Sociologia: Formação Acadêmica, Estados e Movimentos
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A Importância da Sociologia na Formação Acadêmica
A sociologia é fundamental para que o educando possa compreender a força da sociedade, da comunidade, da diversidade humana, dos grupos e das instituições sociais. Além disso, destaca a importância do trabalho na vida do homem como meio de alcançar a transformação, a mudança de mentalidade e de comportamento, permitindo a participação ativa na construção de uma sociedade melhor.
- Consciência e Senso Crítico: Desenvolver espírito público e agenciar com dignidade o cotidiano e as relações familiares, educacionais, profissionais e de bem-estar social.
- Ação Social: Compreender e avaliar criticamente o sentido da cidadania, da sociedade plural, da interação social e da mentalidade emergente.
- Responsabilidade: Considerar os avanços da ciência, da tecnologia e o papel dos meios de comunicação sob um viés ético, moral e de responsabilidade social.
Os Tipos de Estados
O Estado Absolutista
O Estado Absolutista, ou Absolutismo Monárquico, surge com a concentração de poderes nas mãos dos reis, decorrente da consolidação do Estado Moderno. Suas características principais são o poder absoluto e ilimitado do monarca, considerado de origem divina, conforme defenderam as doutrinas de importantes teóricos como Jean Bodin e Jacques Bossuet.
O Estado Liberal
O Absolutismo sufocou a sociedade através da força e do arbítrio real. Com a evolução do pensamento humanista, sustentado pelo Iluminismo e pela Enciclopédia, surge o Estado Liberal. Este modelo é imbuído pelos ideais da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. O Estado Liberal visa garantir a "liberdade dos modernos" (liberdade negativa), de acordo com a clássica distinção de Benjamin Constant.
O Estado Socialista
O Socialismo surge, principalmente, como reação às consequências da Revolução Industrial e seus efeitos sobre a classe operária. A tecnologia emergente propiciou o aumento da produção, mas modificou as relações humanas: o vínculo entre mestre e aprendiz foi substituído pela livre contratação e demissão, eliminando o longo processo de treinamento dos empregados.
O Estado Democrático de Direito
O Estado Democrático de Direito nasce para possibilitar que todos os homens possam, através da linguagem e do discurso, eleger regras para delimitar os contornos da sociedade. Ele visa propiciar liberdade e igualdade, construindo a "igualdade na diferença". Seu objetivo é incluir todos, indistintamente, sem exclusão de sexo, escolaridade, orientação sexual ou religiosa.
Movimentos Sociais
Em linhas gerais, o conceito de movimento social refere-se à ação coletiva de um grupo organizado que objetiva alcançar mudanças sociais por meio do embate político, conforme seus valores e ideologias. Podem objetivar a mudança, a transição ou a revolução de uma realidade hostil a certo grupo ou classe social. Exemplos dessas organizações incluem:
- Núcleos locais: Movimentos de sem-terra, sem-teto, piqueteiros e associações de bairro.
- Organizações Nacionais e Transnacionais: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Catadores de Lixo, Movimento Indígena e o Movimento Negro.
O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) surgiu em 1997 para organizar a reforma urbana e garantir moradia a todos os cidadãos. Já o MST, de inspiração marxista, busca a implantação da reforma agrária no Brasil, opondo-se ao modelo que priorizava a colonização de terras remotas e buscando a redistribuição de terras improdutivas.
Movimento Feminista
O Feminismo é um discurso intelectual, filosófico e político que busca direitos iguais e proteção legal às mulheres. A história do feminismo é dividida em três "ondas": a primeira no século XIX e início do XX; a segunda nas décadas de 1960 e 1970; e a terceira da década de 1990 até a atualidade.
Movimento Estudantil
O movimento estudantil é de caráter social e de massa. No Brasil, sob a ditadura militar, reorganizou-se como uma força de oposição política não institucionalizada. A história mostra como esse movimento constitui uma força auxiliar no processo de transformação social ao polarizar as tensões do sistema.
Desigualdade Social e a Pobreza na Contemporaneidade
Se as sociedades apresentam desigualdades desde a Antiguidade, por que a pobreza se torna tão pouco aceitável hoje?
As diferenças entre indivíduos (materiais, religiosas, raciais, etc.) são aspectos elementares das desigualdades sociais. Cada sociedade gera formas de desigualdade específicas, resultantes de sua organização econômica, política e cultural. Embora evidências históricas mostrem que a cultura humana sempre esteve ligada à ideia de distinção, o mundo contemporâneo mudou essa percepção.
A razão para essa nova postura deve-se ao fato de que, na sociedade moderna, sedimentou-se a ideia de humanidade universal. Diferente de povos antigos que aceitavam castas inconciliáveis, o mundo ocidental desenvolveu a consciência de que todos pertencem a uma mesma humanidade, com direitos iguais perante a lei. Essa consciência é reforçada pelos princípios democráticos e pela expansão do sistema capitalista.
Portanto, a pobreza hoje é vista como uma contradição aos valores que defendemos. Se todos possuem os mesmos direitos, a existência de grupos sem acesso ao mínimo necessário assume o caráter de privilégio de alguns e injustiça para outros. É essa nova consciência ética que torna a pobreza tão incômoda.