Sementes Transgênicas, Frutos e Hormônios Vegetais

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Sementes Transgênicas

O genoma da planta contém um pequeno fragmento do DNA de outro organismo. Exemplo: retirar um gene da soja e inserir no feijão.

Organismo Geneticamente Modificado (OGM): É um ser vivo que sofreu alguma mudança artificial em seu material genético, mediante manipulação da engenharia genética. Ocorrem mudanças na estrutura ou na função do próprio material genético do organismo.

Histórico e Regulamentação no Brasil

O uso de produtos geneticamente modificados no Brasil começou no início dos anos 90, quando agricultores do sul do país passaram a cultivar soja geneticamente modificada vinda da Argentina.

  • 1995: A comercialização do produto foi regulamentada.
  • 1998: A venda de OGM foi proibida devido a uma ação judicial realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).
  • 09/2003: Medida Provisória que autorizou o plantio de soja.
  • 2005: O governo assinou a Lei de Biossegurança (Lei 11.105), que estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam OGM.
  • 2003 e 2007: Início do plantio de algodão e milho, respectivamente.

Até o ano de 2010, a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, autorizou 8 cultivos comerciais: soja, milho, algodão e 3 referentes a vacinas (engenharia genética). O país tem a aprovação de 27 espécies geneticamente modificadas liberadas. A produção de feijão transgênico foi liberada em 2011, mas não chegou a ser produzido comercialmente.

Rotulagem: Era necessário o rótulo da transgenia quando os alimentos tinham acima de 1% da sua composição final (Projeto de Lei 4148/2008).

Características e Impactos na Produção

A característica principal da primeira geração de sementes geneticamente modificadas era a resistência a herbicidas e a insetos, visando maiores vantagens aos produtores. Um gene de uma bactéria resistente ao herbicida Roundup é inserido no genoma de uma semente de soja.

  • Soja R-R: É o transgênico mais cultivado; a variedade mais usada pelos brasileiros é a R-R. O produto é aplicado na lavoura e as plantas invasoras morrem, enquanto os pés de soja permanecem intactos. A semente R-R e o agrotóxico Roundup (princípio ativo glifosato) são produzidos pela Monsanto.
  • Milho BT: O Brasil é o terceiro maior produtor de milho. O mais utilizado é o milho BT (Bacillus thuringiensis), que utiliza uma bactéria tóxica para várias espécies de lagartas que atacam as lavouras.

Somos o segundo maior semeador de transgênicos do mundo, perdendo apenas para os EUA. Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Dados da Anvisa revelam que a evolução da utilização de agrotóxicos foi de 93% no mundo, enquanto no Brasil foi de 190%.

Frutos Partenocárpicos

Fruto: É o órgão da planta resultante do desenvolvimento do ovário após a fecundação.

Fruta: Designação genérica de frutos adocicados, sumarentos e comestíveis, como o mamão e o abacaxi. Frutos como a abobrinha e o tomate são designados como legumes.

Pseudofruto: Denominação para estruturas que se desenvolvem de outra parte da flor que não o ovário. Podem ser oriundos de mais de uma flor, como a jaca, amora e figo.

Partenocarpia e Estenoespermocarpia

  • Partenocarpia: Fruto obtido sem que o óvulo seja fecundado (fruto sem semente). Exemplo: banana. Os pontos escuros na banana são os óvulos não fecundados.
  • Estenoespermocarpia: Ocorre a fecundação, mas os embriões são abortados. Exemplo: uvas sem sementes desenvolvidas pela Embrapa (BRS Morena, BRS Clara e BRS Linda), lançadas em 2003.

Hormônios Vegetais

Compostos orgânicos produzidos pelas plantas que desempenham funções fundamentais no seu crescimento e desenvolvimento. Os principais são: auxinas, citocininas, giberelinas, etileno e ácido abscísico.

Principais Hormônios e Funções

  • Auxina (AIA): Ocorre em órgãos de crescimento ativo (meristemas apicais, folhas jovens e frutos). Atua no alongamento celular, tropismos, dominância apical, formação de raízes e desenvolvimento de frutos. Artificialmente, produz frutos partenocárpicos (uvas, melancias e tomates sem sementes).
  • Citocininas: Atuam em regiões de intensa divisão celular (raízes, frutos e embriões). Estimulam a citocinese, retardam o envelhecimento e atuam com as auxinas no controle da diferenciação de tecidos (calos).
  • Giberelinas: Produzidas em folhas jovens, sementes e frutos. Promovem o crescimento do caule, germinação de sementes (degradação de reservas), floração e formação de frutos partenocárpicos.
  • Etileno: Hormônio gasoso que estimula o amadurecimento dos frutos e a abscisão foliar. Sua síntese aumenta em células danificadas.
  • Ácido Abscísico: Relacionado à indução da dormência de sementes e ao aumento dos níveis antes da abscisão de frutos.

Aplicações Práticas e Biotecnologia

Auxinas e giberelinas sintéticas são pulverizadas para provocar floração simultânea em abacaxis, evitar a queda de laranjas e aumentar o tempo de armazenamento de batatas. Na cultura de tecidos, o uso de auxinas e citocininas permite a produção de grandes massas de tecidos (calos) de maçã, pera e cenoura. Além disso, hormônios como o 2,4-D são utilizados como herbicidas seletivos, eliminando ervas daninhas de folhas largas sem afetar gramíneas como arroz e trigo.

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