Sistemas de Parentesco: Nomenclaturas e Estruturas
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As Abreviações no Parentesco
Para além dos símbolos utilizados para construir os diagramas genealógicos, utiliza-se, por razões de operacionalidade, um sistema de abreviações ou de notação dos termos de parentesco. Pode dizer-se que o sistema de notação representa uma tentativa de criação de uma linguagem científica universal dos termos de parentesco.
A língua inglesa foi a primeira a fornecer os seus princípios, mas os franceses, para quem a notação em inglês se tornava difícil de utilizar, criaram igualmente termos convencionais para referir o campo de aplicação (o léxico parental de referência) das nomenclaturas do parentesco.
Assim, um sistema de parentesco, enquanto tal, é constituído no mínimo por cinco aspetos relativamente interdependentes:
- Nomenclatura ou terminologia do parentesco: um conjunto de termos de parentesco servindo cada um deles para designar individualmente os nossos parentes.
- Regras de aliança matrimonial: um dos elementos-chave da articulação entre parentesco e sociedade.
- Tipo de filiação: determina o modo pelo qual os indivíduos, através da descendência comum, ficam ligados uns aos outros ou a determinados grupos de filiação.
- Modelo de residência: que os cônjuges escolhem para viver.
- Herança e sucessão: pelas quais se faz a devolução dos bens e estatutos.
As Nomenclaturas de Parentesco
Como referido, uma nomenclatura de parentesco consiste no conjunto dos termos que uma determinada cultura utiliza para tratar ou referir as pessoas entre as quais existe uma relação de carácter parental.
O termo de parentesco indica simultaneamente a categoria do parente e o tipo de atitude que lhe está associado. Por outras palavras, determina o modelo de comportamento social de tipo parental a ter para com ele.
No estudo das nomenclaturas, o tipo de comportamento parental é verificável segundo três formas de classificação:
O modo de utilização
Do ponto de vista da utilização, os termos de parentesco têm dois modos de funcionalidade: o tratamento direto (ou de endereço) e o tratamento indireto (ou de referência).
- Tratamento direto ou de endereço: quando alguém se dirige pessoalmente ao parente interpelando-o pelo termo correspondente (ex.: avô, mãe, tio).
- Tratamento de referência ou indireto: quando o locutor fala de um determinado parente a terceiros (ex.: o meu avô, a minha prima).
Um termo de endereço faz parte integrante da conduta codificada que cada indivíduo deve ter para com os seus parentes. Esta conduta resulta da determinação do lugar que cada parente ocupa no sistema de parentesco.
Constata-se que os termos de referência têm um campo de aplicação mais preciso que os utilizados no tratamento direto.
A estrutura linguística dos termos
Do ponto de vista da estrutura linguística, os termos de parentesco podem apresentar-se segundo três ordens:
- Elementares: quando não podem ser decompostos em elementos lexicais dotados de significado parental (ex.: pai, mãe, primo).
- Derivados: quando são compostos por um termo elementar e outro elemento lexical sem significado parental (ex.: bis + avô = bisavô).
- Descritivos: quando não existe um termo específico e se conjugam dois ou mais termos elementares (ex.: irmão do pai para referir o tio).
O campo de aplicação
Segundo o campo de aplicação, os termos podem ser:
- Denotativos: indicam uma única categoria de parentes em função da geração, sexo e laço genealógico (ex.: pai, mãe, marido, esposa).
- Classificatórios: remetem para vários indivíduos pertencentes a mais de uma categoria de parentes, sem distinguir, em parte ou na totalidade, entre parentes em linha reta e colaterais (ex.: o termo "tio" para irmão do pai ou da mãe).
Morgan retirou conclusões de carácter distintivo e tendencioso entre as terminologias europeias e as das sociedades primitivas. As primeiras seriam descritivas (analíticas), enquanto as segundas seriam classificatórias. Contudo, na realidade, todas as nomenclaturas apresentam aspetos descritivos e classificatórios.