Taxas de Juros e Política Monetária no Chile

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Taxas de Juros e a Política Monetária

Ao analisar o impacto das taxas de juros na demanda por moeda, é necessário primeiro fazer uma digressão sobre o papel das taxas de juros no fluxo de capital internacional, especialmente no curto prazo. Esse movimento, conhecido como "Capital Andorinha", é impulsionado exclusivamente por interesses financeiros. Esses recursos são atraídos por países estrangeiros que oferecem taxas de juros atrativas, afetando a economia nacional por meio de variações cambiais.

Atualmente, as taxas de juros no Chile são mais altas do que nos países mais desenvolvidos. Isso atrai um volume significativo de capital estrangeiro, valorizando a moeda nacional e gerando lucros. No entanto, as taxas de juros também são influenciadas pela diferença na taxa de câmbio. Se essa situação se tornar muito acentuada, a única defesa que o Banco Central possui para proteger a moeda nacional é a exigência de um alto nível de reservas, o que pode ser prejudicado por acordos de livre comércio com esses países. Felizmente, tanto na Europa quanto nos EUA, há uma crise de crédito que tem impedido um maior fluxo de capital estrangeiro, o que teria agravado a apreciação do peso.

As taxas de juros também afetam os países que adotam uma política de câmbio fixo, com um valor nominal real do dólar menor, ou seja, uma moeda valorizada. Se não houver um controle muito rígido, esse fenômeno pode levar a mudanças abruptas a qualquer momento em que a moeda estrangeira se torne escassa. Como essa política não incentiva as exportações, a única forma de atrair divisas é por meio de altas taxas de juros, o que também afeta o mercado local e pode resultar em uma crise generalizada.

A tabela que explica a fixação da taxa de câmbio é semelhante à observada em um mercado livre na macroeconomia.

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Banco Central

De acordo com a Constituição de 1980, o Banco Central é um órgão autônomo. No entanto, apenas em 1989 foi promulgada a Lei Orgânica que lhe conferiu a autonomia prevista na Constituição.

O Banco Central é responsável pela política monetária, creditícia e cambial, devendo cumprir três objetivos:

  1. Manter a estabilidade de preços.
  2. Fornecer liquidez para o desenvolvimento normal das transações monetárias dentro do país.
  3. Prover adequadamente os meios para as operações e pagamentos externos.

A política do Banco Central é responsabilidade do seu Conselho, composto por cinco diretores, com mandato de 10 anos cada. O presidente do Conselho é também o presidente do Banco Central.

Os diretores do Banco Central são nomeados pelo Presidente da República, com a aprovação do Senado. Dentre os diretores, o Presidente da República escolhe o presidente do Banco Central, quando o anterior já tiver cumprido seu mandato (com aprovação de 2/3 do Senado).

Os diretores do Banco Central dedicam-se exclusivamente à instituição, não podendo exercer outra função ou trabalho, exceto o ensino universitário e a participação em organizações sem fins lucrativos.

Para cumprir seus objetivos, o Banco Central desempenha várias funções, que podem ser resumidas em cinco atividades:

1. Fornecer a moeda legal do país: Isso significa que apenas o Banco Central emite e movimenta dinheiro. O dinheiro é impresso na Casa da Moeda ou no exterior, sob as instruções do Banco Central. Quando o dinheiro é retirado de circulação, principalmente notas danificadas, ele é incinerado nos cofres do Banco Central.

2. Banco dos bancos: O Banco Central atua como o banco dos bancos comerciais. Se um banco enfrentar um problema temporário de falta de liquidez, o Banco Central, com a aprovação do seu Conselho, pode conceder-lhe um empréstimo de até 90 dias, renovável se o problema persistir, com a aprovação unânime do Conselho.

Se o banco falir ou se o problema for permanente, o Banco Central pode intervir no banco em questão e nomear um liquidante, levando o banco à falência.

Além disso, em alguns casos, para apoiar programas ou planos específicos, o Banco Central pode financiá-los por meio do sistema bancário, seja diretamente, injetando recursos, ou por meio de redesconto de contas ou notas.

3. Gestor das reservas internacionais: Todo país deve manter um certo montante de moedas estrangeiras "fortes" (como o dólar atualmente) e ouro em reserva para cumprir seus compromissos internacionais. A administração dessas reservas é responsabilidade do Banco Central.

Se o país não possuir esses recursos, o que geralmente ocorre após uma crise de liquidez externa, ele pode obter um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, esse empréstimo está sujeito às condições expressas na "Carta de Intenções", que exige a adoção de uma política econômica sólida, com alto custo social.

O Chile possui atualmente um alto nível de reservas internacionais. Na medida em que o excedente da balança de pagamentos aumentar, o Banco Central investirá essas reservas principalmente em instrumentos de renda fixa, como títulos do Tesouro dos EUA.

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