Risco Sísmico: Causas, Escalas e Prevenção de Terremotos
Classificado em Geologia
Escrito em em
português com um tamanho de 5,44 KB
O risco sísmico e os terremotos são, depois das cheias, o fenômeno geológico mais destrutivo. Entre 1959 e 2003, causaram mais de 800.000 mortes e pesadas perdas materiais.
Conceitos básicos e tipos de ondas
Os sismos são movimentos bruscos da crosta terrestre e constituem a manifestação superficial de movimentos tectônicos do interior do planeta. Os movimentos tectônicos de causa interna geram ondas P e S que se estendem a partir de um hipocentro. Ao atingir a superfície, estas são transformadas em ondas L e R, que são a causa dos terremotos devastadores.
Causas dos terremotos
Os terremotos podem ter muitas causas: explosões, injeção de fluidos, deslizamentos de terra, enchimento de reservatórios, atividades de mineração ou atividade vulcânica (a segunda causa mais importante). No entanto, a causa mais importante de todas é a atividade tectônica, isto é, o movimento de deslizamento das placas litosféricas e o aparecimento de zonas de atrito e falhas.
Magnitude e Intensidade Sísmica
Os terremotos são medidos através de duas escalas principais:
- 1. Magnitude de um terremoto: Refere-se à quantidade de energia liberada (em ergs). É medida na Escala Richter (proposta em 1935), uma escala exponencial de 9 graus, onde cada grau é cerca de 32 vezes maior em energia que o anterior.
- 2. Intensidade de um terremoto: Avalia o número e a severidade dos efeitos do sismo em edifícios e no relevo. É medida na escala de 12 graus de Mercalli (1902), posteriormente alterada (escala MM). Atualmente, utiliza-se também a escala MSK (Medvedev-Sponheuer-Karnik). Seu uso é prático, mas menos rigoroso, pois os efeitos dependem da qualidade das construções.
Frequência anual de terremotos no planeta
- Magnitude > 8 (Grande): 1 por ano
- Magnitude 7-7,9 (Maior): 18 por ano
- Magnitude 6-6,9 (Forte): 120 por ano
- Magnitude 5-5,9 (Moderada): 800 por ano
- Magnitude 4-4,9 (Ligeira): 6.200 por ano
- Magnitude 3-3,9 (Menor): 49.000 por ano
- Magnitude < 3 (Micro): 9.000 por dia
Localização espacial dos terremotos
O risco sísmico, tal como o vulcânico, concentra-se nas bordas das placas litosféricas, especialmente em falhas ativas. Embora existam sismos intraplaca, as áreas mais ativas são o Anel de Fogo do Pacífico, o cinturão Alpino-Himalaio e as cristas oceânicas. A distribuição da sismicidade em áreas continentais é muito mais difusa do que nos oceanos, mas estudos detalhados mostram que os epicentros se concentram em alinhamentos que correspondem a falhas geológicas.
Fatores de risco: Perigosidade, Exposição e Vulnerabilidade
O risco sísmico está associado à magnitude e profundidade do hipocentro. Os terremotos podem ser rasos (menos de 70 km), intermediários (70 a 300 km) ou profundos (mais de 300 km). Quanto mais profundo, maior a área afetada, mas menor a intensidade superficial.
- Exposição: Depende da densidade populacional próxima às bordas de placas. Atualmente, mais de 50 cidades com mais de 2 milhões de habitantes estão a menos de 200 km de limites de placas.
- Vulnerabilidade: É maior em países em desenvolvimento, onde não se aplicam critérios de construção sismo-resistente por serem mais caros.
Previsão e Prevenção Sísmica
A previsão exata de terremotos ainda é um problema sem solução definitiva, mas baseia-se em estudos de zonas históricas e na recorrência de sismos. Fenômenos precursores incluem microfissuras nas rochas, alterações na condutividade elétrica, variações no nível de águas subterrâneas e emissões de gás radônio.
Medidas de Prevenção:
- Estruturais: Construção sismo-resistente (preparada para movimentos horizontais das ondas L) e tentativa de "lubrificação" de falhas bloqueadas.
- Não estruturais: Mapas de risco, ordenamento do território e planos de proteção civil.
Riscos associados aos terremotos
Os principais perigos incluem: danos em edifícios, deslizamentos de terra, tsunamis, quebra de infraestruturas (gás, água, barragens) e o consequente custo em vidas humanas.
O risco sísmico na Espanha e em Múrcia
A Península Ibérica situa-se na placa Eurasiática, próxima ao limite com a placa Africana. As zonas de maior atividade são o Sul e Sudeste (Granada, Málaga, Almeria, Múrcia, Alicante) e os Pirineus. A Região de Múrcia encontra-se numa zona de risco médio-alto, com uma taxa de terremotos que é o dobro da média nacional.
Zonas sismotectônicas de Múrcia:
- Vale do Guadalentín: Associado à falha de Alhama de Murcia (Lorca, 1976).
- Vega Alta del Segura: Com epicentros em Archena e Ceutí.
- Vega Media e Baja del Segura: Continuação geológica do Guadalentín.
- Fortuna-Mula: Alinhamento com falhas importantes, vulcanismo e águas termais (Mula, 1999).