Retórica, Argumentação e Teoria do Conhecimento
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Demonstração e Argumentação
Demonstração
- Procura demonstrar a verdade de uma tese;
- Permite uma única interpretação pela pobreza da linguagem formal;
- Usa provas;
- É independente da matéria ou conteúdo;
- É impessoal ao nível da prova: a validade não depende em nada da opinião;
- É isolada de todo o contexto;
- É independente do orador e do auditório;
- Objetividade.
Argumentação
- Procura provocar a adesão do auditório a uma tese verosímil, plausível, preferível, provável;
- Permite uma pluralidade de interpretações pela riqueza da linguagem natural;
- Usa argumentos;
- É dependente da matéria ou conteúdo;
- É pessoal, pois dirige-se a indivíduos em relação aos quais se esforça por obter adesão;
- É contextualizada;
- É dependente do orador e do auditório;
- Subjetividade.
Dimensões da Retórica
- Ethos: É a dimensão relativa ao carácter do orador. Este deve ser competente e credível para conseguir a confiança do seu auditório. (Credibilidade, competência e autoridade).
- Pathos: É a dimensão relativa ao auditório. Este deve ser emocionalmente impressionado e seduzido. (Emoções e estado do público).
- Logos: É a dimensão relativa aos argumentos, ao discurso. O discurso deve estar bem estruturado do ponto de vista lógico-argumentativo, para que a tese se imponha como verdadeira. (Linguagem, argumentos, figuras de estilo).
Persuasão e Manipulação
- Persuasão: Prática do discurso que tem como finalidade levar alguém a mudar de ideias, mas pressupondo a livre adesão do auditório à tese que o orador pretende que seja acolhida por ele. (Uso positivo da palavra; argumentos racionais).
- Manipulação: Prática abusiva do discurso — abusiva na medida em que obriga o recetor a aderir a uma dada mensagem (que um dado emissor deseja impor). (Uso negativo da palavra; uso de falácias, apelo às emoções).
- Manipulação dos afetos: Centra-se no apelo às emoções e aos sentimentos do auditório, através do recurso às figuras de estilo, ao medo, à repetição da mensagem, à hipnose, sincronização e ao tato.
- Manipulação cognitiva: Opera por falsificação ou dissimulação do conteúdo do discurso.
Os Sofistas e a Crítica de Platão
Sofistas (séc. V a.C.)
- Desenvolvem uma nova educação;
- Professores de Retórica;
- Ensinam a arte de argumentar, indispensável no sistema democrático;
- Professores itinerantes;
- Ensinam a técnica da palavra e um saber enciclopédico (cultura geral).
Críticas de Platão à Retórica Sofística
- A Retórica sofística não procura o conhecimento e a verdade, mas sim simular um falso saber, "mascarando" a ignorância;
- Como a Retórica sofística não fomenta a procura do saber, pode estimular a manutenção da ignorância;
- Os sofistas preocupam-se mais com a forma do discurso (técnica) do que com o seu conteúdo;
- A Retórica sofística só funciona para um auditório/público de ignorantes;
- Os sofistas têm um papel na formação dos jovens sem ter em consideração os valores (bem, justiça, honestidade) e a verdade.
Aspetos positivos da Sofística
- Desenvolvimento de uma nova educação adaptada às necessidades da época;
- Valorização e desenvolvimento do uso da palavra;
- Interesse pelas questões políticas e humanas na filosofia;
- Estímulo ao debate e à crítica (procura de argumentos e contra-argumentos).
Teoria do Conhecimento
Três condições necessárias e suficientes para o conhecimento:
- Crença: Pode ser falsa ou não ter bases/fundamentos; para constituir conhecimento tem de ser verdadeira e justificada.
- Verdade: Parte da realidade/objeto.
- Justificação: Relaciona a crença com a realidade.
Questões relativas ao conhecimento
- Juízos a priori: Juízos cuja verdade pode ser conhecida independentemente de qualquer experiência, tendo, portanto, origem no pensamento ou na razão.
- Juízos a posteriori: Juízos cuja verdade só pode ser conhecida através da experiência sensível.
- Conhecimento a priori: Conhecimento baseado em juízos a priori, tendo a sua fonte ou origem apenas no pensamento ou na razão. É justificado pela razão e não pela experiência.
- Conhecimento a posteriori: Conhecimento baseado em juízos a posteriori, tendo a sua origem na experiência. É o conhecimento empírico, justificado pela experiência.
Racionalismo vs. Empirismo
- Racionalismo: Valoriza-se o papel da razão no conhecimento; só a razão pode fundamentar o conhecimento certo, seguro, necessário e universal; podemos ter conhecimentos de aspetos essenciais da realidade só pela razão/pensamento puro.
- Empirismo: Valoriza-se o papel dos sentidos/experiência no conhecimento; só a experiência pode garantir que o nosso conhecimento corresponde à realidade; só através da experiência podemos ter conhecimento substancial sobre a realidade.
A Dúvida Metódica
Argumentos da Dúvida:
- Informação dos sentidos: Por vezes os sentidos enganam-nos.
- Informação do mundo exterior (e corpo): Podemos estar a sonhar.
- Raciocínio: Pode haver um Deus enganador ou um génio maligno que troca as nossas ideias.
A dúvida justifica-se pelas seguintes razões:
- Porque os sentidos muitas vezes nos enganam;
- Por não dispormos de um critério que nos permita discernir o sonho da vigília. Podemos estar a sonhar e não o sabemos: não temos justificação para acreditar que estamos despertos. Isso fará com que tudo o que julgamos saber seja ilusório;
- Porque alguns seres humanos se enganaram nas demonstrações matemáticas;
- Porque é possível que exista um Deus enganador ou um génio maligno que troca as nossas ideias.