Síntese da Crítica de Nietzsche à Metafísica e à Moral

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O homem procura a verdade no outro mundo (no mundo de Deus), uma vez que considera falsas todas as coisas que parecem vir dos sentidos e do mundo físico. Nietzsche justifica a divisão da realidade em dois mundos pela necessidade e impossibilidade dos filósofos dogmáticos de explicarem racionalmente o mundo sensível, dada a sua constante evolução. Isto leva à invenção de uma outra vida diferente; no entanto, para Nietzsche, não há nenhuma outra realidade ou vida que valha mais do que esta.

Nietzsche, em um nível crítico do racionalismo epistemológico, questiona os conceitos que constituem a melhor maneira de conhecer a realidade, pois estes não são tomados como uma interpretação, mas como a própria realidade. Nietzsche diz que eles são "múmias conceituais" que o homem utiliza para definir uma realidade em constante mudança, comparando-os a teias de aranha, cujas pretensões de abranger tudo são tão genéricas que se tornam vazias. Segundo o autor, o desenvolvimento do conceito é um hábito psicológico baseado na linguagem, estruturado em torno de um sujeito e um predicado; portanto, predomina o estatismo (sujeito) contra a ação (predicado). Contra o racionalismo, Nietzsche propõe os conceitos de arte e metáfora para representar a realidade, oferecendo múltiplas perspectivas flexíveis. Nessa representação, Nietzsche refere-se à exaltação da arte dionisíaca da vida, em vez da arte apolínea, que tenta fixar a realidade.

Síntese Teórica de Nietzsche

A filosofia de Nietzsche é uma crítica radical de toda a cultura e dos valores ocidentais, oferecendo uma celebração da vida como alternativa à tradição. Esta crítica segue três linhas principais: a crítica da moral, a crítica da metafísica tradicional e a crítica da ciência positivista.

Em primeiro lugar, Nietzsche critica a moral, que ele afirma ser baseada no platonismo, com a distinção entre mundo inteligível e mundo sensível — esquema repetido no cristianismo. O autor refere-se à moral como "não natural", ou seja, uma moral que se opõe à vida e se concentra em uma vida após a morte com um Deus salvador. É por isso que Nietzsche critica a imposição de normas e metas morais que se sobrepõem aos instintos vitais do homem (paixões, sentimentos, etc.), forçando-o a suportar esta vida à espera de algo melhor no outro mundo. Portanto, segundo Nietzsche, a moralidade imposta como norma de conduta é um sintoma de niilismo e decadência. Com base nisso, ele afirma: "Se Deus é o maior obstáculo para a vida, então você tem que negar a Deus."

Em segundo lugar, Nietzsche faz uma crítica à metafísica tradicional, tanto no sentido ontológico quanto epistemológico. Na crítica ontológica da concepção metafísica da realidade oferecida ao longo da história, observa-se um desprezo e uma visão negativa do mundo sensível em favor de uma superestimação do mundo inteligível, com a ontologia tradicional sendo concebida como fixa e imutável (Deus).

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