Rousseau e Ortega y Gasset: Pensamento e Contexto
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O Problema do Conhecimento em Rousseau
Em 1750, Jean-Jacques Rousseau publicou o Discurso sobre as Ciências e as Artes. Este trabalho foi apresentado ao concurso da Academia de Dijon, que questionava se o progresso das ciências e das artes teria sido benéfico para a humanidade ou se teria contribuído para corromper os costumes. Rousseau argumentou negativamente, vencendo o concurso.
Rousseau foca seus argumentos na ideia de que a civilização não foi benéfica, pois criou necessidades artificiais que escravizaram a humanidade. Ele defende o ideal de vida natural contra uma sociedade cheia de hipocrisia e convenções. Segundo o autor, a origem da ciência e das artes reside em vícios humanos, como a ambição, a avareza e o orgulho.
A fé no progresso é criticada por Rousseau, que nega que a tecnologia tenha libertado o ser humano, argumentando que ela criou valores falsos que corromperam as virtudes. Em seu segundo livro, Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens (1754), ele expõe a hipótese do estado natural, onde o homem é livre. Desenvolve a tese do "bom selvagem", que vive feliz em harmonia com suas necessidades reais, em contraste com a corrupção do homem civilizado. A sociedade surge da necessidade de cooperação, mas a divisão do trabalho e a propriedade privada consolidam os males sociais.
Contexto Sociocultural e Histórico de Ortega y Gasset
Na Espanha, o contexto histórico foi marcado por eventos traumáticos:
- Perda das colônias (Cuba e Filipinas) em 1898;
- Ditadura de Primo de Rivera (1923-1930);
- Segunda República (1931-1936);
- Guerra Civil Espanhola (1936-1939);
- Ditadura de Francisco Franco (1939-1975).
Culturalmente, a Espanha enfrentava atraso industrial, alto analfabetismo e o "sentimento de fracasso" do desastre de 98. Surgiram três gerações de intelectuais: a Geração de 98, a Geração de 14 (à qual pertence Ortega) e a Geração de 27. Ortega defendeu a "europeização" da Espanha e a renovação cultural através do pensamento europeu.
Influências Filosóficas e Pensamento de Ortega
As influências de Ortega incluem:
- Filósofos alemães (P. Natorp e H. Cohen);
- Fenomenologia de Husserl;
- Existencialismo de M. Heidegger;
- Filosofia vitalista de Nietzsche.
Para Ortega, a realidade última não é o mundo cósmico nem o pensamento puro, mas a coexistência do eu e do mundo, ou seja, a vida. A vida é percebida como destino, liberdade e projeto. O conceito de circunstância resume as realidades que cercam o homem.
Quanto ao conhecimento, Ortega contrapõe o racionalismo abstrato com o seu perspectivismo. A verdade não é única e imutável, mas uma visão da vida que se revela a partir de cada perspectiva individual, sendo esta a única forma de capturar a realidade.