Saúde Integral: Psicossomática, Qualidade de Vida e Psicomotricidade
Classificado em Psicologia e Sociologia
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Doenças Psicossomáticas
A Psicossomática é um modo de entendimento do ser humano em toda a sua integralidade, sem separação mente/corpo. Busca compreender a subjetividade da pessoa, sua história de vida. Compreende o ser humano de forma integral, pois não existe separação ideal entre mente e corpo, que transitam nos contextos sociais, familiares, profissionais e relacionais.
A dor psicossomática é tratada por uma equipe multiprofissional, considerando as emoções dos pacientes e suas implicações na recuperação fisioterapêutica.
Breve História da Psicossomática
A Psicossomática, nas primeiras décadas do século XX, teve como marco em 1939 a fundação da American Psychosomatic Society. Elaborada por Johann Christian August Heinroth (1773-1843), evoluiu com contribuições pré-psicanalíticas de Jean-Martin Charcot (1825-1893) e Josef Breuer (1842-1925).
A compreensão multidisciplinar, com o sociólogo Talcott Parsons (1902-1979) em 1951, destacou a “vantagem que o indivíduo obtém quando adoece e desempenha o papel do doente”. Estudos behavioristas com humanos e animais resultaram na medicina comportamental.
Perspectivas e Patologias Psicossomáticas
A hipocondria e a pseudociese têm origem psíquica, assim como as neuroses vegetativas ou orgânicas, que são respostas fisiológicas exageradas que acompanham os estados de tensão emocional.
Todo sintoma pode ser psicossomático e um meio para que o processo de autoconhecimento possa acontecer.
Segundo Mello Filho (2005), a expressão "doença psicossomática" foi utilizada inicialmente para se referir apenas a certas doenças, como a úlcera péptica, asma brônquica, hipertensão arterial e colite ulcerativa, onde as correlações psicofísicas eram muito nítidas. Posteriormente, percebeu-se que tal concepção é potencialmente válida para todas as doenças.
Patologias com Fatores Emocionais ou Psicológicos
- Artrite
- Asma
- Rinite
- Enxaqueca
- Gastrite
- Úlcera péptica
- Obstipação / Colite ulcerosa
- Impotência e outras disfunções sexuais
- Hipertensão arterial
- Fibromialgia
A Psicossomática acaba sendo a melhor explicação para patologias nas quais não se consegue definir e provar cientificamente outra causa. Os fatores envolvidos incluem:
- Qualidade de vida (QV)
- Herança genética
- Fatores psicoafetivos
Qualidade de Vida
Qualidade de vida envolve o bem-estar físico, mental, psicológico e emocional, relacionamentos sociais (como família e amigos), saúde, educação e outras circunstâncias da vida.
A Organização Mundial da Saúde desenvolveu um questionário composto por seis domínios:
- O físico
- O psicológico
- O nível de independência
- As relações sociais
- O meio ambiente
- Os aspectos religiosos
O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é um modo de medir a qualidade de vida nos países, comparando riqueza, alfabetização, educação, esperança média de vida, natalidade e outros fatores. É uma maneira de avaliação e medida do bem-estar de uma população.
Para J.K. Galbraith, a qualidade de vida difere das prioridades e efeitos dos objetivos econômicos de tipo quantitativo. As metas político-econômicas e sociais não deveriam ser perspetivadas tanto em termos de crescimento econômico quantitativo e de crescimento material do nível de vida, mas sim de melhoria em termos qualitativos das condições de vida dos indivíduos.
Saúde e qualidade de vida são dois temas muito relacionados. No entanto, não significam apenas saúde física e mental, mas sim que as pessoas estejam bem consigo mesmas, com a vida, com as pessoas que as cercam. Enfim, ter qualidade de vida é estar em equilíbrio.
Qualidade de vida é diferente de padrão de vida, e muitas pessoas confundem os termos. Padrão de vida é uma medida que quantifica a qualidade e quantidade de bens e serviços disponíveis.
História da Psicomotricidade
A psicomotricidade significa um entrelaçamento entre o movimento e o pensamento. Foi trazida ao Brasil no início dos anos 70, desenvolvida com a finalidade de recuperar a imagem corporal dos mutilados de guerra.
Está baseada na interdependência entre o desenvolvimento cognitivo e motor, e cita as principais estruturas psicomotoras: coordenação motora, equilíbrio, lateralidade, organização espaço-temporal e esquema corporal, buscando integrar o ser humano e o espaço, corpo e alma.
Em 1970, a Psicomotricidade se voltava para a 'Reeducação' e 'Educação' Psicomotora.
Em 1980, é fundada a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade.
Conceito de Psicomotricidade
É a ciência que tem como objeto de estudo o ser humano através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos:
- O movimento
- O intelecto
- O afeto
É um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito, cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.” (Sociedade Brasileira de Psicomotricidade)
A Psicomotricidade baseia-se em uma concepção unificada da pessoa, que inclui as interações cognitivas, sensoriomotoras e psíquicas na compreensão das capacidades de ser e de expressar-se, a partir do movimento, em um contexto psicossocial.
A psicomotricidade pode também ser definida como o campo transdisciplinar que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistêmicas entre o psiquismo e a motricidade.
Baseada numa visão holística do ser humano, a psicomotricidade encara de forma integrada as funções cognitivas, socioemocionais, simbólicas, psicolinguísticas e motoras, promovendo a capacidade de ser e agir num contexto psicossocial. A psicomotricidade possui as seguintes linhas de atuação:
- Educativa
- Reeducativa
- Terapêutica
- Relacional
- Aquática
- Ramain
Objetivos da Psicomotricidade
Os objetivos incluem:
- Melhorar os movimentos do corpo
- A noção do espaço onde o indivíduo está
- A coordenação motora
- O equilíbrio e o ritmo
Os objetivos do tratamento são alcançados através de brincadeiras como correr, brincar com bolas, bonecas, jogos, etc. Através da brincadeira, o terapeuta observa o funcionamento emocional e motor do indivíduo e utiliza outras brincadeiras para corrigir as alterações em nível mental, emocional ou físico.
Visa facilitar a interação entre a motricidade, a afetividade e a mente, pois acredita-se que o desenvolvimento motor normal está diretamente relacionado com esses três fatores, que devem ser observados durante a abordagem psicomotora.
A interação entre a fisioterapia e a psicomotricidade pode tornar o tratamento fisioterapêutico mais eficaz e significativo, tanto para o paciente quanto para o fisioterapeuta.