBIFG9LHLSSeuOVaE

LGxIkatinC0dT7vCI1vSzuxtWajvHmS2ZGA1d2geiQau_CwaqU7P0yy24tDR7BlfGRkMdEu_sEDFSv8643ke6RqSsHIPK_9mkM8frMh8oPBDJ7DPNyBrNVLpHVLlHxMeA1f-bDCtsCJa7r4IxP1abWs

9o4W6-LTc727Y0YtVFAmiVrLOyADprqCWy7ELa_GA8amZ22He9f0qlk6HjM90H9vS_x41pPxegxs_x2uWvhWstDeJXhYukFj8Aay6klVsMM3w2Yhu3rGxThvvm-JiEZWQaOgK9GKuFV_xwi1TAEaCl4

VDcJQy-gghAvMKp_-bAKcqYw8GffX5drjQT_77Roqso8h3PasCJ9cTQi_NT6vQTINusnfD3lKpiTI_uasdWsLRiSXGC6pc1UR_wNxagdpWE8Ur8qYB0O4AKG5Ihb5ACNBK5UAizJw75K8KggSNk0MLk

8d9oAEsL0QBdAJlpL4S1K4sN627GcU_buLAM7VZ5hOXK7kUU9MRCYl9f6iLv7OloTlITLbYkOn-h1mSbpUVMa0IEtHlmaJODXYd7X-vmQeMHn7cdQtCFVcmAfKjpj3BSsz-NwwgcRED57YUhM8lRhUI

Ie7xFGBVx0COwylDWrhXo_fcwAB70AqA-bxc6vcT2OzzqOeSlI9hUcCqvFp1017l4nCqDtfKIbsiGuGErUBTbNPORPAto-roUA75gcViQ3W6Y4OYWV8mx2sLCnv9SHPb4c6G_F_UL4aeXTmIncMsN3s

a4HOI2Jm9kz026SmzP8sTTgJRrDJNCTqPCRZsWHfMFklmCt5HnRREtU-cDRXY4ddWJbYZexiCWPu7CbvyLkjuvHdPenu2JYmk5e1oAjo-mIpU31OWdlM1NuJQz-pEbhacMm_iA9r-SEYZdGqFf-5erc

rFd4cIdvuHrrX9y6FtyOdERRK_-BxXhl6oIcG_egbmqFCKvjxYXnJSGkj7bk58GzYn8LvR9S4armj4q8H-pO9ewCm6zjjCG5gZL7CCURN2xt0I7czRJL4MZ4mEC5vyPIO6amsfvbaO6TigrHXVFViII

Comorbilidades

Comorbidades respiratórias: asma, cancro do pulmão, infeções respiratórias, bronquiectasias.

Comorbidades cardiovasculares: hipertensão, insuficiência cardíaca, doença coronária, arritmias, cor pulmonale, tromboembolismo venoso, AVC.

Comorbidades metabólicas: síndrome metabólica, diabetes, osteoporose, caquexia, sarcopenia e miopatia.

Outras comorbidades: ansiedade, depressão, disfunção cognitiva, refluxo gastroesofágico, síndrome da apneia obstrutiva do sono.

Diagnóstico diferencial

Asma

Doença inflamatória crónica das vias aéreas com obstrução reversível espontaneamente ou com tratamento; hiper‑reatividade e obstrução desencadeada por exercício, frio, alérgenos. Mais prevalente em crianças e com história familiar.

TemqHoZ6Bg4lhoayoec-COn1kFJzlvvTuTLtcYgSA3LNKw2GX_86RH6gP7uFPGQx8QE4a2G5PtQSxy5TdI_5IXUdnVFSaW5f0TWK-280u92NxOSnxkbQuNSTJHLrzhsKHH3c67oAMJFa0AnhuUKylC0

Fisiopatologia da asma

  1. Exposição a estímulo;
  2. Em minutos: ativação de mastócitos e libertação de mediadores inflamatórios → contração do músculo liso e edema → obstrução das vias aéreas (fase inicial até ~1 h);
  3. Eosinófilos geram pico secundário de sintomas (mais severos) 4–6 horas após exposição (fase secundária dura pelo menos 24 h).

Características clínicas da asma

  • Início frequentemente antes dos 10 anos;
  • Ataques com pieira, dispneia e tosse desencadeados por alérgenos/outros;
  • História familiar de atopia;
  • Obstrução reversível na espirometria (>12% de melhoria do FEV1 após broncodilatador);
  • Níveis elevados de IgE e eosinofilia muitas vezes presentes.

Bronquiectasias

Dilatação anormal e permanente dos brônquios com produção diária de expetoração mucopurulenta.

Etiologias: fibrose cística (~50% dos casos em crianças/jovens), infeções respiratórias (pneumonia, tuberculose), causas congénitas (discinesia ciliar).

Fisiopatologia: inflamação crónica agravada pela incapacidade de eliminar muco.

Características clínicas: tosse com grande quantidade de muco purulento, pieira, febre, perda de peso, hemoptise, infeções recorrentes. Diagnóstico por tomografia computorizada (TC).

Resumo do diagnóstico diferencial

DPOCSintomas progressivos; história de tabagismo ou outros fatores de risco.
AsmaObstrução variável; sintomas flutuam dia a dia; piores à noite/manhã; alergias/rinite/eczema; início frequente na infância; história familiar.
BronquiectasiasGrande volume de expectoração purulenta; frequentemente associada a infeções bacterianas; radiologia/TC mostra dilatação brônquica.
Insuficiência cardíaca congestivaRX com aumento do coração e edema pulmonar; testes de função pulmonar mostram restrição de volume, não obstrução.
TuberculoseInício em qualquer idade; RX com infiltrados; confirmação microbiológica.

YvEnUqa74wJC19HgsqE3TdLwpes8FU-z1IBBqJ6CxILm10kCJr8qGtIuiNnp79ivOX-cevvvJo8bqBF2kpjcni5H_r1ZVlbs81IwFVUOXpObzv8qHY20XN6vi2Ek6h3mgwfAFkOfhGFF1LH9unII4tY

6SqHc7vIGliR_EW45WijtPz66sOYkh3pcob5_nCsN_p7EFTNjkZkb_Bcy2ARCTYXfgheWZV7YJLJZwYIgzkHnbhje9RUomE4r0RpOOXyLDiKpGuMHzx9jpo74QRr4AuP2VzxifjmMfguc0cX0bTYffM

Tratamento farmacológico — objetivos

  • Aliviar sintomas;
  • Melhorar tolerância ao esforço;
  • Melhorar funcionalidade e qualidade de vida;
  • Prevenir e tratar exacerbações;
  • Prevenir e tratar complicações;
  • Reduzir mortalidade.

Medicamentos mais usados

Broncodilatadores ß2‑agonistas e anticolinérgicos; anti‑inflamatórios esteroides (corticosteroides).

Aerossolterapia:

  1. Dispositivos simples;
  2. Sistemas de nebulização.

1wFMQj8HAX59p3oNcGySaH1BpiYfb4qa4JdCKn8q4SOE4rlWMIeht2GXmt1qnSPqQ1-OeZejdpEMDS5w3YiFzZ4f1TUMmgeUBtoBa8ID-Dn405zsxC0SLGL24qXYnLhIYTABGQEPd27h2fka8g01LRk

jo9yV2jIEu3QEURUZV6L3OkjoJ2TPhqmvjHCm2QyFVdn3sIWEPCDOeEONUcTmpppoFZ4lKDobl49hOBW9byc3hl6ywjIWkC1uUHCP-bXigycVH11kpqnYaWpXIVgOmd57evnBqxdWZUMof6-JY_9huQ

Reabilitação respiratória — avaliação e intervenção

Definição

Intervenção abrangente baseada numa avaliação completa do paciente, seguida de terapias personalizadas (exercício físico, educação, mudança de comportamento) para melhorar a condição física e psicológica de pessoas com doença respiratória crónica e promover adesão a comportamentos saudáveis a longo prazo.

Componentes

Exercício: treino aeróbio, treino de força, treino de equilíbrio, treino de flexibilidade/alongamento, treino dos músculos respiratórios, estratégias respiratórias, treino funcional.

Educação: integrar o programa de exercícios, prevenção de sintomas, gestão da respiração e técnicas de conservação de energia, gestão do stress, dieta saudável, manutenção de vida saudável, oxigenoterapia.

Comportamentos: exercício físico, atividade física, atividades de vida diária, técnicas de higiene brônquica, cessação tabágica.

Reabilitação respiratória é muito mais que exercício e educação; baseia‑se numa avaliação abrangente.

Locais de atuação

Hospital, domicílio, comunidade, telereabilitação.

Benefícios

Para o paciente:

  • Aumento da capacidade de exercício e função muscular;
  • Melhor equilíbrio;
  • Diminuição da sintomatologia (dispneia, fadiga);
  • Melhor qualidade de vida relacionada com a saúde;
  • Maior autoeficácia e conhecimento sobre a doença;
  • Redução de sintomas de ansiedade e depressão;
  • Redução do isolamento social.

Para os serviços de saúde: redução de idas às urgências, internamentos, tempo de internamento, consultas não programadas, mortalidade e dependência dos serviços.

Equipa multidisciplinar

  • Médico (pneumologista, médico de família, fisiatra, cardiologista, ...);
  • Fisioterapeuta;
  • Terapeuta ocupacional;
  • Enfermeiro;
  • Nutricionista;
  • Fisiologista do exercício;
  • Técnico de cardiopneumologia;
  • Farmacêutico;
  • Psicólogo;
  • Assistente social;
  • Gestor do programa.

Admissão aos programas de reabilitação

Indicada para todas as pessoas com doença respiratória crónica com sintomas persistentes (fadiga, dispneia), qualidade de vida diminuída, comprometimento funcional/emocional, incapacidade de ajustar à doença, estado nutricional comprometido, exacerbações frequentes, trocas gasosas comprometidas e motivação do paciente.

Patologias alvo

Obstrutivas: DPOC, asma, fibrose cística, bronquiectasias.

Restritivas: doenças do interstício, doenças da parede torácica, doenças neuromusculares.

Outras: cancro do pulmão, hipertensão pulmonar, pré e pós-cirurgias.

Gestão da DPOC — recomendações

GrupoEssencialRecomendadoDependendo das normas locais
Gold ACessação tabágica (pode incluir tratamento farmacológico)Atividade físicaVacina da gripe, vacina pneumocócica, vacina COVID-19, outras vacinas
Gold B e ECessação tabágica, reabilitação respiratóriaAtividade físicaVacina da gripe, vacina pneumocócica, vacina COVID-19, outras vacinas

Factos importantes:

  • O FEV1 tem fraca correlação com função física, emocional e social;
  • O FEV1 não prevê a probabilidade de desistência de um programa;
  • A reabilitação tem impacto em todos os graus de severidade; o FEV1 não é critério de seleção exclusivo.

Exclusões e limitações

Exclusões: doentes com doença ortopédica/neurológica grave que comprometam mobilidade e cooperação.

Limitações: patologias não controladas, especialmente psiquiátricas e cardíacas; tabagismo ativo (avaliar caso a caso).

Duração e frequência dos programas

Duração mínima recomendada: 6–8 semanas; programas mais prolongados trazem mais benefícios. Frequência mínima de treino: 3×/semana; algumas sessões podem ocorrer fora do centro especializado, com supervisão quando necessário.

Avaliação dos pacientes

Core da avaliação: essencial para medir impacto do programa. Outcomes fisiológicos e clínicos: dispneia, fadiga, capacidade funcional de exercício, função muscular dos membros inferiores.

Resultados de impacto na vida: qualidade de vida relacionada com a saúde, atividades de vida diária, comportamentos e estilo de vida, conhecimento da doença e objetivos pessoais.

Capacidade de exercício

Definição: esforço físico máximo que um paciente pode suportar. Um dos outcomes mais importantes, associado a melhor prognóstico e sobrevivência.

Testes laboratoriais e testes de campo são utilizados para individualizar a prescrição do exercício, avaliar necessidade de suporte (p.ex. oxigénio suplementar) e garantir segurança.

81-ZOkJw-bACoEIrAwaB-4-wzxe1VFIP9P1WiToWS0xWoGVKg-9kqTOKMUOilrcj1Ip4JmWVdxfQmHB-ZMMhrBGE6oMaobfGMRoXEVJgDrx0FO3vvUC2BNkfsxrqDACa2ecQRBETZdMUyQHgr1KCKgY

Consequências sistémicas

Alterações nas trocas gasosas podem induzir disfunção cardíaca: aumento do tamanho do ventrículo direito, hipertrofia e insuficiência ventricular direita, arritmias. Disfunção muscular periférica também é comum.

F3vMkmE0ayiYgdRn1YqVtWVH3-dgXGqyI7PLKk6cXjtc-pdfs_Ag8NS3D3S4g4DubTulDE1wf8QF_mRoMdOV2A0teCPs1-Q5zcm-cbtSPIko_ed8Sd590zwNJI3ZSg_jIaqwQAQsns8q5OLaG7esdGg

RdCYxgcDhUgP2KLkPS06JhLRVDweCUAtOdu6wtkms36SRKbxjcicFvAwx6NlQqIiz11JfYrR_ACz8pYjDcQ1fTbJ_sP_45iYKveCB9DNXjRPXFn-5ix3P8CjpygCiXiT4uXK1gkZL2YR9-0JpGHZqKU

x3_DNzRYh8SAIjY6oFjsG6uXxlMcViO4v7siQNcS1qaDr7A717aTvyW_sOpZ3_s0DkvVQs-Xo10UTrZA3JRU3N5m73uv3OQ1TPAOc64OFi37K3S5wNM2mjatg0dIMtsL6FPgpy8Zg6bQfceUZWuSpus

Outras comorbilidades: síndrome metabólica, diabetes, má nutrição, patologias músculo‑esqueléticas, ansiedade e depressão.

Avaliação laboratorial

Testes de laboratório fornecem informações sobre fatores fisiológicos/fisiopatológicos que limitam o exercício, quantificação da incapacidade, objetivos da intervenção, resposta ao tratamento e prognóstico.

Doenças pulmonares restritivas

Podem ser divididas em dois grupos de acordo com as estruturas anatómicas envolvidas:

  1. Intrínsecas (parênquima pulmonar): afetam interstício, espaços aéreos, vias aéreas e vasos pulmonares;
  2. Extrínsecas (extrapulmonares): afetam a parede torácica, pleuras, músculos respiratórios ou os neurónios que os inervam.

Efeitos das doenças intrínsecas

Inflamação e/ou cicatrização do tecido pulmonar; preenchimento dos espaços aéreos com exsudado e detritos celulares.

Fisiopatologia

  1. Resposta inflamatória aguda por diferentes causas;
  2. Destruição endotelial e epitelial (incluindo células alveolares tipo I e II): comprometimento da produção de surfactante → ↓ compliance e risco de atelectasia → ↓ ventilação;
  3. Formação de exsudado/pus → ↓ ventilação e difusão;
  4. Resultados possíveis: resolução da lesão ou desenvolvimento de fibrose.

↓ extensibilidade → ↓ compliance → ↓ ventilação. Espessamento da barreira alvéolo-capilar → ↓ difusão (O2); em casos graves pode ocorrer destruição dos capilares (hemorragia) → ↓ perfusão.

Entradas relacionadas: