Sociedade Industrial, Regeneração e a República em Portugal

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UNIDADE 2 – A SOCIEDADE INDUSTRIAL E URBANA

1. Caraterize a sociedade de classes

A sociedade de classes era composta, essencialmente, por duas classes sociais: a Burguesia e o Proletariado. Distinguiam-se pelo poder económico, situação profissional, grau de instrução, valores e comportamentos. Garantia a igualdade jurídica perante a lei, o direito ao voto e a separação de poderes. Era uma sociedade dinâmica que permitia a mobilidade social, baseada no mérito individual.

2. Caraterize a condição burguesa

A burguesia defendia a democracia parlamentar, a igualdade jurídica e a liberdade individual. O seu estilo de vida era marcado pelo conceito de "self-made man", valorizando o trabalho, a poupança e a ostentação de riqueza (solares, luxo, educação superior e vida social sofisticada). As mulheres geriam o lar e a caridade, enquanto os homens focavam-se nos negócios e na vida pública.

3. Caminhos para o êxito individual

A burguesia alcançava o sucesso através de serviços prestados ao Estado, cargos públicos ou pelo casamento com membros da aristocracia.

4. O incremento das classes médias no século XIX

As classes médias, heterogéneas e não dependentes do trabalho braçal, cresceram devido ao desenvolvimento técnico, ao aumento da população urbana e à complexificação dos serviços e aparelhos administrativos do Estado.

5. Industrialização e o surgimento do proletariado

A mecanização agrícola e a livre concorrência industrial arruinaram pequenos agricultores e artesãos, forçando-os a migrar para as cidades e a vender a sua força de trabalho nas fábricas.

6. Caraterize a condição operária

A condição operária era marcada por:

  • Trabalho: Jornadas superiores a 12 horas, baixos salários, trabalho infantil e feminino, e vigilância apertada.
  • Vida: Habitações insalubres, subalimentação, doenças graves e alta mortalidade infantil.
  • Consequências: Degradação das relações familiares, alcoolismo, prostituição e marginalidade.

7. Evolução do movimento operário

O movimento evoluiu de associações de socorros mútuos e ludismo para a criação de sindicatos (Trade Unions), que conquistaram direitos como a redução do horário de trabalho e melhores salários através de greves e negociações.

8. Doutrinas socialistas e marxismo

As doutrinas socialistas surgiram como resposta às injustiças do capitalismo. O socialismo utópico (Owen, Saint-Simon, Fourier) propunha reformas pacíficas. O marxismo (Marx e Engels), através do materialismo dialético, defendia a luta de classes como motor da história, visando o fim do capitalismo e a instauração do comunismo.

UNIDADE 4 – PORTUGAL: SOCIEDADE CAPITALISTA DEPENDENTE

1. O significado político da Regeneração

A Regeneração (1851-1868) foi um período de modernização económica e política em Portugal, liderado por Fontes Pereira de Melo, focado no desenvolvimento das infraestruturas e do comércio.

2. Principais medidas do Fontismo

  • Transportes: Expansão da rede ferroviária, construção de estradas, pontes e portos.
  • Comunicações: Introdução do telégrafo e reforma dos correios.
  • Indústria: Difusão da máquina a vapor e criação de sociedades anónimas.
  • Agricultura: Foco na exportação (vinhos e cortiça) e uso de máquinas e adubos.
  • Livre-cambismo: Redução de tarifas aduaneiras para fomentar a produção.

3. Crise financeira de 1880/90

O endividamento externo para financiar obras públicas, aliado a um défice comercial crónico e crises agrícolas, levou Portugal à bancarrota em 1891.

4. Antecedentes da queda da Monarquia

  • Crise social: Desemprego, inflação e agitação social.
  • Crise económica: Dívida pública, desvalorização da moeda e falência bancária.
  • Crise política: Falência do rotativismo, o Ultimato Inglês e a ditadura de João Franco.

5. A Revolução de 5 de outubro de 1910

Preparada por republicanos, profissionais liberais e militares, a revolução contou com o apoio popular e da Marinha. D. Manuel II partiu para o exílio, pondo fim à Monarquia.

6. O regime republicano (Constituição de 1911)

O novo regime estabeleceu um Congresso bicameral (Senado e Câmara dos Deputados), com o poder legislativo a controlar o governo e o Presidente da República.

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