Strongyloides stercoralis: Ciclo, Morfologia e Patogenia

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Strongyloides stercoralis e Estrongiloidíase

É o menor nematódeo que parasita o homem. O estágio que habita o intestino delgado é a fêmea partenogenética (que contém ovos embrionados ou larvas L1).

Ciclo de Vida

  • Direto e Indireto
  • Passa por duas fases: Vida Livre e Parasitária

Morfologia

Fêmea Partenogenética

  • Mede cerca de 2,2 mm.
  • Filiforme, branca, boca pequena, esôfago estreito e cilíndrico.
  • É ovovípara: do útero saem 4 a 5 ovos contendo a larva.

Larva Rabditóide (L1)

  • Proveniente da fêmea partenogenética, ainda no duodeno.
  • Encontrada nas fezes.
  • Mede cerca de 200 micras.

Morfologia das Formas de Vida Livre

  • Macho: Mede cerca de 0,7 mm. Esôfago rabditóide. Extremidade posterior recurvada com dois espículos.
  • Fêmea: Cerca de 1,5 mm. Esôfago rabditóide. Extremidade posterior afilada e romba.

Detalhes do Ciclo

Ciclo Direto

As larvas rabditóides (L1) eliminadas nas fezes transformam-se, no meio exterior, em larvas filarióides (L3), capazes de infectar diretamente as pessoas.

Ciclo Indireto (Vida Livre)

Larvas rabditóides formam, no solo, machos e fêmeas de vida livre. Estes produzem ovos que eclodem, gerando larvas L1 que se desenvolvem até o estágio L3 (infectante). A infecção ocorre quando a larva L3 penetra a pele de indivíduos que andam descalços ou colocam a região cutânea em contato com o solo contaminado.

Fatores que Determinam o Tipo de Ciclo

A constituição cromossômica das larvas (triploides - 3n) determina a formação de 3 tipos de ovos:

  • Larvas Rabditóides (L.R.) triploides: Desenvolvem-se em Larvas Filarióides (L.F.) infectantes.
  • L.R. haploides: Desenvolvem-se em machos de vida livre.
  • L.R. diploides: Desenvolvem-se em fêmeas de vida livre.

Modos de Infecção

  • Heteroinfecção: Penetração da larva L3 através da pele (contato com o solo).
  • Autoinfecção Interna: Ocorre em casos de constipação (intestino preso), onde as larvas L1 se transformam em L3 e penetram a mucosa intestinal.
  • Autoinfecção Externa: Penetração perianal da larva L3 (associada à má higiene).

Hiperinfecção

Quadro grave associado à imunossupressão (aumento maciço da carga parasitária).

Habitat

As fêmeas vivem mergulhadas nas criptas da mucosa duodenal, principalmente nas glândulas de Lieberkühn e na porção superior do jejuno.

Manifestações Clínicas da Estrongiloidíase

A strongiloidíase (também conhecida como estrongiloidose ou anguilulose) pode apresentar-se de diversas formas:

  • Assintomática.
  • Produzir enterite ou enterocolite de maior ou menor intensidade.
  • Causar um quadro grave e fatal em pacientes imunossuprimidos, especialmente aqueles que usam corticoides.

Patogenia e Sintomas

  • Lesões Cutâneas: Prurido, edema, dermatite.
  • Lesões Pulmonares: Tosse, febre, crise de asma (durante a migração larvária).
  • Lesões Intestinais: Enterite catarral causada pela ação espoliativa do parasita.

Fase Aguda e Quadros Graves

  • Fase Aguda: Eosinofilia (pode atingir 45%).
  • Quadros Graves: Anemia, emagrecimento.

Fatores de Risco

  • Alcoolismo
  • HIV/AIDS
  • Uso de Corticoides

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