Resumo dos Principais Filósofos: De Sócrates a Hobbes

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Sócrates

Oráculo

Afirmava ser Sócrates o mais sábio dos homens. Um oráculo era um pronunciamento dos deuses sobre o destino dos homens que os consultavam.

Sabedoria

Sua sabedoria era resultado da percepção que tinha da própria ignorância, pois costumava proferir a frase: "só sei que nada sei".

O Diálogo Socrático

  • Ironia (Primeira Parte): Sócrates fingia desconhecer o assunto tratado no diálogo e fazia perguntas ao interlocutor, supostamente desejando compreender o tema. A cada resposta, o filósofo encontrava uma falha no raciocínio da pessoa e formulava outras questões, até o interlocutor chegar a uma contradição e demonstrar a sua ignorância.
  • Maiêutica (Segunda Parte - "Parto de Ideias"): O interlocutor era levado a tentar elaborar as próprias ideias, ir ao encontro da própria alma e adquirir, a partir de então, uma existência autêntica e verdadeiramente original.

Julgamento e Morte

Sócrates foi levado a julgamento, pois alguns cidadãos de Atenas, enfurecidos por sua ironia, acusaram-no oficialmente de impiedade e de induzir os jovens a se comportar de maneira imprópria. Lá, ele rebateu os argumentos de seus acusadores, mas foi condenado à morte por envenenamento.

Busca pela Verdade

Implicava conseguir uma convivência honesta e digna entre os homens. Um trecho de Xenofonte recupera esse princípio socrático.

Platão

Pensamento Platônico

Segundo ele, quando o homem se deixa levar pela paixão, pelos prazeres do corpo e pela busca sem limites das satisfações físicas, está exercendo violência contra si mesmo, porque age de maneira irracional. Se age dessa mesma maneira em sociedade, não leva em consideração as necessidades alheias, tende a tornar-se um tirano e provoca a infelicidade de todos.

Mundo das Ideias

Haveria um mundo imaterial, eterno e imutável, totalmente separado do mundo sensível, ao qual só temos acesso por meio da razão. Nesse plano da realidade estão as ideias, que são, na verdade, realidades que existem por si mesmas.

Verdade

Para alcançar a verdade, o homem deveria dirigir sua inteligência para as ideias, para além do mundo sensível.

O Ser Humano e a Alma

O ser humano é composto de corpo e alma, sendo a alma a parte mais importante e real do indivíduo. Ela seria imortal e eterna, existindo desde sempre no mesmo plano do mundo das ideias, de onde viria para se encarnar num corpo. A alma se divide em três partes:

  • Racional: Localizada na cabeça, é a guia da alma.
  • Emocional: Alojada no peito, conteria as emoções superiores (honra, ódio, injustiça).
  • Sensual: No abdômen e partes adjacentes, seria rebelde e corresponderia aos desejos inferiores, carnais, desordenada e inquieta.

Amor Platônico

O amor é a percepção da insuficiência de algo e o desejo de conquistar aquilo de que sentimos falta. O amor dirige-se para o bem, cuja manifestação visível é a beleza.

Política

A política deve ser organizada de maneira análoga ao que ele considerava justo e correto para a vida do indivíduo. Para ele, cada classe social devia dedicar-se apenas à sua função e virtude específica. Só quando isto acontece é que numa sociedade reina a harmonia e a felicidade. A finalidade do Estado é educar os cidadãos na respectiva virtude, assegurando deste modo a sua felicidade.

Aristóteles

Conhecimento do Mundo

O mundo é conhecido por meio da experiência sensorial, aplicando a razão nos dados fornecidos pelos cinco sentidos, descobrindo assim a essência das coisas e a verdade sobre os diferentes seres.

Abstração e Conhecimento

O conhecimento é a abstração da natureza dos objetos e dos seres. Para ele, não há um mundo onde as ideias existam por si mesmas. Abstração significa colocar à parte, mentalmente, as características e qualidades de um objeto de estudo para analisá-lo e conhecê-lo.

Substância e Acidentes

Cada ser ou objeto possui uma substância própria, que é o conjunto de todas as suas características fundamentais; a essência necessária do ser. Os acidentes são qualidades que não pertencem à substância do ser, embora possam pertencer ao objeto a que se referem.

Potência e Ato

Potência (causa) era a base, o princípio, algo que podia gerar outro. Ato (efeito) era a transformação da potência em outro objeto. Exemplo: petróleo (potência) se transforma em plástico (ato).

As Quatro Causas

  • Causa Material: É a matéria de que o objeto é feito.
  • Causa Eficiente: Também denominada instrumental, é o ser que promove a passagem do objeto inicial da potência ao ato.
  • Causa Formal: É a forma que define a coisa, que lhe dá a sua identidade.
  • Causa Final: É o propósito, o objetivo, a finalidade do ser específico.

Santo Ambrósio

Relação entre Igreja e Estado

Ele estabeleceu com firmeza as relações entre o Estado e a Igreja. A justificativa para exercer autoridade e intervir nos assuntos do Estado provinha de sua condição de representante da Igreja fundada por Cristo e de mediador entre Deus e os assuntos humanos. Como bispo, ele era o instrumento por meio do qual as bênçãos ou as condenações divinas eram aplicadas.

Arianismo

Combateu a heresia do Arianismo, segundo a qual Jesus seria apenas uma criatura divina como todas as outras. Embora pudesse ser venerado por sua vida e por Deus o haver reconhecido como homem perfeito, ele não poderia ter a essência divina, que pertenceria somente a Deus.

Santo Agostinho

Vida Contemplativa

A atitude de deixar em segundo plano o trabalho manual e as preocupações práticas para dedicar-se exclusivamente à busca da verdade profunda de todas as coisas.

Maniqueísmo

Foi adepto do Maniqueísmo, uma seita que reivindicava ser sua doutrina o verdadeiro cristianismo. Afirmava basicamente que a criação do mundo tinha sido resultado do conflito entre duas grandes forças: luz e escuridão, bem e mal.

O Mal

O mal é a perversão da vontade, desviada da substância divina.

Felicidade

Atinge-se a felicidade através do direcionamento para a busca das verdades, para assim, descansar em Deus.

"Ama e Fazei o que Quiseres"

Se o homem ama verdadeiramente, como Deus ama, com gratuidade e fazendo o bem aos outros, sua vontade será guiada corretamente. Por isso, ser e agir conforme a própria vontade, iluminada pelo amor divino, é a garantia de que essa liberdade de ação será justa e ética.

A Natureza do Tempo

  • O Passado: Não existe mais; sua existência só é possível na alma do ser humano, por meio da memória.
  • O Presente: É o conjunto de nossas sensações e pensamentos do momento; é a percepção e a consciência.
  • O Futuro: É a espera, as nossas previsões.

Maquiavel

Política Realista

Deixa de lado as discussões sobre governos e governantes ideais. Ele se preocupa em saber como os homens governam de fato e quais os limites do uso da violência para conquistar e conservar o poder.

O Príncipe

É uma espécie de manual da arte de governar que desmascara a lógica do poder, que é a lógica da força. A boa ação política consistirá naquela que consegue atingir os resultados almejados na busca do bem comum, o que representa um abandono da ética cristã e a secularização da política.

Virtù (Virtude)

A virtude se mostrará na ação contundente e oportunista, que revela a prudência do observador atento. O príncipe virtuoso saberá aproveitar a situação para realizar as mudanças necessárias e assim alcançar seus objetivos.

O Conflito

O conflito é inerente a toda atividade humana, o que torna essa ruptura com a tradição ainda maior. Ele elogia o conflito, considerando as divergências não apenas inevitáveis, mas também desejáveis, e declara que a relação entre forças antagônicas deve ser sempre de equilíbrio tenso.

Doutrina Agonística

Doutrinas agonísticas são aquelas que enfatizam a importância da disputa e do conflito nos diversos processos da vida.

Contingência

É a característica daquilo que não é necessário, daquilo que pode ser ou não ser. A contingência de toda ação humana significa que a razão não pode conhecer de antemão qual é a boa ação: pode ser boa em um momento, e em outro não.

Thomas Hobbes

Contexto: Puritanos

Eram aqueles que seguiam um protestantismo radical, inspirado nas doutrinas de João Calvino, e eram contra o anglicanismo.

Estado de Natureza

É a "guerra de todos contra todos". O direito de natureza é a liberdade de cada um de preservar a sua natureza e a sua vida como bem entender.

Bem e Mal

Para Hobbes, nada é bom nem mau em si. "Bem" é apenas uma palavra para nomear aquilo que causa em nós um esforço e um movimento em sua direção; "mal" é o seu contrário.

O Contrato Social (Lei da Natureza)

O homem, que antes tinha uma vida solitária, pobre, sórdida e curta, passou a ter medo da morte e o desejo de segurança e conforto, o que o levou a um contrato.

Teoria Contratualista

É a teoria segundo a qual o Estado teria sido criado a partir de uma espécie de contrato estabelecido entre os homens. Para Hobbes, o homem não tem uma disposição natural para viver em sociedade; vivemos numa sociedade artificial (pacto).

O Estado (Leviatã)

O Estado seria um verdadeiro monstro, tanto que Hobbes o compara ao Leviatã, personagem da mitologia fenícia conhecido por sua aparição na Bíblia, onde é descrito como um animal extremamente cruel, mas que defendia os peixes mais frágeis (o povo), impedindo que os mais fortes os destruíssem.

Absolutismo

O absolutismo defendido por ele não derivava de um direito divino. Ele nasceria de um pacto que, quando bem cumprido, levaria necessariamente ao absolutismo.

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