Sistemas de Arquivos: FAT, NTFS e EXT3/EXT2
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O que é um Sistema de Arquivos?
Não é possível gravar dados em um HD ou em um disquete sem um sistema de arquivos, que é, basicamente, uma estrutura que indica como os arquivos devem ser gravados e guardados em mídias. Através do sistema de arquivos, é que se determina o espaço utilizado no disco, além de ser o método que permite gerenciar como partes de um arquivo podem ficar "espalhadas" no dispositivo de armazenamento. Um outro detalhe importante: é o sistema de arquivos que determina como arquivos podem ser gravados, copiados, alterados, nomeados e até apagados. Toda manipulação de dados em uma mídia necessita de um sistema de arquivos para que essas ações sejam possíveis. Se não houver estrutura de armazenamento e manipulação, é impossível gravar dados.
Sistemas de Arquivos FAT16, FAT32 e VFAT
O Sistema de Arquivos FAT (ou FAT16)
File Allocation Table - Tabela de Alocação de Arquivos
O primeiro FAT surgiu em 1977, para funcionar com a primeira versão do DOS. É um sistema que funciona através de uma espécie de tabela que contém indicações para onde estão as informações de cada arquivo. Quando um arquivo é salvo em um disquete, por exemplo, o FAT divide a área do disco em pequenos blocos. Assim, um arquivo pode (e ocupa) vários blocos, mas eles não precisam estar em sequência. Os blocos de determinados arquivos podem estar em várias posições diferentes. Daí a necessidade de uma tabela para indicar cada bloco.
Com o surgimento de dispositivos de armazenamento com mais capacidade e mais sofisticados, o sistema FAT foi ganhando alterações (identificadas pelos nomes FAT12 e FAT16). Isso foi necessário porque o FAT era limitado a determinada capacidade de armazenamento. Por exemplo, ele só operava com tamanho máximo de 2 GB. Assim, em um disco de 5 GB, seria necessário dividi-lo em 3 partições. E o FAT ainda apresentava problemas com informações acima de 512 MB.
Diante de tantos problemas, em 1996, a Microsoft lançou um novo FAT: o FAT32, que é compatível com os Windows 9x/Me/2000 e XP (apesar destes dois últimos terem um sistema de arquivos mais avançado, o NTFS).
Funcionamento do Sistema FAT
Ao trabalharmos com HDs (e disquetes) é necessário prepará-los, fazendo uma formatação física. Este processo divide os discos em trilhas (uma espécie de caminho circular) e setores (subdivisões de cada trilha, com geralmente 512 bytes). Um conjunto de trilhas recebe o nome de cilindro.
A formatação física já vem de fábrica e pode ser alterada se o usuário quiser dividir o disco em partições. Depois deve-se fazer uma formatação lógica, que nada mais é do que "instalar" o sistema de arquivos no dispositivo de armazenamento.
O sistema de arquivos FAT não trabalha diretamente com cada setor, mas sim com um grupo de setores. Esse grupo é chamado de cluster (ou unidade de alocação).
Tamanho de Cluster e Desperdício
O sistema FAT exige que cada cluster do disco seja usado somente para um único arquivo, ou seja, num mesmo cluster, não pode haver informações sobre mais de um arquivo. Isso pode até parecer óbvio, mas gera um problema: desperdício.
Para mostrar isso, vamos supor que desejamos guardar em um disquete um arquivo de 5 KB. Imaginemos que este disquete tenha 8 KB de espaço e dois clusters de 4 KB. Um cluster ocuparia 4 KB do arquivo, enquanto o outro cluster ocuparia apenas 1 KB. Como o cluster só pode trabalhar com um arquivo, haveria desperdício de 3 KB. Vamos imaginar agora que em vez de termos clusters com 4 KB, teremos clusters com 2 KB. Assim, 3 clusters seriam usados, sendo que um ainda apresentaria desperdício de 1 KB. No entanto, sobrou um cluster com 2 KB, que pode ser usado por outro arquivo.
Percebe-se com isso que o tamanho do cluster deve ser o máximo que o FAT consegue manipular. Aliás, a principal diferença entre FAT e FAT 32 é que este último consegue trabalhar com um número maior de clusters.
Diferenças entre FAT16 e FAT32
- FAT 16: Adota 16 bits para endereçar dados. Armazenamento máximo de 65526 clusters. Limitação no número de entradas que podiam ser alocadas no diretório principal. Suporta nome de arquivos 8 caracteres.
- FAT 32: Adota 32 bits para endereçar dados. O tamanho dos clusters é determinado através da relação entre os comandos FDISK e FORMAT. Sistema também consegue posicionar o diretório principal em qualquer lugar do disco. Suporta nome de arquivos longos com até 256 caracteres.
O sistema FAT (ou FAT16) consegue trabalhar com 65536 clusters. Esse número é obtido elevando o número 2 a 16 (daí a terminologia FAT16). Mas, na verdade, o sistema FAT16 usa apenas 65525 clusters por disco (ou partição). O limite máximo de tamanho para uma partição em FAT16 é de 2 GB.
Já no caso do sistema de arquivos FAT32, o tamanho máximo da partição é de 2 TB. As diferenças entre FAT (ou FAT16) e FAT32 não param por aí. O FAT32 também é mais confiável. É possível manipular o tamanho dos clusters de uma partição FAT32, no intuito de melhorar o desempenho do mesmo.
VFAT (Virtual File Allocation Table)
Trata-se de um sistema introduzido no Windows 95. Ele possui as mesmas características do sistema FAT, mas pode suportar nome de arquivos longos. O sistema de arquivos FAT só trabalha com nomes no estilo 8.3 (8 caracteres para o nome e 3 para a extensão, como "palavras.txt"). Com o VFAT, é possível ter nomes de arquivos com até 256 caracteres mais 3 para a extensão. O sistema FAT32 herdou todas as características do VFAT.
NTFS (New Technology File System)
NTFS vs. FAT: Desempenho e Segurança
FAT é mais rápido que o sistema NTFS? Por que?
Vale lembrar que o NTFS é mais lento que o FAT e mais pesado por causa dos recursos que o NTFS oferece, o que pode tornar seu desempenho um pouco mais lento. Mas, em termos de segurança, é efetivamente recomendável o uso desse sistema, pois ele pode cobrir algumas vulnerabilidades no sistema.
Fale com suas palavras sobre o Sistema de Arquivos NTFS?
O sistema de arquivos NTFS é um sistema padrão para o Windows NT e seus sucessores. Foi desenvolvido para suprir as deficiências do sistema FAT, principalmente na parte de segurança e aumento do tamanho das partições, que antes eram apenas de 4GB.
O NTFS não trabalha com o conceito de clusters; ele opera diretamente com os setores do disco rígido, que são de 512 Bytes, e, com isso, o desperdício é praticamente nulo.
A solução para acabar com esse espaço desperdiçado (no FAT) é mudar o sistema de arquivos de seu disco para FAT-32 (no caso do Windows 95 OSR2 e Windows 98), NTFS (no caso do Windows NT) ou HPFS (no caso do OS/2, onde o HPFS tem funcionamento parecido com o NTFS). Quem for instalar o Windows da geração do NT, seria recomendado o NTFS, onde a queda de desempenho é razoável, mas garante estabilidade e segurança.
Recursos do NTFS
- Pontos de Montagem de Volumes (Volume Mount Points): Permite montar um volume para um diretório vazio em um volume NTFS.
- Removable Storage: Arquivos que são infrequente acessados são automaticamente arquivados para uma mídia removível quando esta função está habilitada.
- Links Simbólicos: Esta função tenta imitar o que ocorre no Unix. Um atalho é criado que aponta para outro arquivo no disco.
- Pontos de Junção (Junction Points): O conceito é o mesmo dos links simbólicos, mas este se refere a diretórios em vez de arquivos.
A estrutura central do NTFS é a Mestra de Arquivos (MFT - Master File Table).
Cotas de Disco no NTFS
Uma das novidades do NTFS 5 foi justamente a de cotas de disco, descreva como é utilizado estas cotas?
Administradores podem determinar quanto do espaço em disco está sendo usado pelos usuários ou grupos de usuários, e até limitar o uso do espaço em disco se necessário.
Metadados e Permissões NTFS
O que são arquivos Metadados?
São arquivos contendo informações sobre o volume em si. São criados automaticamente na formatação e armazenados no começo do volume.
Qual dos Sistemas de Arquivos é mais seguro: FAT ou NTFS? Por quê?
Sistema NTFS, porque os arquivos do FAT podem ser lidos ou escritos por qualquer utilizador (e não apenas por utilizadores autorizados, como no EXT2, EXT3 ou NTFS).
Permissão NTFS para um arquivo tem prioridade sobre permissões NTFS sobre pastas? SIM, DEVIDO A PERMISSÃO PARA ARQUIVO TER PRIORIDADE SOBRE PERMISSÃO A PASTAS.
Negar uma permissão tem prioridade sobre permitir? SIM, POIS NEGAR TEM PRIORIDADE SOBRE PERMITIR.
O que são permissões?
É a forma de permitir ou negar acesso a um usuário da rede a uma pasta ou arquivo, isto usando as permissões NTFS.
O que é DACL?
A Lista de Controle de Acesso Discricional (DACL) em um objeto de kernel determina quais usuários podem acessar o objeto. Esta lista contém um número de Entradas de Controle de Acesso (ACEs) que pode conceder ou negar a um usuário ou grupo acesso ao objeto. Em vez de explicitamente construir uma DACL de um objeto, é uma prática comum criar o objeto usando a DACL padrão para o processo. Normalmente, isso permitirá que somente o criador e o sistema obtenham acesso ao objeto.
O que são Recursos de Rede?
São os dispositivos da rede, tais como switch, roteadores etc.
Sistemas de Arquivos EXT2 e EXT3
EXT2
Como funciona o sistema de arquivo EXT2?
EXT2 é um sistema similar a FAT32 do Windows. Os arquivos são organizados de uma forma simples, com o HD dividido em vários clusters (que no EXT2 chamamos de blocos), onde cada cluster armazena um arquivo ou um fragmento de arquivo. Um índice no início do HD guarda uma tabela com os endereços de cada arquivo no HD (superbloco).
O que é Super-Bloco?
Nele estão armazenadas as informações relativas ao tamanho e ao formato do sistema de arquivos. Uma cópia primária do superbloco é armazenada em 1024 bytes a partir do início do disco, e isto é para a montagem do sistema de arquivos. As informações do superbloco são tão importantes que são armazenadas em grupos de blocos ao longo do sistema de arquivos. As informações de um superbloco possuem campos com o total de inodes e blocos em um sistema de arquivos, quantos estão livres, quantos inodes e blocos estão em um grupo de blocos, quando o sistema de arquivos foi montado (e se foi desmontado corretamente), quando foi modificado, qual a versão do sistema de arquivos e qual Sistema Operacional em que o sistema de arquivos foi criado. Se for a primeira vez o sistema de arquivos está sendo revidado, ou se já foi outras vezes, então são criados campos extras como um nome de volume, um número único de identificação, tamanho do inode e um espaço opcional para o armazenamento de informações de configuração das características do sistema de arquivos. Todos os campos em um superbloco são armazenados no disco em formato little-endian (forma de organização dos bytes em uma palavra de memória), facilitando a portabilidade do sistema de arquivos para outra máquina.
O que é Inode?
O Inode ou index node armazena informações sobre um arquivo, tais como o dono, permissões e sua localização. Um arquivo é descrito por um nó-i (inode ou index node). O nó-i é uma estrutura de dados com tamanho padrão de 128 bytes. Alguns parâmetros são obrigatórios (ou essenciais), como as permissões, o tamanho do arquivo e o endereçamento dos blocos alocados. Outros, embora úteis e quase sempre definidos, são opcionais, como o UID, GID, rótulos de tempo.
Os blocos são agrupados formando os grupos de blocos que reduzirão a fragmentação, e as informações sobre cada grupo de bloco é mantida em uma tabela armazenada no bloco imediatamente após o superbloco.
EXT3
Fale sobre o sistema de arquivos EXT3?
Este sistema mantém um relatório de todas as operações realizadas. No caso de falhas, como no exemplo de um travamento enquanto o sistema está montando, as últimas entradas do relatório são consultadas para a verificação do ponto em que houve a interrupção, e o problema é corrigido automaticamente em poucos segundos.
O que é, e quais são os tipos de Journaling utilizados nos sistemas EXT3?
Um sistema de arquivos com journaling dá permissão ao Sistema Operacional de manter um log (journal) de todas as mudanças no sistema de arquivos antes de escrever os dados no disco. Normalmente este log é um log circular alocado em uma área especial do sistema de arquivos.
- Journal: Grava todas as mudanças em sistema de arquivos, é o mais lento dos três modos, mas é o que possui maior capacidade de evitar perda de dados.
- Ordered: Grava somente mudanças em arquivos metadata (informações sobre outros arquivos) e guarda as informações dos arquivos de dados antes de fazer as mudanças.
- Writeback: Grava apenas as mudanças para o sistema de arquivo em metadata, porém utiliza o processo de escrita do sistema de arquivos em uso para gravação.
Quais as vantagens do sistema EXT3?
Facilidade na recuperação de dados, e consegue aplicar as políticas de segurança no acesso aos arquivos devido à alocação dinâmica dos Inodes.
O EXT3 possui três modos de operação:
- No modo ordered (o default), o journal é atualizado no final de cada operação. Isto faz com que exista uma pequena perda de desempenho, já que a cabeça de leitura do HD precisa realizar duas operações de gravação, uma no arquivo que foi alterada e outra no journal (que também é um arquivo, embora especialmente formatado) ao invés de apenas uma.
- No modo writeback o journal armazena apenas informações referentes à estrutura do sistema de arquivos (metadata) e não em relação aos arquivos propriamente ditos, e é gravado de forma mais ocasional, aproveitando os momentos de inatividade. Este modo é o mais rápido, mas em compensação oferece uma segurança muito menor contra perda e corrompimento de arquivos causados pelos desligamentos incorretos.
- Finalmente, temos o modo journal, que é o mais seguro, porém mais lento. Nele, o journal armazena não apenas informações sobre as alterações, mas também uma cópia de segurança de todos os arquivos modificados, que ainda não foram gravados no disco. A cada alteração, o sistema grava uma cópia do arquivo (no journal), atualiza as informações referentes à estrutura do sistema de arquivos, grava o arquivo e atualiza novamente o journal, marcando a operação como concluída. Como disse, isso garante uma segurança muito grande contra perda de dados, mas em compensação reduz o desempenho drasticamente. Justamente por causa disso, este é o modo menos usado.
Para usar o modo writeback ou o modo journal, você deve adicionar a opção "data=writeback", ou "data=journal" nas opções referentes à partição, dentro do arquivo "/etc/fstab".
O EXT3 (assim como o EXT2) utiliza endereços de 32 bits e blocos (análogos aos clusters usados no sistema FAT) de até 8 KB. Tanto o tamanho máximo da partição, quanto o tamanho máximo dos arquivos são determinados pelo tamanho dos blocos, que pode ser escolhido durante a formatação:
| Tamanho dos blocos | Tamanho máximo da partição | Tamanho máximo dos arquivos |
| 1 KB | 2 TB | 16 GB |
| 2 KB | 8 TB | 256 GB |
| 4 KB | 16 TB | 2 TB |
| 8 KB | 32 TB | 2 TB |
Uma observação é que, em versões antigas do Kernel, o limite para o tamanho máximo de arquivos no EXT2 já foi de 2 GB e em seguida de 16 GB, mas ambas as limitações caíram a partir do Kernel 2.6, chegando à tabela atual. Por padrão, o tamanho do bloco é determinado automaticamente, de acordo com o tamanho da partição, mas é possível forçar o valor desejado usando o parâmetro "-b" do comando mkfs.ext3 (usado para formatar as partições EXT3 no Linux), como em "mkfs.ext3 -b 2048 /dev/hda1" (cria blocos de 2 KB) ou "mkfs.ext3 -b 4096 /dev/hda1" (para blocos de 4 KB).
Assim como no caso do NTFS, usar clusters maiores resulta em mais espaço desperdiçado (sobretudo ao guardar uma grande quantidade de arquivos pequenos), mas, além do aumento no tamanho máximo dos arquivos e partições, resulta em um pequeno ganho de desempenho, já que reduz o processamento e o número de atualizações na estrutura do sistema de arquivos ao alterar os dados gravados.
Conceitos Gerais de Armazenamento e Backup
Introdução ao Armazenamento
Todos nós sabemos que dados - sejam eles partes de programas ou dados propriamente dito, como um texto ou uma planilha - devem ser armazenados em um sistema de memória de massa, já que a memória (RAM) do micro é apagada quando desligamos o computador. Memória de massa é o nome genérico para qualquer dispositivo capaz de armazenar dados para uso posterior, onde incluímos disquetes, discos rígidos, CD-ROMs, ZIP drives e toda a parafernália congênere. Dados são armazenados em forma de arquivos e a maneira com que os arquivos são armazenados e manipulados dentro de um disco (ou melhor dizendo, dentro de um sistema de memória de massa) varia de acordo com o sistema operacional.
A Capacidade de Armazenamento
Na maioria das vezes, um disco é dividido em pequenas porções chamadas setores. Dentro de cada setor cabem 512 bytes de informação. Multiplicando-se o número total de setores de um disco por 512 bytes, teremos a sua capacidade de armazenamento.
No caso de um disco rígido, ele possui na verdade vários discos dentro dele. Cada face de cada disco é dividida em círculos concêntricos chamados cilindros ou trilhas. Em cada trilha temos um determinado número de setores. É claro que toda esta divisão é invisível, pois é feita magneticamente. Para sabermos qual o número total de setores de um disco rígido, basta multiplicarmos sua geometria, ou seja, o seu número de cilindros, lados (parâmetro também chamado de "cabeças") e setores por trilha. Um disco rígido que possua a geometria 2448 cilindros, 16 cabeças e 63 setores por trilha, terá $2448 \times 16 \times 63 = 2.467.584$ setores. Multiplicando-se o número total de setores por 512 bytes, teremos sua capacidade total, no caso 1.263.403.008 bytes.
Importante notar que 1 KB não representa 1.000 bytes, mas sim 1.024, assim como 1 MB não representa 1.000.000 de bytes, mas sim 1.048.576. Muita gente arredonda e acaba errando nas contas. Lembre-se: $1 \text{ KB} = 2^{10}$, $1 \text{ MB} = 2^{20}$ e $1 \text{ GB} = 2^{30}$. No exemplo dado, o disco rígido seria de 1,18 GB (basta dividir a capacidade que encontramos em bytes por $2^{30}$ para encontrarmos o resultado em gigabytes) e não 1,26 GB como seria de se supor.
O Sistema de Arquivos FAT-16 (Revisão)
O sistema de arquivos utilizado pelo MS-DOS chama-se FAT-16. Neste sistema existe uma Tabela de Alocação de Arquivos (File Allocation Table, FAT) que na verdade é um mapa de utilização do disco. A FAT mapeia a utilização do espaço do disco, ou seja, graças à ela o sistema operacional é capaz de saber onde exatamente no disco um determinado arquivo está armazenado. Existem várias posições na FAT, sendo que cada posição aponta a uma área do disco. Como cada posição na FAT-16 utiliza uma variável de 16 bits, podemos ter, no máximo, $2^{16} = 65.536$ posições na FAT. Como em cada setor cabem apenas 512 bytes, concluímos que, teoricamente, poderíamos ter discos somente de até $65.536 \times 512 \text{ bytes} = 33.554.432 \text{ bytes}$ ou 32 MB. Por este motivo, o sistema FAT-16 não trabalha com setores, mas sim com unidades de alocação chamadas clusters, que são conjuntos de setores. Em vez de cada posição da FAT apontar a um setor, cada posição aponta para um cluster, que é um conjunto de setores que poderá representar 1, 2, 4 ou mais setores do disco.
O tamanho do cluster é definido automaticamente pelo sistema operacional quando o disco é formatado, seguindo a tabela. Um disco rígido de 630 MB utilizará clusters de 16 KB, enquanto um de 1,7 GB utilizará clusters de 32 KB.
Desperdício: Um Grave Problema
Como a menor unidade a ser acessada pelo sistema operacional será o cluster, isto significa que os arquivos deverão ter, obrigatoriamente, tamanhos múltiplos do tamanho do cluster. Isto significa que um arquivo de 100 KB em um disco rígido que utilize clusters de 8 KB obrigatoriamente ocupará 13 clusters, ou 104 KB, pois este é o valor mais próximo de 100 KB que conseguimos chegar utilizando clusters de 8 KB. Neste caso, 4 KB serão desperdiçados. Quanto maior o tamanho do cluster, maior o desperdício. Se o mesmo arquivo de 100 KB for armazenado em um disco rígido que utilize clusters de 16 KB, ele obrigatoriamente utilizará 7 clusters, ou 112 KB. E, para o caso de um disco rígido com clusters de 32 KB, este mesmo arquivo ocupará 4 clusters, ou 128 KB. O desperdício em disco é um dos maiores problemas do sistema FAT, característica que chamamos de slack space. Quando maior o tamanho do cluster, mais espaço em disco é desperdiçado.
Backup
Backup pode ser definido simplesmente como uma cópia de dados de um computador, como servidores ou até mesmo desktops pessoais, a um dispositivo de armazenamento, para que possam ser restaurados, em caso de apagamentos acidentais ou corrupção de dados ou qualquer outro fator de risco que possa ocasionar a perda dos dados originais. Há vários meios, modos e tipos de backup, cada um com suas características, vantagens e desvantagens. A melhor opção varia de acordo com a quantidade de dados, a regularidade dos backups, o nível de confiabilidade necessária e quanto investir, ou seja, cada um tem que avaliar sua necessidade para não investir desnecessariamente ou em um projeto que não atenda a demanda da empresa.
Tipos de Backup
Os tipos de backup que poderão ser realizados não dependem das mídias que serão armazenadas, já que tratam da forma como os dados ficarão organizados no meio de armazenamento, sendo assim não fazendo a distinção entre backups armazenados em disco ou dispositivo removível. Os três principais tipos de backup são: completo, incremental e diferencial, podendo trabalhar em conjunto para aperfeiçoar o desempenho do processo ou para diminuir o espaço necessário para armazenar as cópias de segurança.
Completo (Full)
Um backup total copia todos os arquivos selecionados, marcando cada um deles como já tendo um backup, desmarcando o atributo de arquivo morto. Com backups normais, você só precisa da cópia mais recente do arquivo de backup para restaurar todos os arquivos. Por motivos de segurança é definido como padrão que o backup total seja executado quando você cria um conjunto de backup pela primeira vez, mesmo que você tenha feito uma configuração utilizando outros tipos de backups. Os pontos principais deste tipo é que os arquivos são mais fáceis de localizar, já que todos estão sempre contidos no último backup realizado, dando a possibilidade de ter os arquivos restaurados com apenas uma mídia de armazenamento. Porém pode se tornar demorado, pois o tamanho dos backups podem se tornar muito grandes. Se os arquivos forem alterados com pouca frequência, os backups serão quase idênticos.
Incremental
Neste tipo de backup só serão incluídos os arquivos modificados no sistema desde o último backup, full ou incremental, ou seja, somente os arquivos que receberem o atributo de arquivo modificado após o último backup. Uma característica é que este tipo deve sempre ser utilizado em conjunto com um backup completo. Este tipo de backup acaba se tornando mais rápido e ocupa um menor espaço para armazenamento, já que só serão feitas cópias de arquivos modificados mais recentemente em cada mídia, a partir do último backup. Sua restauração é mais lenta e complexa, devido ao fato que para conseguir realizar uma recuperação total dos arquivos, serão necessárias a mídia do backup completo, e as mídias do backup incremental, sendo restauradas em ordem cronológicas as suas criações, uma a uma até a mais recente.
Diferencial
Este tipo de backup inclui em suas cópias os arquivos que tenham sido alterados desde o último backup completo. Deste modo, os arquivos alterados recebem o atributo de arquivamento, porém após o backup diferencial, este atributo não é retirado, logo os arquivos alterados durante a segunda-feira serão salvos novamente na terça-feira, sendo alterados na terça ou não, por exemplo. Como o incremental, o seu uso também deve sempre ser utilizado em conjunto com o full backup. O primeiro backup diferencial do ciclo fica com as características equivalentes ao do backup incremental. Os subsequentes ficam parecidos com um backup completo. Os backups com o passar do tempo vão se tornando mais lentos e demorados, devido ao aumento do volume dos backups. Para a restauração completa do sistema são necessários apenas o backup total mais recente e o backup diferencial mais recente, tornando assim sua recuperação mais rápida e mais dinâmica que o incremental.
Modos de Backup
Os backups podem ser feitos de modo online ou dinâmico (hot backup), onde a cópia é realizada enquanto os dados estão disponíveis aos usuários, não sendo necessária uma interrupção no sistema e nem esperar que todas as máquinas parem de atualizar os arquivos. Este processo acaba ocasionando uma redução no desempenho do servidor de documentos e na rede, devido ao aumento de serviços sendo executados ao mesmo tempo. É arriscado devido ao fato de que se o documento estiver em uso, durante o backup, ele não será atualizado no arquivo de backup. Outro modo de ser feito o backup é off-line, que consiste em fazer a cópia somente quando os dados estiverem indisponíveis para os usuários, de modo que força interrupções no servidor para ficar inacessível para atualizações. Desta forma há um alto desempenho do servidor e da rede.
Mídias de Backup
Para não ter a segurança dos dispositivos de armazenamento e consequentemente dos dados comprometida, é interessante não estar no mesmo local físico dos dados originais. O ideal é que os dispositivos estejam localizados em local que obedeça às condições de segurança de acesso e de armazenamento e que permita, em caso emergencial, que esses recursos possam ser restaurados com maior facilidade e rapidez, de forma a ficar transparente para o usuário a perda dos dados.
Fitas
A fita é o mais tradicional meio de cópia de dados. Pode ser armazenada na própria empresa ou fora dela. Dentre os modelos de fitas de backup, pode-se destacar a fita DAT. Uma característica das fitas DAT, tanto nos modelos antigos quanto nos novos, é que possui uma compressão de hardware nativa opcional que dobra sua capacidade nominal de armazenamento. As unidades de backup tipo DAT são recomendadas para servidores com necessidade de armazenar grandes volumes de dados. O backup e a recuperação tradicionais baseados em fita não conseguem atender aos objetivos de tempo de recuperação críticos de hoje, pois exige períodos de backup longos que afetam diretamente a disponibilidade dos aplicativos em rede.
Discos
São os HDs, levam vantagem sobre as fitas com relação à velocidade de gravação e acesso aos dados, são rápidos na busca da informação e têm boa taxa de transferência de dados, hoje já é possível encontrar discos de até 1 TB. Há a possibilidade de se trabalhar com eles em RAID, no caso da tecnologia NAS, ou ainda em modo externo, HD externo, com case e saída USB ou Serial externo.
Mídias Ópticas
São todas as mídias que armazenam os dados por reflexão ou marcação. Entram nessa categoria os DVDs e CDs, como mídias de reflexão. As mídias que usam reflexão (CD-R, CD-RW e DVD-R), são classificadas em duas categorias diferentes: regraváveis e de gravação única. As principais vantagens da mídia óptica são durabilidade e imunidade a campos magnéticos. A desvantagem está no pouco espaço de armazenagem que pode chegar a 8,5 GB, o que não atenderia um servidor de arquivos, mas poderia servir para um usuário doméstico.