Suicídio e Agitação Psicomotora: Avaliação e Manejo
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Suicídio — Avaliação e Encaminhamento
Risco
- Risco baixo: a pessoa pensa em morte.
- Risco médio: a pessoa tem ideias suicidas e algum planejamento, porém não muito estruturado.
- Risco alto: já pensa e tem os meios para se matar.
Encaminhando o paciente com risco de suicídio
- Tenha tempo para explicar à pessoa a razão do encaminhamento.
- Marque a consulta — mesmo em risco médio.
- Esclareça que o encaminhamento não significa que o profissional de saúde está se eximindo da responsabilidade.
- Tente obter uma contra-referência do atendimento.
Recursos da comunidade
- Companheiros/namorados
- Profissionais de saúde
- Grupos de apoio, ex.: Centro de Valorização da Vida
O que fazer
- Levar a situação a sério e verificar o grau de risco.
- Ganhar tempo — fazer um contrato de segurança quando possível.
- Remover os meios pelos quais a pessoa possa se matar.
- Perguntar sobre o plano suicida.
- Pedir ajuda a familiares ou rede de apoio.
- Ficar próximo se o risco for alto.
O que não fazer
- Tentar livrar-se do problema apenas acionando outro serviço e considerar-se isento de qualquer ação.
- Dizer que tudo vai ficar bem sem tomar medidas concretas para isso.
- Jurar segredo diante de risco suicida.
- Dar falsas garantias.
Agitação psicomotora — Definição e Causas
Definição: atividade motora excessiva associada a uma experiência subjetiva de tensão. Pode levar a agressividade contra si próprio e/ou contra terceiros — normalmente essa agressividade é difusa, não planejada.
Causas
- Condições médicas gerais e neurológicas: TCE, hipoglicemia, AVC, sangramentos.
- Síndrome de abstinência alcoólica.
- Transtorno psiquiátrico.
- Intoxicação exógena (ex.: crack e álcool).
Sinais que sugerem origem orgânica
- Início súbito.
- Ausência de história psiquiátrica prévia.
- Confusão mental, desorientação, alteração do nível de consciência.
Manejo ambiental e comportamental
- Manter o paciente em local seguro, com pouco risco para ele e para os outros.
- Nunca abordar sozinho; estar acompanhado para diminuir a chance de ato violento.
- Evitar humilhação; olhar para o paciente, observar as mãos e explicar com poucas palavras e clareza.
Depois dessa abordagem: se o paciente estiver agitado, porém colaborativo: medicação via oral. Se o paciente não estiver colaborativo: medicação intramuscular.
Medicação
Medicação via oral (VO)
- Antipsicótico.
- Benzodiazepínico.
- Terapia combinada quando indicado.
Medicação intramuscular (IM)
- Haloperidol.
- Benzodiazepínico.
Recomendações por condição
- Condição médica geral e neurológica: VO (antipsicótico: haloperidol ou risperidona) e IM (haloperidol).
- Intoxicação por crack: VO (benzodiazepínico: diazepam ou lorazepam) e IM (midazolam; diazepam EV quando indicado).
- Intoxicação por álcool: VO (antipsicótico) e IM (haloperidol).
- Síndrome de abstinência alcoólica: VO (benzodiazepínico) e IV (diazepam).
- Transtornos psiquiátricos: VO (combinada: haloperidol com diazepam ou risperidona com lorazepam) e IM (haloperidol com midazolam ou haloperidol com prometazina).
Efeitos colaterais importantes
- Antipsicóticos: distonia aguda, acatisia, parkinsonismo, síndrome neuroléptica maligna, redução do limiar convulsivo, prolongamento do intervalo QT.
- Benzodiazepínicos: depressão respiratória, rebaixamento do nível de consciência, reação paradoxal.
Exames de triagem na atenção primária / emergência
- Testes toxicológicos: maconha e cocaína.
- Hemograma completo.
- Glicemia de jejum.
- Eletrólitos (Na e K).
- Avaliação da função renal (ureia e creatinina).
- Avaliação da função hepática (transaminases e TAP).
- Avaliação da função tireoidiana (TSH).
- FAN (screening de doenças imunológicas).
- Sorologia (HIV e sífilis).
- Neuroimagem quando indicada.
- Outros exames conforme anamnese e exame físico.
Contenção
- Aplicar técnica adequada: tórax, bacia, pulsos e pés.
- Associar contenção química quando necessário.
- Manter pelo menor tempo possível.
- Aferir sinais vitais a cada 15 minutos.
- Nunca utilizar contenção como punição.
Diagnóstico diferencial (DD)
- Transtorno de personalidade.
- Transtorno do humor.
- Esquizofrenia.
Observação: manter comunicação clara, documentação adequada do raciocínio clínico e garantir encaminhamento e seguimento quando indicado.