Seleção de Genitores e Métodos de Melhoramento
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Comportamento intrínseco dos genitores
Genótipos com alto desempenho tendem a gerar progênies com alto desempenho quando a variância aditiva predomina. Em casos de predomínio da variância aditiva, observa-se maior resposta à seleção.
Termos e capacidades de combinação
Top cross (cruzamento de linhagem com um testador em comum).
Capacidade geral de combinação (CGC): habilidade de produzir progênie com determinado desempenho ao ser cruzado com vários genitores.
Capacidade específica de combinação (CEC): desempenho de uma combinação específica entre dois genitores.
Heterose e modelo de fenótipo
Heterose — descendentes com maior vigor que os parentais. Modelo: P = G + E = μ + A + D + E, onde o termo de dominância (D) pode explicar heterose, mas seu desvio não pode ser explorado por seleção direcional na população de base; a hibridização é importante para explorar heterose.
Melhoramento de plantas autógamas
Objetivo: obter indivíduos homozigotos após sucessivas autofecundações. Métodos de condução da população segregante:
- Método Populacional (Massal ou Bulk)
- Método Genealógico (Pedigree)
- Método Descendente de uma Única Semente (Single Seed Descent - SSD)
- Método dos Retrocruzamentos
Método massal (bulk)
Procedimento: escolha dos genitores, obtenção da F1, plantio da F2 sem seleção artificial (apenas seleção natural), colheita da F2 em bulk, amostragem para produzir F3, repetindo até atingir o nível desejado de homozigose. Na geração anterior à última, realiza-se plantio mais espaçado, colheita individual de plantas selecionadas e cada planta selecionada originará uma fileira na geração seguinte. Fileiras promissoras e uniformes seguem para ensaio preliminar de linhagens em uma localidade.
Vantagens do método massal
- Economia de mão de obra na condução da população segregante.
- Possibilidade de conduzir grande número de populações com facilidade.
- Aumento da proporção de indivíduos mais adaptados e competitivos.
- Aproveitamento máximo da seleção natural.
Desvantagens do método massal
- Inadequado para espécies cujo produto comercial não são as sementes.
- Impossibilita o uso de casas de vegetação e a condução de mais de uma geração por ano.
- Não permite o uso da população para estudos de herança.
- Risco de perda de genótipos desejáveis que apresentam baixa capacidade de competição.
Método genealógico (Pedigree)
Pedigree — seleção com teste de progênie (baseada no genótipo) e conhecimento da genealogia dos indivíduos selecionados. Maximiza a eficiência da seleção e pode ser aplicado também às espécies alógamas; é muito utilizado para obtenção de linhagens endogâmicas em milho.
Vantagens do método pedigree
- Permite controle do grau de parentesco entre as seleções.
- Permite o descarte de indivíduos inferiores em gerações precoces.
- Permite a utilização de dados obtidos em estudos genéticos.
- Possibilita o treinamento de melhoristas.
Desvantagens do método pedigree
- Só permite a condução de uma geração por ano (em muitos sistemas).
- Exige elevada demanda de mão de obra especializada e campo experimental.
- Requer pessoal qualificado para seleção.
Método descendente de única semente (Single Seed Descent - SSD)
Princípio: aproveitamento da variabilidade da geração F2 nas gerações mais avançadas, com máxima amostragem na fase de homozigose. Avança rapidamente para homozigose e não exige registro detalhado das genealogias.
Vantagens do SSD
- Fornece máxima variância genética entre linhas na população final.
- Atige rapidamente o nível desejado de homozigose; permite avanço rápido de gerações.
- É de fácil condução e não exige registro das genealogias.
- Pode ser conduzido fora da região de adaptação, inclusive em casas de vegetação.
- Requer pequena demanda de área e mão de obra.
Desvantagens do SSD
- Apresenta pouca oportunidade de seleção nas gerações precoces.
- Algumas plantas F2 podem não ter descendentes representados na população final.
- Não se beneficia da seleção natural quando esta seria favorável.
Procedimentos práticos e ensaios
Fases gerais: escolha e cruzamento dos genitores; plantio da F1 e da F2; F3 a F plantadas em linhas; seleção para caracteres qualitativos; registro preciso das genealogias (no pedigree); ensaio intermediário de linhagem; ensaio final de linhagens; avaliação de valor de cultivo e uso; e distribuição do novo cultivar.
Recomendações para adaptação de genótipos exóticos
Recomendado para adaptação de genótipos exóticos: permite economia de mão de obra na condução da população segregante, possibilita condução de grande número de populações e aumenta a proporção de indivíduos adaptados e competitivos.
Hibridação: objetivos e controle
Objetivos do controle da hibridação no MGV:
- Evitar polinização cruzada que gere híbridos indesejáveis.
- Evitar autopolinização quando não desejada.
- Garantir a reprodução conforme as necessidades do programa.
- Unir características desejáveis em um só genótipo.
Outros objetivos: transferir genes de um genótipo para outro, aproveitar heterose e realizar cruzamentos complexos quando necessário.
Cruzamentos complexos e número de cruzamentos
Cruzamentos complexos envolvem mais de quatro genitores e são de uso restrito; há maior probabilidade de ocorrer heterozigose. Pontos a considerar na escolha dos progenitores:
- Quais variedades ou linhagens incluir no bloco de cruzamentos?
- Em que combinações estas variedades ou linhagens devem ser cruzadas?
- Quantas polinizações devem ser realizadas em cada cruzamento?
Considerações finais sobre genitores
Genitores
Aumentar a capacidade de combinação pode envolver escolher genitores A ou B em que um dos genitores apresente elevada capacidade de combinação. Divergência genética avaliada com marcadores moleculares pode indicar maior potencial de heterose: quanto maior a divergência entre genitores, maior a probabilidade de heterose, embora isso não possa ser a única característica considerada. É necessário equilibrar divergência genética com bom desempenho e comportamento agronômico.