Teoria do Conhecimento de Platão
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Posição dos sofistas e a reação de Sócrates e Platão
Os sofistas afirmavam que as palavras não têm um significado fixo e que os nomes seriam apenas convenções linguísticas. Sócrates e Platão questionaram essa posição, defendendo que não se pode reduzir todo o significado a uma simples convenção: se os nomes fossem totalmente arbitrários, seria difícil explicar a possibilidade do discurso racional e da distinção entre verdades e falsidades.
Três teorias sobre a denominação
Platão discute diferentes teorias sobre como as coisas são chamadas:
- Teoria da convenção: os nomes são atribuídos por acordo social.
- Teoria da relação natural: existe uma ligação natural entre o nome e a coisa nomeada.
- Seleção inteligível: a escolha do nome está ligada a um entendimento inteligível das coisas.
Alegoria da linha e graus do conhecimento
Platão explica os graus do conhecimento por meio da alegoria da linha, que divide o conhecimento em dois grandes níveis:
Doxa (opinião)
A doxa corresponde ao conhecimento baseado em suposições e opiniões sobre objetos sensíveis e mutáveis. Esse tipo de conhecimento não é seguro porque os objetos do mundo material estão em constante mudança.
Episteme (conhecimento verdadeiro)
A episteme é o conhecimento racional das realidades imutáveis, como as entidades matemáticas e as Formas. A dialética é o método que permite alcançar essas ideias universais, que são as mesmas para todas as pessoas (por exemplo, os conceitos de beleza e justiça), independentemente das línguas ou convenções.
O mundo das ideias e a alma
Para Platão, as ideias (ou Formas) existem em um mundo inteligível que ele chamou de mundo das ideias—esse é o verdadeiro mundo, em contraste com o mundo material em que vivemos. As ideias são imutáveis e eternas.
A alma, segundo Platão, provém desse mundo inteligível. Ao ser atraída para o mundo material, a alma encarna num corpo e passa a esquecer as ideias do mundo inteligível.
Reencarnação, aprendizado e teoria da reminiscência
Platão descreve um processo em que a alma, ao encarnar, esquece as ideias. Para combater objeções dos sofistas — por exemplo, a dificuldade de conciliar a noção de que a alma já saberia a verdade com a possibilidade de aprender — Platão desenvolveu a teoria da reminiscência (anamnese). Segundo essa teoria, conhecer é, em grande parte, recordar: as apreensões verdadeiras são lembranças das ideias que a alma já conhecia antes de encarnar.
Assim, o aprendizado não seria aquisição ex nihilo, mas um processo de recordação que a alma realiza progressivamente, por meio da investigação filosófica e da dialética.
Críticas e considerações finais
Os sofistas opuseram-se a Platão com duas objeções principais: se a alma já conhece a verdade ao nascer, como pode haver aprendizado? E, se a alma não a conhece, como reconheceríamos que algo é a verdade quando a encontramos? A teoria da reminiscência foi a resposta de Platão a essas objeções, afirmando que o processo de aprendizagem envolve recordar aquilo que a alma já sabia.
Em conclusão, a teoria do conhecimento de Platão foi uma das mais influentes na tradição filosófica (incluindo o neoplatonismo). Platão mesmo continuou a investigar e a refinar suas ideias, sobretudo sobre a relação entre alma, conhecimento e o mundo sensível, e sobre como a alma, ao cair no mundo material, tende a esquecer as ideias que conhecia originalmente.