Revisão de Conceitos Fundamentais do Centro Cirúrgico e Perioperatório

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1. História e Práticas Cirúrgicas na Antiguidade

Na Antiguidade, como eram os ambientes onde se realizavam as cirurgias? Havia anestesia? Quando foi dado o primeiro passo para a anestesia geral? Como se dava a atuação da enfermagem perioperatória nesse contexto?

  • Ambiente: Insalubre.
  • Primeiro Passo para Anestesia Geral: Joseph Priestley descobriu o óxido nitroso em 1773.
  • Atuação da Enfermagem: Atuava na limpeza de materiais e contenção de pacientes.

2. Definição do Período Perioperatório

O período perioperatório é dividido nas seguintes fases:

  • Pré-operatório Mediato: Começa no momento da indicação e termina 24 horas antes do início da cirurgia.
  • Pré-operatório Imediato: Compreende as 24 horas que antecedem a operação.
  • Intraoperatório: Período em que a cirurgia ocorre, desde a entrada na sala de cirurgia até a saída.
  • Pós-operatório Imediato: Primeiras horas após o término da cirurgia, geralmente até 24 horas.
  • Pós-operatório Mediato: Período de 24 horas até o 7º dia após a cirurgia.
  • Pós-operatório Tardio: Recuperação ao longo prazo.

3. Ações de Enfermagem em Cada Período Perioperatório

Pré-operatório Mediato

  • Jejum.
  • Preparo físico e emocional.
  • Verificação de sinais vitais.
  • Avaliação de comorbidades e alergias.
  • Revisão de exames necessários.
  • Avaliação pré-anestésica.

Pré-operatório Imediato

  • Admissão em Clínica Cirúrgica (CC): Prontuário, identificação, exames, consentimento, prescrição, registro.
  • Verificação de jejum, medicamentos e preparos.
  • Preparo em Sala de Operações (SO) para anestesia.

Intraoperatório

  • Desde a admissão no CC até o encaminhamento à SRPA (Sala de Recuperação Pós-Anestésica).
  • Da diérese à síntese cirúrgica.
  • Monitoramento do paciente.
  • Gerenciamento de materiais e equipamentos.
  • Controle: compressas, instrumentais e materiais críticos.
  • Encaminhamento de peças anatômicas e exames.
  • Realização de curativos.

Pós-operatório Imediato

  • Transferência da mesa para maca.
  • Posicionamento adequado.
  • Monitoramento: hemodinâmico, Sinais Vitais e Oxigenação (O2).
  • Cuidados com sondas, drenos e curativos.
  • Aplicação das escalas de Aldrete e de Kroulik.
  • Monitoramento de complicações pós-operatórias imediatas.

Pós-operatório Mediato/Tardio

  • Evolução da cicatrização do processo cirúrgico.
  • Ações voltadas às respostas após a cirurgia.
  • Acompanhamento clínico.
  • Orientações para o autocuidado.
  • Monitoramento de casos de infecção.
  • Monitoramento de complicações pós-operatórias mediatas e tardias.

4. Resoluções da ANVISA sobre Arquitetura do Centro Cirúrgico

Quais as duas Resoluções de Diretoria Colegiada (RDC) voltadas à arquitetura e planta física do Centro Cirúrgico e o que significam?

  • RDC 50/2002: Define as diretrizes para o planejamento e construção de estabelecimentos de saúde, incluindo requisitos para garantir ambientes hospitalares seguros, como o Centro Cirúrgico.
  • RDC 307/2002: Estabelece normas para o funcionamento de serviços de saúde, focando no controle de infecção, segurança do paciente e eficiência nos processos cirúrgicos.

5. Áreas do Centro Cirúrgico Segundo o Controle Asséptico

O Centro Cirúrgico é dividido em 3 áreas. Conceitue cada área e cite pelo menos um exemplo de cada:

  • Área Irrestrita (Zona de Proteção): Circulação livre de pessoas. Exemplo: Sala de espera.
  • Área Semirrestrita (Zona Limpa): Acesso controlado com roupas privativas. Exemplo: Recepção de pacientes.
  • Área Restrita (Zona Estéril): Apenas para profissionais diretamente envolvidos no procedimento.

6. Características Estruturais e Equipamentos do Centro Cirúrgico

As afirmações a seguir são consideradas:

  • Sala de operação de pequeno porte tem no mínimo 20m², médio porte: 25m², grande porte: 36m².
  • Deve haver 2 Salas de Operações para cada 50 leitos não especializados ou 2 Salas de Operações para cada 15 leitos cirúrgicos.
  • Exemplos de equipamentos fixos da Sala de Operações: aparelho de anestesia com monitor, mesa cirúrgica, focos centrais de luz.
  • O piso deve ser de material resistente, não poroso e livre de frestas. As paredes devem ter cor neutra, suave e fosca para evitar a emissão de reflexos luminosos, a fadiga visual, o cansaço e os estímulos nervosos.
  • As portas de vai-e-vem aumentam o risco de contaminação com as mãos de pessoas que as utilizam, além de movimentar o ar ambiente sem necessidade.
  • A ventilação com ar-condicionado, com pressão positiva, serve para remover gases anestésicos; controlar temperatura e umidade; promover troca de ar adequada; remover partículas em suspensão; e impedir a entrada de partículas de áreas subjacentes.
  • As tomadas elétricas devem estar situadas a 1,5 m do chão, a fim de evitar riscos de explosão e acidentes por quedas.
  • O CC deve ter sistema de emergência com gerador próprio, capaz de assumir automaticamente o suprimento de energia em, no máximo, 0,5 segundo e mantê-lo por, no mínimo, 1 hora.

7. Equipes Principais do Centro Cirúrgico

As três equipes principais para o funcionamento do Centro Cirúrgico são:

Cirurgião, Anestesista e Enfermeiro.

8. Funções dos Profissionais no Centro Cirúrgico

Cirurgião Titular

  • Responsabiliza pelo ato operatório.
  • Conduz a intervenção cirúrgica.

Cirurgião Assistente

  • Auxilia o cirurgião titular.
  • Providencia a chegada do prontuário e dos exames pré-operatórios junto com o paciente na sala de cirurgia.

Anestesiologista

  • Realiza visita pré-anestésica.
  • Monitora continuamente o paciente anestesiado durante a cirurgia.

Instrumentador

  • Confere os materiais e equipamentos necessários.
  • Auxilia na paramentação e na entrega de instrumentos.

Enfermeiro Coordenador

  • Planeja a atuação da equipe de enfermagem.
  • Gestão de pessoas.

Enfermeiro Assistencial

  • Supervisão direta da equipe.
  • Realiza checklist.

Circulante de Sala de Operações

  • Montar a sala de operação.
  • Prestar assistência à equipe e paciente.

9. Dimensionamento da Equipe de Enfermagem

Preenchimento correto das lacunas:

  • 1 Enfermeiro para cada 3 salas cirúrgicas (eletivas pequena e médio porte).
  • 1 enfermeiro exclusivo nas salas de cirurgias eletivas e de urgência/emergência, quando o grau de complexidade e porte cirúrgico for maior.
  • 1 profissional técnico/auxiliar de enfermagem para cada sala como circulante (de acordo com o porte cirúrgico).
  • 1 profissional técnico/auxiliar de Enfermagem para a instrumentação (de acordo com o porte cirúrgico), caso o instrumentador seja da Instituição.

10. Classificações do Tratamento Cirúrgico

Momento Operatório

A decisão sobre quando realizar a cirurgia depende da evolução clínica do paciente e da avaliação dos benefícios e riscos de adiar o procedimento.

  • Emergência: Imediato.
  • Urgência: Espera de algumas horas.
  • Eletiva: Marcado.

Finalidade da Cirurgia

A qual se destina:

  • Paliativa: Melhora na qualidade de vida.
  • Radical: Retirada de órgãos.
  • Plástica: Estética.
  • Diagnóstica: Biópsia.

Risco Cardiológico

Classificação de acordo com o risco de perda de fluidos e sangue, o que pode causar complicações cardíacas. As cirurgias são classificadas como:

  • Pequeno porte: Risco de perda de fluidos < 2 unidades de sangue.
  • Médio porte: Risco de perda de fluidos entre 2 e 4 unidades de sangue.
  • Grande porte: Risco de perda de fluidos > 4 a 6 unidades de sangue.

Duração da Cirurgia

Classificadas conforme a duração:

  • Porte I: Até 2 horas.
  • Porte II: 2 a 4 horas.
  • Porte III: 4 a 6 horas.
  • Porte IV: Mais de 6 horas.

Quanto maior o tempo do procedimento, maior o porte e o risco de complicações no pós-operatório.

Potencial de Contaminação

As cirurgias podem ser:

  • Limpas: Baixo risco de infecção (ex: neurocirurgias).
  • Potencialmente Contaminadas: Risco moderado (ex: histerectomias).
  • Contaminadas: Alto risco (ex: apendicectomias).
  • Infectadas: Presença de infecção (ex: amputação de pé diabético).

11. Verdadeiro ou Falso sobre Classificações Cirúrgicas

  • (F) As cirurgias de emergência são aquelas que, em virtude da gravidade do quadro clínico do paciente, podem aguardar até 10 horas para serem realizadas.
  • (F) Já as cirurgias de urgência necessitam de intervenção imediata, sendo necessário entrar com o paciente para a sala cirúrgica imediatamente.
  • (V) As cirurgias eletivas compreendem os procedimentos cirúrgicos que, mesmo sendo indicados para tratar a condição clínica do paciente, podem ser realizados em data pré-agendada.
  • (F) Alguns autores classificam certos tipos de tratamentos cirúrgicos eletivos como de emergência, ou seja, a cirurgia é feita por solicitação do paciente, como nos casos de cirurgias plásticas com fins estéticos.
  • (V) Entende-se por cirurgia paliativa aquela que visa a melhorar as condições clínicas do paciente, contribuindo para a qualidade de vida, ou, ainda, para aliviar a dor.
  • (V) As cirurgias radicais são aquelas em que ocorre a retirada parcial ou total de um órgão ou segmento corporal.
  • (V) Já as cirurgias plásticas são tratamentos realizados com finalidade estética ou corretiva.
  • (F) Em relação às cirurgias diagnósticas, pode-se citar algumas amputações e alguns desbridamentos de lesões, que se caracterizam pela extirpação de membros e tecidos com fins diagnósticos.
  • (F) Quanto ao risco cardiológico, as cirurgias de pequeno porte são aquelas em que o paciente tem probabilidade reduzida de formação de trombos.
  • (V) Quanto ao risco cardiológico, as cirurgias de médio porte são os procedimentos em que o paciente tem probabilidade mediana de perda de fluidos e sangue.
  • (V) Quanto ao risco cardiológico, as cirurgias de grande porte são aquelas em que há maior probabilidade de perda sanguínea e de fluidos.
  • (V) As cirurgias de porte I têm até 2 horas de duração. (Nota: O item original continha um erro, corrigido para V com base na definição anterior).
  • (V) As cirurgias de porte II duram, em média, de 2 a 4 horas.
  • (F) As cirurgias de porte III têm duração de 4 a 8 horas.
  • (F) As cirurgias de porte IV são aquelas cuja duração ultrapassa 8 horas.
  • (F) As cirurgias infectadas são aquelas realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório local; cirurgias eletivas atraumáticas; cirurgias em que não ocorre penetração nos tratos digestório, respiratório e urinário.
  • (V) As cirurgias potencialmente contaminadas são realizadas em tecidos colonizados por flora microbiana residente pouco numerosa ou em tecidos de difícil descontaminação, ou, ainda, quando ocorre penetração nos tratos digestório, respiratório ou geniturinário, sem contaminação significativa.
  • (V) As cirurgias limpas são realizadas em tecidos estéreis ou passíveis de descontaminação, na ausência de processo infeccioso e inflamatório local; cirurgias eletivas atraumáticas; cirurgias em que não ocorre penetração nos tratos digestório, respiratório e urinário. (Nota: O item original continha uma descrição de cirurgia infectada/contaminada como Falsa, mas a descrição corresponde à cirurgia Limpa, tornando a afirmação Falsa se considerarmos a classificação anterior, mas a correção aqui assume que a intenção era descrever a Limpa corretamente como V, ou que o F original se referia à descrição incorreta). Mantendo a correção baseada na descrição correta da Limpa.
  • (V) As cirurgias infectadas, como o próprio nome sugere, são realizadas em qualquer tecido ou órgão, na presença de processo infeccioso com superação local, tecido necrótico ou corpo estranho.

13. Determinação do Risco Cirúrgico (ASA)

Procedimentos e Exames Comuns

Quais os dois principais procedimentos para determinação do risco cirúrgico e os exames complementares mais comuns?

Procedimentos: Anamnese, exame físico e os exames complementares.

Exames Comuns: Hemograma, Ureia e creatinina, Coagulograma, Íons, Eletrocardiograma (ECG), Glicemia, Raio X de tórax, Espirometria, Gasometria arterial.

Classificação ASA

  • O que significa o termo ASA em português? Classificação da Sociedade Americana de Anestesiologia.
  • Qual especialidade médica realiza a classificação ASA? Anestesista.
  • Como se dá a classificação ASA e como cada item dessa classificação é definido? Utilizada para determinar o estado físico do paciente antes da cirurgia, de acordo com o risco de complicações anestésicas e cirúrgicas.

Definição dos Graus ASA:

  • I: Saúde normal.
  • II: Doença sistêmica leve (Ex.: Hipertensão Arterial Sistêmica).
  • III: Doença sistêmica grave, não incapacitante.
  • IV: Doença sistêmica grave, incapacitante com ameaça à vida.
  • V: Paciente moribundo, com expectativa de sobrevida mínima, independente da cirurgia.
  • VI: Doador de órgão (cadáver).

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