Trabalho e Sociedade: Evolução, Desafios e Transformações

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TRABALHO E SOCIEDADE

Pode-se dizer que o trabalho existe para satisfazer as necessidades humanas, desde as mais simples, como as de alimento, vestimenta e abrigo, até as mais complexas, como as de lazer, crença e fantasia. No entanto, essa atividade humana nem sempre teve o mesmo significado, a mesma organização e o mesmo valor.

O TRABALHO NAS DIFERENTES SOCIEDADES

Em nossa sociedade, a produção de cada objeto envolve uma complexa rede de trabalho e de trabalhadores. Essa complexidade das tarefas relacionadas à produção é uma característica da nossa sociedade. Outros tipos de sociedade, do presente e do passado, apresentam características bem diversas.

A PRODUÇÃO NAS SOCIEDADES TRIBAIS

As sociedades tribais diferenciam-se umas das outras em muitos aspectos, mas pode-se dizer, em termos gerais, que não são estruturadas pela atividade que em nossa sociedade denominamos trabalho. Nelas, todos fazem quase tudo e as atividades relacionadas à obtenção do que as pessoas necessitam para se manter — caça, coleta, agricultura e criação — estão associadas aos ritos e mitos, ao sistema de parentesco, às festas e às artes, integrando-se, portanto, a todas as esferas da vida social.

A organização dessas atividades caracteriza-se pela divisão das tarefas por sexo e por idade. Os equipamentos e instrumentos utilizados, comumente vistos pelo olhar estrangeiro como muito simples e rudimentares, são eficazes para realizar tais tarefas. Guiados por esse olhar, vários analistas, durante muito tempo, classificaram as sociedades tribais como de economia de subsistência e de técnica rudimentar, passando a ideia de que elas viveriam em estado de pobreza, o que é um preconceito.

A explicação para o fato de os povos tribais trabalharem muito menos do que nós está no modo como se relacionam com a natureza. Para eles, a terra é o espaço em que vivem e tem valor cultural. Integradas ao meio ambiente, as tarefas relacionadas à produção não compõem uma esfera específica da vida; não há um "mundo do trabalho" nas sociedades tribais.

AS BASES DO TRABALHO NA SOCIEDADE MODERNA

Com o fim do período medieval e a emergência do mercantilismo e do capitalismo, o trabalho "mudou de figura". Se antes ele era visto como uma atividade penosa e torturante, passou aos poucos a ser considerado algo positivo.

Essa transformação aconteceu por meio de dois processos de organização do trabalho:

  • Cooperação simples: Mantinha-se a hierarquia da produção artesanal, mas o artesão estava a serviço de quem financiava a matéria-prima e os instrumentos.
  • Manufatura (cooperação avançada): O artesão tornou-se um trabalhador sem entendimento da totalidade do processo, perdendo o controle sobre o produto final.

Surgiu, então, a maquinofatura, onde a fábrica e as máquinas passaram a comandar o processo produtivo, dispensando a destreza manual do trabalhador.

O TRABALHO NA SOCIEDADE MODERNA CAPITALISTA

A crescente divisão do trabalho é uma característica das sociedades modernas, analisada sob perspectivas distintas:

Karl Marx e a divisão social do trabalho

Para Marx, a divisão social do trabalho gera a divisão em classes. O trabalhador, subordinado à máquina e ao proprietário, vende sua força de trabalho. A apropriação das horas trabalhadas e não pagas pelo capitalista é o que Marx chama de mais-valia, base da acumulação de capital.

Émile Durkheim e a coesão social

Durkheim defende que a especialização do trabalho traz uma forma superior de solidariedade:

  • Solidariedade mecânica: Comum em sociedades menos complexas, baseada em crenças e tradições comuns.
  • Solidariedade orgânica: Fruto da interdependência das funções sociais na sociedade moderna.

AS TRANSFORMAÇÕES RECENTES NO MUNDO DO TRABALHO

Desde a década de 1970, a busca por lucro gerou a flexibilização dos processos de produção e a mobilidade dos mercados de trabalho, substituindo o emprego regular por formas precárias, temporárias e terceirizadas.

A sociedade salarial está no fim?

O sociólogo Robert Castel destaca a desestabilização dos postos fixos, a precariedade, o déficit de vagas e as exigências excessivas de qualificação, que criam indivíduos marginalizados da sociedade.

A QUESTÃO DO TRABALHO NO BRASIL

O trabalho no Brasil foi marcado por mais de 350 anos de escravidão. Após a abolição, o sistema de colonato nas fazendas de café perpetuou a exploração através da "parceria de endividamento".

No século XX, a industrialização e a urbanização transformaram o perfil do trabalhador brasileiro. Hoje, convivemos com uma enorme diversidade de situações, desde o trabalho informal e precário até setores altamente informatizados.

O desemprego e o desafio atual

A modernização produtiva, embora aumente a riqueza, tem gerado desemprego estrutural. O desafio para o século XXI reside na necessidade de políticas públicas que garantam a proteção social e a geração de renda em um cenário de desigualdade persistente.

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