Restauração da Monarquia na Espanha
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TEMA 5: A RESTAURAÇÃO DO SISTEMA POLÍTICO
A restauração da dinastia pôs fim à República, abalada pela Terceira Guerra Carlista, o cantonalismo e a insurreição cubana, e permitiu organizar uma política estável. O motor do novo regime foi Antonio Cánovas del Castillo, que organizou uma monarquia liberal e não democrática, cujas bases foram consolidadas durante o reinado de Afonso XII (1875-1885) e a regência de Maria Cristina (1885-1902).
Restauração Bourbon
Em 1874, o general Arsenio Martínez Campos proclamou o rei Afonso XII da Espanha através de um golpe militar. Assim, a restauração da dinastia ocorreu seis anos depois.
Mas, na realidade, a restauração dos Bourbons havia sido planejada durante o período do sexênio democrático (1868-1874), quando Cánovas del Castillo assumiu o partido Alfonsino.
Seu projeto era aproveitar a agitação política para ganhar o apoio dos republicanos conservadores e, assim, a restauração ser proclamada.
Alfonso foi educado na academia militar britânica de Sandhurst.
De lá, ele proclamou um manifesto que afirmava que a monarquia era a única maneira de encerrar a crise e apontava as linhas do que viria a ser a Restauração.
A entrada de Afonso XII na Espanha iniciou um longo período de estabilidade política baseado em um sistema regido pelos valores conservadores da ordem, da propriedade e da monarquia, combinados com aspectos do Estado liberal.
Características e Funcionamento do Sistema Canovista
Cánovas foi quem estabeleceu os princípios ideológicos e o sistema institucional e jurídico, afastando os perigos causados pelo regime elizabetano. Para isso, afastou o exército do poder político. Ele capturou a organização de um sistema bipartidário e a adoção de uma constituição flexível.
Pacificação Militar
Para construir o novo sistema, era necessário pacificar o país. Em 1876, conseguiu-se pacificar a Terceira Guerra Carlista.
Em 1878, foi assinada a Paz de Zanjón, que encerrou a insurreição cubana. Foi concedida autonomia administrativa a Cuba.
Bipartidarismo
Os chamados partidos dinásticos eram aqueles que se revezavam no poder. O Partido Conservador, liderado por Cánovas, era o herdeiro do conservadorismo e do sindicalismo. Representava os interesses dos latifundiários, da alta burguesia e da aristocracia financeira, da hierarquia católica e dos grupos de pressão.
O Partido Liberal, liderado por Sagasta, integrou os setores mais progressistas e queria incorporar à Restauração os aspectos menos radicais da revolução de 1868. Isso lhe valeu o apoio dos profissionais liberais, da burguesia industrial e comercial, dos funcionários públicos e de setores da nobreza.
As diferenças ideológicas e políticas entre os dois partidos eram mínimas. De fato, a criação do Partido Liberal se deveu às próprias necessidades do sistema desenvolvido por Cánovas.
A Constituição de 1876
Uma Constituição era necessária para regular e garantir a nova política do regime. Assim, foram convocadas eleições com sufrágio universal masculino para formar Cortes que elaborassem e aprovassem uma nova Constituição.
A Constituição de 1876 estabelecia:
- A soberania era compartilhada entre as Cortes e a Coroa (Art. 18).
- A Coroa era inviolável. O rei detinha o poder executivo, exercido pelo governo, cujo presidente nomeava e destituía, e a iniciativa legislativa, com poder de veto sobre as Cortes.
- As Cortes eram bicamerais, com um Senado elitista que garantia o controle da legislatura por uma minoria privilegiada.
- Reconhecia direitos e liberdades, mas sua regulamentação era remetida à legislação posterior (Art. 13).
- O catolicismo foi reconhecido como a religião oficial e a Igreja foi autorizada a controlar a educação (Art. 11).
O sufrágio universal masculino não foi estabelecido até 1890, graças à lei eleitoral de um governo liberal.
Turnismo e Fraude Eleitoral
O sistema de governo baseava seu funcionamento na alternância pacífica dos dois partidos, que concordavam em acessar o governo sem recorrer a golpes militares. Isso evitaria o perigo de que a monarquia fosse identificada com um único partido e garantia a continuidade do regime.
Para garantir a alternância, recorria-se à fraude eleitoral. Assim, o sistema político utilizava procedimentos não democráticos.
Os caciques locais eram uma peça fundamental do sistema. Eram utilizados pelos partidos para garantir a obtenção da maioria necessária para governar, independentemente do eleitorado. Para isso, recorriam à compra de votos ou à coação.