Técnicas e Instrumentação de Controle Industrial
Classificado em Matemática
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Técnicas de Controle
A teoria básica de controle define duas estratégias: controle em malha aberta e controle em malha fechada (por realimentação ou antecipativo).
Controle em Malha Aberta
Neste tipo de controle não se faz nenhuma medição. A ação de controle é aplicada antes do processo iniciar e sua intensidade é baseada em estimativas. A verificação da ação de controle é feita apenas no final do processo e, apesar de teoricamente possível, sua aplicação na indústria é inviável. Exemplo: máquina de lavar roupa.
Controle em Malha Fechada
Controle em Malha Fechada por Realimentação
No controle em malha fechada por realimentação, a variável de processo é medida na saída, e o valor lido é comparado com o valor desejado (set point). Se houver um erro (diferença entre o valor lido e o desejado), uma ação de controle proporcional a ele é aplicada à entrada do processo, fechando a malha de realimentação. Uma análise criteriosa desta estratégia nos leva a concluir que a ação corretiva é aplicada após o erro ocorrer, o que pode ser uma desvantagem.
Controle em Malha Fechada por Antecipação
No controle antecipativo, as medições são realizadas na entrada do processo, e as ações de controle são baseadas no modelo matemático do processo, em função dos valores medidos na entrada, buscando antecipar o erro. O sucesso do método depende da fidelidade do modelo matemático ao comportamento do processo.
Instrumentos que Compõem uma Malha de Controle por Realimentação:
- Elemento sensor ou elemento primário
- Transmissor
- Controlador
- Elemento final de controle
- Indicador
Classificação de Instrumentos
Cronologicamente, os instrumentos podem ser classificados em:
- Instrumentos Mecânicos ou Locais: Constituídos apenas por partes mecânicas, utilizam a energia do próprio processo para funcionar. A leitura das medições só pode ser feita no local onde o instrumento está instalado.
Instrumentos Pneumáticos
Instrumentos mecânicos que permitem a transmissão dos valores medidos no campo para uma sala de controle centralizada, através de sinais pneumáticos.
Instrumentos Eletrônicos
- Analógicos: Instrumentos que transmitem os valores medidos através de corrente elétrica.
- Digitais: Instrumentos que transmitem os valores medidos através de "pacotes de dados", utilizando protocolos de transmissão específicos para o chão de fábrica.
Terminologia
Range: Faixa de medição é o conjunto de valores compreendidos entre o limite inferior e o limite superior da variável medida. Expressa-se determinando os dois extremos da faixa. Ex: 100 a 500 °C; 0 a 20 Bar.
Span (Alcance): É a diferença algébrica entre o valor máximo e o valor mínimo do range. Ex: Instrumento com range de 100 a 500 °C, SPAN = (500-100) = 400 °C. Ex: Um elemento primário de pressão apresenta um range de (-20 a 60 psi), SPAN = 60 - (-20) = 80 psi.
Repetitividade
Grau de concordância entre os resultados de medições sucessivas de um mesmo mensurando, efetuados sob as mesmas condições de medição.
Exatidão
É a capacidade de um instrumento realizar medições próximas ao valor real (verdadeiro) da variável. A exatidão pode ser expressa de diversas maneiras:
- Percentual do fundo de escala
- Percentual de span
- Percentual do valor lido
Exemplo:
Um sensor de temperatura com range de 50 a 250 °C está medindo 100 °C. Determine o intervalo provável para o valor real da variável.
A) Exatidão = 1% do fundo de escala
Valor real = valor medido +/- exatidão
Exatidão = 1% de 250 = 2,5 °C
Valor real = 100 +/- 2,5 °C
97,5 ≤ valor real ≤ 102,5
B) Exatidão = 1% SPAN (dado do manual)
SPAN = (250-50) = 200 °C
Exatidão = 1% * 200 = 2 °C
98 ≤ valor real ≤ 102
C) 1% do valor lido
Exatidão = 1% de 100 = 1 °C
99 ≤ valor real ≤ 101
Identificação de Instrumentos
A identificação de instrumentos em um fluxograma de processos deve ser feita através de um conjunto de letras e números, como preconizado pela norma ISA5.1. A norma define uma tabela de letras, com seus significados definidos em duas colunas. A identificação dos instrumentos deve ser feita por um conjunto de letras que identifique a variável de processo de acordo com a primeira coluna da tabela. A segunda e demais letras identificam a(s) função(ões) do instrumento. Pode-se usar uma sequência numérica para a identificação da malha à qual o instrumento pertence. Ex: P (variável 1ª coluna) C (função 2ª coluna) 032 (controle de pressão instalado na malha 32).
Quadro Resumo
TIC 103 tag number → identificação do instrumento
T 103 malha
I 103 número de malha
TIC → identificação funcional
Observações:
- As letras definidas como "user's choice" são utilizadas para identificar variáveis e/ou funções particulares (não contempladas) e devem ser acompanhadas de legenda nos projetos. A letra N pode ser definida como "módulo de elasticidade". NI → Indicador de módulo de elasticidade.
- Qualquer primeira letra, quando combinada com alguma letra modificadora (D, F, M, K, Q) ou um conjunto delas, define uma nova variável. Ex: PDI → Indicador de pressão diferencial (ΔP = P1 - P2).
- O termo "safety" se aplica a sistemas de proteção de elementos primários e elementos finais de controle.
Ex: PSV → Válvula de segurança de precisão.
- A função passiva G é utilizada para instrumentos que apresentam um "visor" não calibrado, como um indicador de vidro ou monitor de TV.
Ex: GI → Indicador de vidro de nível.
- Lâmpadas piloto que fazem parte da malha de controle devem ser indicadas pela 1ª letra seguida da letra L.
Ex: LLH → Lâmpadas piloto de nível alto.
- O termo switch deve ser utilizado se a chave ou válvula for acionada manualmente.
Ex: FSH → Válvula manual de vazão.
Exemplos de Instrumentos
PCI → Indicador controlador de pressão
FU → Válvula de vazão
LRI → Indicador registrador de nível
TT → Transmissor de temperatura
SE → Elemento primário ou sensor de velocidade ou frequência
II → Indicador de potência