Sócrates e os Sofistas: O Método e o Pensamento Grego

Classificado em Filosofia e Ética

Escrito em em português com um tamanho de 3,72 KB

Sócrates e o seu Método

Sócrates possuía uma forma muito peculiar de fazer as pessoas pensarem e exporem seus próprios pensamentos. Seu pai era escultor e sua mãe, parteira; em ambos os ofícios, dá-se à luz algo de dentro para fora. Para Sócrates, o conhecimento que cada pessoa possui não deve ser ensinado de fora, mas sim descoberto como a verdade que reside em seu interior.

As Três Etapas do Método Socrático:

  • 1. A Ironia: É o ponto de partida. Consiste em levar o ouvinte à convicção de que ele nada sabe, fazendo perguntas para quebrar dogmas. Assim, sem dizer diretamente, faz-se com que o homem descubra sua própria ignorância, duvide e passe a investigar e criticar as opiniões alheias. "Só sei que nada sei" exemplifica a ironia socrática.
  • 2. A Maiêutica: Significa "dar à luz" a verdade. O diálogo permite que a luz da verdade brote com a ajuda do outro.
  • 3. A Definição: É chegar ao fundo das coisas. A definição é a descoberta da verdade alcançada por meio do diálogo.

Intelectualismo Moral

Diante da decepção com a diversidade de opiniões dos filósofos antigos (físicos), Sócrates substituiu a preocupação com o cosmos pela preocupação genuína com o homem e sua natureza moral. A sabedoria não vem ao homem de fora, mas de dentro. O homem sábio é aquele que vivencia valores morais, mesmo possuindo dúvidas e perguntas.

O intelectualismo é uma doutrina moral que identifica a virtude com o conhecimento. O virtuoso é aquele que sabe; o mal é fruto da ignorância. O que é bom e útil para o indivíduo e para a cidade influencia a compreensão de quem conhece e determina a vontade. Aquele que não pratica o bem é porque não o conhece. "Sabendo o que é a justiça, pode-se ser justo; apenas sabendo o que é o bem, pode-se fazer o bem."

Paradoxo: Seria melhor um sapateiro que sabe fazer bons sapatos, mas os faz mal propositalmente, do que um que, não sabendo como fazê-los, tenta torná-los bons? Aquele que peca, portanto, não o faz por maldade, mas por ignorância. Por isso, não deveria haver punição, mas instrução; em vez de prisões, escolas.

Os Sofistas

  • 1. Atuação Política: Empenhados na política, costumavam levar uma vida errante. Eram homens de ação e iniciativa, com ambições de influenciar a vida pública. Buscavam o poder político através da formação pela "palavra brilhante". Procuravam a arte da persuasão em vez da verdade. Chamavam sua arte de "dirigir almas", embora Platão a definisse como "pegar almas".
  • 2. Ceticismo, Relativismo e Individualismo: Duvidavam da capacidade da razão humana de chegar à verdade. Protágoras afirmava que não há verdades universais ou objetivas; a verdade depende do sujeito, não do objeto. Górgias garantia que a verdade não existe; se existisse, não poderia ser conhecida; e se fosse conhecida, não poderia ser comunicada.
  • 3. Physis e Nomos (Natureza e Convenção): O nomos (lei) não possui validade eterna, sendo de natureza convencional. Antifonte proclamava que é lícito ignorar a lei desde que ninguém perceba. Alcidamas recorria à relatividade das leis humanas para garantir que escravos tivessem os mesmos direitos. O relativismo atingia até as crenças religiosas. Hípias também falava de uma lei natural não escrita. Por fim, o direito natural dos sofistas muitas vezes coincidia com o desejo ou a "lei da selva".

Entradas relacionadas: