Surrealismo, Psicanálise e Arte Contemporânea
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A Representação do Inconsciente: O Surrealismo
Decorrendo em parte do Movimento Dada, o Surrealismo foi sobretudo um movimento de ideias que se estendeu a vários campos: da literatura às artes plásticas, da fotografia ao cinema, passando também pela música.
O nome surgiu pelo escritor Guillaume Apollinaire, que utilizou pela primeira vez o termo para descrever o bailado de Eric Satie, Parade, de 1917: “a kind of surrealism”.
O surrealismo surgiu como reação à civilização e cultura ocidentais, ao senso comum, num tempo marcado pelas guerras.
Defendeu valores como os da liberdade e da irracionalidade, do sonho, da metáfora, do inverossímil e do insólito, características que já se podiam vislumbrar na obra de Hieronymus Bosch (Gótico), Pieter Bruegel (Renascimento) e Johann Füssli (Romântico).
André Breton apresentou o seu Manifesto Surrealista em 1924, onde defendia o automatismo psíquico, como um estado puro, mediante o qual se propunha transmitir verbalmente, por escrito, ou por qualquer outro meio o funcionamento do pensamento; ditado do pensamento, suspenso qualquer controle exercido pela razão, alheio a qualquer preocupação estética ou moral.
Tal afirmação teve subjacente as teorias psicanalíticas e a figura de Sigmund Freud.
A Teoria Psicanalítica
Foi precursor Sigmund Freud, médico neurologista austríaco e judeu. Iniciou a sua carreira com Jean-Martin Charcot e na observação de pacientes com histeria. Descobriu que a origem de certas patologias, manifestadas por doentes histéricos, não tinham origem orgânica, mas sim psicológica, o que serviu de base para vários conceitos, entre os quais o de inconsciente.
Estrutura da Personalidade (Freud)
- SUPEREGO: A parte que contra-age ao Id, representa os pensamentos morais e éticos interiorizados.
- EGO: Permanece entre ambos, alternando nossas necessidades primitivas e nossas crenças éticas e morais. É a instância na que se inclui a consciência. Um eu saudável proporciona a habilidade para adaptar-se à realidade e interagir com o mundo exterior de uma maneira que seja cómoda para o Id e o Superego.
- ID: Representa os processos primitivos do pensamento e constitui, segundo Freud, o reservatório das pulsões, defendendo que toda energia envolvida na atividade humana seria advinda do Id. Inicialmente, considerou que todas essas pulsões seriam ou de origem sexual, ou que atuariam no sentido de autopreservação. Posteriormente, introduziu o conceito das pulsões de morte, que atuariam no sentido contrário ao das pulsões de agregação e preservação da vida. O Id é responsável pelas demandas mais primitivas e perversas.
Sublimação
A sublimação é o processo através do qual a libido se afasta do objeto sexual para outra espécie de satisfação.
- Possibilidade de atingir certo grau de satisfação sexual a despeito da defesa; considerada como um alívio da pulsão.
- Mecanismo de defesa eminentemente positivo para a sociedade; constituindo um bem social.
- Todas as personalidades que conseguiram elevar-se eram indivíduos que sublimaram instintos egoístas e transformaram forças em realizações sociais de grande valor, a exemplo das realizações artísticas.
Sublimar uma pulsão implica: satisfazer com objetos de substituição, mas também com uma satisfação imaginária ou simbólica, igualando-se a uma satisfação real.
Arte Conceptual
Parte da ideia para desafiar o observador a uma interpretação completamente inovadora do objeto artístico.
Remodelou por completo os processos criativos e expressivos, afinal o conceito se tornou o cerne da criação artística, dispensando a sua formalização matérica.
O conceito tem origens variadas, derivando do conhecimento filosófico, da psicanálise ou da reflexão sobre a própria civilização contemporânea.
A ideia é a obra em si mesma.
Possibilitou o alargamento dos territórios de criação artística ao romper com o estatuto tradicional da arte. Ampliou o papel do artista na sociedade e contrariou o excessivo formalismo que assumia a pintura do Expressionismo Abstrato, do Minimalismo e da Pop Art. Principais intervenientes: Marcel Duchamp, Joseph Beuys, John Cage, Nam June Paik, Wolf Vostell, Yoko Ono, Charlotte Moorman, Sol LeWitt, John Kosuth.
Expansões da Arte
Utilização de “objetos pobres”, com o intuito de empobrecer a pintura e eliminar quaisquer barreiras entre a arte e o dia-a-dia das pessoas. Utilização do corpo como obra de arte. A Natureza como obra (Land Art) - consequência de uma insatisfação crescente em face da deliberada monotonia cultural originada pelas formas simples do minimalismo, e por outro lado como expressão de um desencanto relativo à sofisticada tecnologia da cultura industrial, bem como ao aumento do interesse às questões ligadas à ecologia. Pelas suas características, não é passível de ser exposta em museus ou galerias (a não ser por meio de fotografias). Devido às muitas dificuldades de se colocar em prática os esquemas de Land Art, as suas obras muitas vezes não vão além do estado de projeto. Assim, a afinidade com a arte conceptual é mais do que apenas aparente.
O que é Arte Pública?
Sentido puramente estético da realidade envolvente e a um sentido pedagógico da sociedade.
Exemplos de Arte Pública
- Cidade como obra - Retinamérica: Obra interativa que convidou os participantes a atuarem como VJs, misturando elementos que remetiam à estética tropical. Surgiram imagens surgindo de outras imagens, recriadas com cores e formatos, ao gosto do participante – o áudio integrado também se aliou com a estética escolhida. Para tal, a obra disponibilizou um menu com efeitos de movimento, velocidade e ritmo aos participantes, tudo controlado por tablets dispostos numa mesa. Obra colaborativa propôs o mapeamento da cidade com diferentes tipografias encontradas nas ruas. Por meio de um aplicativo homónimo, o participante registou o seu próprio “alfabeto urbano” – tirando fotos pela cidade e transformando as imagens em letras. O resultado ficou registado no app e no site do projeto.
A Cibercultura e a Arte Digital
Internet Art e a cultura de livre acesso
New Media Art e o objeto artístico
Game Art, interação e criação artística
A arte, a imagem e o paradigma cultural no dealbar do século XXI
Um dos principais objetivos dos primeiros artistas vídeo era que o vídeo poderia ser alternativa para a televisão comercial. Mas o que a televisão criou foi a obsessão ‘novidade, intimidade, imediatismo, envolvimento, e um senso de presente tensão’, reunindo conceitualmente todas as características da percepção de uma obra de arte.
Internet Art
Surge na primeira metade dos anos 90 do século XX, com a difusão e comercialização da Internet.
Teve como substratos os movimentos Dada, Conceptual, Fluxus, o Vídeo, o Cinetismo, a Performance, os Happenings e a Arte Telemática.
Efetiva-se através de websites, e-mail, projetos de software originais, instalações ligadas em rede, vídeo e som interativos e performances interativas.
Pretende que a arte se reflita enquanto fenómeno global.
Eventos e Organizações Chave
- Satellite Arts Project – 1977: O primeiro evento artístico verdadeiramente global, que pretendeu refletir e promover uma sensibilidade planetária.
- Ars Electronica – 1979: Instituto educacional, cultural e científico situado na cidade de Linz, na Áustria. Alberga na atualidade o Museu do Futuro. As suas atividades focam-se na interligação entre arte, tecnologia e sociedade. Promove um festival anual, desde 1986. Promove o prémio anual Ars Electronica (Golden Nica), no valor de 10000€.
- Rhizome: Fundada pelo artista e curador Mark Tribe, inicialmente sob a forma de uma lista de email. É uma organização sem fins lucrativos, sediada na web, que suporta e divulga web art.
GAME ART
Questão que levanta, ainda na atualidade, grande controvérsia. Embora considerado trabalho criativo com proteção legal, foi desde a sua gênese alvo de críticas por parte dos críticos de arte.
NEW MEDIA ART
«(…) o conceito new media é muito problemático se não mesmo inadequado — pressupõe uma divisão falaciosa entre antigos e novos media, portanto uma definição evolucionista e mais perigosamente não entende que no momento histórico em que o vídeo e outros media emergiram as práticas artísticas recusaram qualquer sustentação centrada na especificidade de um medium como acontecera com o modernismo de uma forma genérica. O que aconteceu foi que os artistas passaram a utilizar estes media de formas profundamente diversificadas que não possibilitam qualquer definição essencialista. O vídeo foi utilizado como registo de uma performance, como circuito fechado ou como emissão televisiva. Nestes três casos não existe qualquer afinidade do medium.» Parte do conceito de interatividade, tal como uma obra de arte, na medida em que provoca um efeito perceptivo, assim como também se preocupa com um efeito estético.