Temas e Análise Poética em A Casa de Bernarda Alba

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O trabalho está repleto de passagens que manifestam ódio e inveja, em diversas dimensões: através de insultos, insinuações, e a expressão é velada ou direta. As mulheres vivem trancadas em um ambiente selvagem e inóspito. O desejo de amar e ser livre não pode ser alcançado, levando a confrontos entre as **filhas**.

Ódio e Inveja

Injustiça Social

A **Injustiça Social** domina o primeiro ato. Lorca denuncia a injustiça e a desigualdade social, a consciência de classe, o orgulho e a crueldade das relações na sociedade. Existe uma hierarquia bem definida. A desigualdade econômica aparece nas cenas iniciais e provoca o drama, afetando as filhas, pois Pepe é escolhido por sua fortuna. Cada personagem é aviltado, e Bernarda, gananciosa, não é **generosa**.

Marginalização das Mulheres

Lorca confronta dois modelos de mulher:

  • **Moral Relaxada:** (Ex: Paca la Roseta, uma prostituta, as colhedoras...) Vivem com aparente liberdade, independentemente da sociedade, mas são condenadas moral e fisicamente pelo povo.
  • **Decência Baseada na Honra:** O comportamento é condicionado pela honra e submissão, significando uma decência aparente que segue normas sociais convencionais que discriminam as mulheres em benefício do homem.

O tema da **Honra** está ligado ao tema das aparências e, consequentemente, ao tema do amor. Bernarda pauta-se por rígidos princípios convencionais que exigem comportamento público imaculado, uma imagem social ou honra limpa e impecável.

Plano Poético e Linguagem

A Casa de Bernarda Alba combina realidade e poesia. A situação dramática dos caracteres, o espaço simbólico, tudo é visto a partir de uma dimensão poética. A poesia domina a realidade. O maior mérito reside na sua linguagem poética, integrada na fala dos personagens, parecendo tão real e espontânea.

É, especialmente no terceiro ato, que são introduzidos elementos da poesia: a noite estrelada, por exemplo. Em suma, o trabalho perde realismo em favor da poética. O aumento da violência é criado pela linguagem. Os sons de fora contrastam com o silêncio do interior.

Expressões indefinidas são comuns: “o que aconteceu”, “o que tem de acontecer”, “uma coisa muito grande”. Bernarda apenas impede mal-entendidos. Na sua linguagem, não há comunicação, apenas ordens e comandos. Tem uma função de representação, e as palavras que formula são citações no texto, apresentadas como superiores e finais.

No discurso dos personagens, a linguagem coloquial apresenta figuras literárias, entre as quais: comparações, imagens e metáforas, hipérboles e paralelos semânticos.

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