Staphylococcus aureus — características, toxinas e prevenção
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Histórico
- 1878 — Robert Koch isolou a bactéria a partir de pus humano.
- 1880 — Alexander Ogston descreveu cocos em agrupamentos semelhantes a cachos de uva como causa de muitas doenças piogênicas no homem.
- 1882 — Nome Staphylococcus derivado da palavra grega staphylé (cacho de uva).
Características
- Gram-positivas
- Esféricas (cocos)
- Formam agrupamentos irregulares em cachos de uva
- Não móveis
- Não formadoras de esporos
- Aeróbias facultativas
Staphylococcus
Essas espécies crescem bem sob condições de elevada pressão osmótica e baixa umidade, o que explica por que podem sobreviver nas secreções nasais. Carregamos essas bactérias na pele e no nariz.
Meios de evadir as defesas do hospedeiro.
Divisão
Atualmente descritas cerca de 49 espécies e 27 subespécies.
Staphylococcus coagulase-positivos
- Principal representante: S. aureus
- Outras espécies: S. hyicus, S. intermedius, S. delphini, etc.
Staphylococcus coagulase-negativos
- Principal representante: S. epidermidis
- Outras espécies: S. saprophyticus, S. haemolyticus, S. simulans, etc.
Staphylococcus aureus
A espécie mais importante do gênero é o Staphylococcus aureus, denominado pela pigmentação amarelada de suas colônias. É o estafilococo mais patogênico.
Em comparação com S. epidermidis, S. aureus apresenta cerca de 300.000 pares de bases a mais em seu genoma, material genético adicional responsável por uma ampla gama de fatores de virulência.
Capacidade de desenvolver rapidamente resistência a antibióticos, como a penicilina, o que representa perigo para pacientes hospitalizados. Causador comum de infecção de feridas cirúrgicas em hospitais.
Fatores de virulência
- De superfície: cápsula, ácidos teicóicos, adesinas
- Toxinas: hemolisina, leucocidina, enterotoxinas
- Enzimas: coagulase, lipase, catalase, DNase, proteases
Ácidos teicóicos regulam o movimento de cátions para dentro e fora da célula e têm papel no crescimento celular, impedindo a ruptura da célula.
Toxinas
S. aureus produz toxinas responsáveis por quadros como a síndrome do choque tóxico, caracterizada por febre alta, vômitos e, em casos graves, morte. Produz também enterotoxinas que causam vômitos e náusea.
Toxinas bacterianas
Toxinas são substâncias venenosas produzidas por certos microrganismos e constituem fator primário das propriedades patogênicas. Os danos ao hospedeiro são frequentemente devidos às toxinas, que podem provocar efeitos graves e muitas vezes fatais.
Efeitos adversos
- Febre
- Distúrbios cardiovasculares
- Diarreia
- Choque
- Inibição da síntese proteica
- Destruição de células e vasos sanguíneos
- Lesão do sistema nervoso central
Classificação: endotoxina x exotoxina
Endotoxina
Consiste na porção lipídica dos lipopolissacarídeos que fazem parte da membrana externa de bactérias Gram-negativas. Endotoxinas são liberadas quando a bactéria morre e a célula se degrada.
Exotoxina
São proteínas produzidas dentro da bactéria patogênica — mais comuns em Gram-positivas — como parte do seu crescimento e metabolismo. São secretadas no meio circundante ou liberadas após lise celular.
Exotoxinas
- Produzidas no interior de algumas bactérias como parte do crescimento e do metabolismo
- Secretadas pela bactéria no meio circundante ou liberadas após lise celular
- São proteínas
- Muito perigosas mesmo em pequenas quantidades: podem causar doenças em quantidades mínimas
- Produzidas por bactérias Gram-positivas ou Gram-negativas
- Agem destruindo partes das células do hospedeiro ou inibindo funções metabólicas
Nomeação das exotoxinas por tipo de célula afetada
- Neurotoxinas: células nervosas
- Cardiotoxinas: células cardíacas
- Leucotoxinas: leucócitos
- Enterotoxinas: células do trato gastrointestinal
- Citotoxinas: ampla variedade de células
Tipos de exotoxinas
- (1) Toxinas A-B
- (2) Toxinas danificadoras de membrana
- (3) Superantígeno
(1) Toxinas A-B: inibição da síntese proteica. (2) Toxinas danificadoras de membrana: degradam a membrana plasmática. (3) Superantígeno.
Superantígenos
- Antígenos que provocam resposta imunológica muito intensa
- Proteínas bacterianas que estimulam a proliferação de células T
- Essas células agem contra organismos e tecidos estranhos
Em resposta aos superantígenos, as células T liberam enormes quantidades de citocinas. As citocinas são pequenas moléculas proteicas; níveis altos na corrente sanguínea causam sintomas como febre, náusea, vômito, diarreia, por vezes choque e até morte.
Incluem toxinas estafilocócicas que causam intoxicação alimentar e a síndrome do choque tóxico.
Principais doenças causadas por S. aureus
Seres humanos possuem anticorpos contra S. aureus, mas estes geralmente não conseguem prevenir infecções recorrentes. Cepas resistentes a antibióticos são muito difíceis de tratar.
Infeções cutâneas
- Espinhas
- Furúnculos
- Pneumonias
- Intoxicações alimentares
- Infecções em feridas cirúrgicas
- Infecções hospitalares
Patogênese cutânea
Pode entrar no corpo através de aberturas naturais na barreira cutânea, como folículos, e causar infecções ou foliculites. Normalmente ocorrem como espinhas ou pelos encravados.
Hordéolo: um folículo infectado nos cílios.
Furúnculo
Infecção mais séria dos folículos pilosos. É um tipo de abscesso — região de pus circundada por tecido inflamado. Antibióticos não penetram bem em abscessos, tornando o tratamento difícil.
Impetigo
- Infecção de pele altamente contagiosa
- Contágio por contato direto
Impetigo não bolhoso: o patógeno entra na pele através de rupturas ou ferimentos.
Impetigo bolhoso: causado por uma toxina estafilocócica; forma localizada da síndrome da pele escaldada.
Impetigo bolhoso x Síndrome da pele escaldada
- Toxina A: infecção localizada — impetigo bolhoso
- Toxina B: infecção que se dissemina para sítios distantes — síndrome da pele escaldada
Ambas as toxinas causam separação das camadas da pele, levando à esfoliação.
Síndrome do Choque Tóxico (SCT)
Condição potencialmente fatal com sintomas de febre, vômitos e erupções semelhantes a queimaduras, seguidos de choque. Eventualmente ocorre falência de órgãos, em especial dos rins.
Famosa associação com uso prolongado de tampões vaginais. Causada por toxina estafilocócica: toxina da síndrome do choque tóxico 1 (TSCT-1), produzida no local do crescimento bacteriano e espalhada pela corrente sanguínea.
Intoxicação alimentar estafilocócica (enterotoxicose estafilocócica)
Intoxicação causada pela ingestão de enterotoxina produzida por S. aureus. Em condições ideais no alimento, a bactéria produzirá enterotoxina suficiente para causar doença.
Principais reservatórios: homens e animais — nariz, garganta, pele. Manipuladores de alimentos são uma causa importante de contaminação.
Alimentos envolvidos
- Produtos muito manipulados
- Produtos mantidos em temperatura de abuso por muito tempo após preparo
- Contaminação pós-processamento por manipulação deficiente e contato com superfícies contaminadas
- Crescem bem sob condições de elevada pressão osmótica e baixa umidade
Exemplos:
- Alimentos com alta pressão osmótica (presunto e outras carnes curadas)
- Alimentos com baixa umidade
- Presunto, pudins e tortas
- Produtos muito manipulados
O crescimento do micróbio é facilitado quando microrganismos competidores no alimento são eliminados — por exemplo, pela alta pressão osmótica do açúcar, agentes de cura, sais e conservantes, e também pelo cozimento.
Resistência e persistência
- Alta resistência ao calor: toleram 60 °C por meia hora
- Resistência à dessecação
- Resistência à radiação
- Podem sobreviver em superfícies por meses
Alimentos de risco (exemplos)
- Carnes, aves e ovos
- Saladas com ovos, batata, macarrão
- Patês, molhos, tortas de creme
- Bombas de chocolate e outros recheios
- Sanduíches com recheios
- Produtos lácteos e derivados
Prevenção
S. aureus coloniza as passagens nasais de cerca de 20% da população de forma permanente, e aproximadamente 60% carregam ocasionalmente. A partir dessas fontes pode contaminar as mãos, equipamentos e utensílios, penetrando posteriormente no alimento.
- Boas práticas e manipuladores treinados
- Higiene ambiental e de superfícies e utensílios
- Refrigeração adequada e armazenamento para impedir a formação de toxina
Tratamento
Para intoxicação alimentar por enterotoxina estafilocócica, agentes antimicrobianos não são eficazes contra a toxina já presente; o tratamento é sintomático. Em outras infecções por S. aureus, uso de antimicrobianos depende da sensibilidade da cepa (atenção às cepas resistentes).
Sintomas
- A toxina ativa o centro do vômito no cérebro
- Cólicas abdominais e diarreia geralmente seguem o vômito
Taxa de mortalidade
É quase zero entre pessoas saudáveis, mas pode ser significativa em indivíduos debilitados.
Complicações sistêmicas
- Bacteremia
- Periocardite, endocardite
- Pneumonia
- Sepse