Trabalho Social com Grupos: Perspectivas e Teorias
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Indivíduos, Grupos e Redes: Perspectivas para o Trabalho Social com Grupos
1. Introdução
Adquirir competências básicas para integrar e mudar nosso comportamento e nosso meio ambiente ocorre através de um longo processo de socialização. Neste processo, o grupo tem um papel fundamental. Em situações de debilidade, falta ou ausência de adaptação, a dinâmica de grupo oferece uma oportunidade excelente para o tratamento, já que é precisamente através de tais grupos que se adquirem competências básicas para a inclusão social.
O Trabalho Social com grupos utiliza a experiência grupal como uma das principais fontes de mudança. As pessoas estão sempre em grupo: grupos primários (relações estáveis e primárias) e grupos de crianças (relações formais e impessoais). As características dos grupos evoluem, adquirindo novas nuances em termos de inovação tecnológica, globalização, individualização das relações e a emergência de novos modelos de Internet relacionados à interação social.
A perspectiva básica deste estudo enfatiza a dinâmica de grupo nos processos de inclusão social. O maior desafio para os cidadãos do século XXI, na perspectiva do Trabalho Social (TS) com grupos, é a forma de reforçar as nossas competências sociais e as nossas capacidades para resolver situações problemáticas em um mundo em mudança. Estamos em um constante processo de adaptação, com novas formas de comunicação virtual, enquanto as instituições tradicionais (família, mercado de trabalho, Welfare State...) transformam-se muito rápido.
O objetivo da nossa disciplina é lidar com situações de fraqueza e problemas da dinâmica de grupo como um mecanismo eficaz de formação que melhora as habilidades para resolver problemas, aprimora nossa capacidade de interagir e permite oferecer e encontrar apoio diante da insegurança social.
2. Perspectivas Teóricas sobre a Interação Social
Abordagens teóricas em ciências sociais, durante todo o século XX, afastaram-se, pouco a pouco, do esquema duplo (consenso contra conflito, debate do coletivismo versus individualismo, etc.). Houve um movimento geral que busca a integração e síntese, com o objetivo final de explicar os processos sociais e psicológicos que são resistentes a qualquer tipo de reducionismo teórico.
2.1. Estruturalismo e Funcionalismo
O estruturalismo, juntamente com o funcionalismo, tornou-se o paradigma teórico dominante nas décadas de cinquenta e sessenta.
O estruturalismo se concentra na noção de estrutura, entendida como um conjunto de sistemas. Os elementos da estrutura só podem ser entendidos em termos de suas conexões com outros elementos e da própria estrutura. As estruturas permitem a agência pessoal, mas também a limitam.
O objeto de qualquer das ciências sociais, incluindo o Trabalho Social com grupos, é isolar e descrever as estruturas que a sociedade utiliza para perceber, relacionar e interpretar suas experiências. O conjunto de todas estas estruturas é a cultura.
O funcionalismo tem como ponto de partida para sua análise a irredutibilidade da sociedade e das instituições sociais aos indivíduos. Analisa as tarefas relacionadas às condições de existência do sistema social e argumenta que, para sobreviver, qualquer sistema social deve cumprir certas funções ou necessidades (chamadas de "exigências funcionais universais").
Ao longo do século XX, o funcionalismo desempenhou um papel fundamental nas ciências sociais. A figura central deste movimento foi Talcott Parsons e, posteriormente, seu discípulo Robert K. Merton.
A teoria geral da ação de Parsons (anos quarenta e cinquenta) tenta resolver a aporia entre a natureza estruturada da ação e a irredutibilidade desta às condições externas. Os atores estão imersos no que ele chama de "sistema de ação": um conjunto estruturado de diretrizes para a ação com base em variáveis que satisfazem um conjunto de necessidades básicas e funções determinadas, estando sujeito a processos de mudança ao longo do tempo.
O esquema geral da ação parsoniano é constituído por quatro subsistemas:
- O organismo biológico: fornece energia para o indivíduo e concentra-se na adaptação ao ambiente.
- O sistema de personalidade: visa a concretização dos objetivos e é o resultado do processo de socialização, cuja assimilação é diferente para cada pessoa.
- O sistema social: busca a integração das partes.
- O sistema cultural: visa manter os padrões, fornecendo os valores necessários para a integração da personalidade dos atores sociais nos sistemas.
O sistema social é um dos três aspectos da estruturação de um determinado sistema geral de ação social. Os outros dois aspectos são os sistemas de personalidade dos atores individuais e o sistema cultural. Cada um dos três sistemas deve ser considerado como algo independente na organização dos elementos da ação; por sua vez, cada um é indispensável para os outros dois, no sentido de que a personalidade e a cultura não existiriam sem o sistema social.
O termo "sistema" é essencial para seu trabalho. Podemos distinguir três questões fundamentais em torno dele:
- O sistema social é a estrutura permanente que organiza a relação entre um ator e uma situação.
- A mudança dos sistemas sociais ocorre de uma forma ordenada.
- O estresse é o papel desempenhado pelo conceito de "função" como um conjunto de atividades destinadas a atender às necessidades do sistema.
Um sistema de ação só pode existir na medida em que cumpre suas quatro necessidades básicas (esquema AGIL): Adaptação (A), Eficácia/Atingimento de metas (G), Integração (I) e Latência/Manutenção de padrões (L). As relações estabelecidas com cada um destes quatro elementos explicam os processos de evolução e mudança.
O sistema social é o resultado da integração das unidades. Quando o sistema social adquire uma característica "persistente", pode-se falar de "sociedade" em si. Tal estabilidade depende de pré-requisitos funcionais ou de garantias de coesão entre os níveis descritos (natural, pessoal, motivacional e cultural).
Robert Merton desenvolveu uma teoria funcionalista baseada na crítica aos princípios errados do funcionalismo clássico. Ele estabeleceu uma distinção entre funções e disfunções, além de identificar elementos não-funcionais (irrelevantes para um dado sistema).
Ao analisar as funções, introduziu dois conceitos:
- Latente: função que não é intencional ou reconhecida.
- Manifesto: função pretendida e reconhecida.
Esta classificação permitiu a análise das transformações sociais, proporcionando habilidades analíticas mais complexas à teoria funcionalista. Finalmente, Merton integrou o conceito de "consequências não intencionais", que podem levar a resultados opostos à intencionalidade dos atores sociais.
A análise funcional estabelece que existem vários níveis de análise: público em geral, organizações, instituições e grupos.
*Aporia: dificuldade lógica insuperável do raciocínio ou a sua conclusão.