Teoria Lamarckiana da Evolução — Princípios e Leis
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A teoria evolucionista de Lamarck — Lamarck formulou a primeira teoria da evolução. Ele sugeriu que a grande variedade de organismos, que então se acreditava serem formas estáticas criadas por Deus, havia evoluído a partir de formas simples. Postulou que os protagonistas dessa evolução eram os próprios organismos, pela sua capacidade de se adaptar ao ambiente: mudanças nesse ambiente geravam novas necessidades nos organismos e essas exigências resultariam em alterações nos mesmos, que seriam hereditárias. Houve apoio para a formulação de sua teoria na existência de restos de formas intermediárias extintas. Ao apresentar sua teoria, ele enfrentou a crença geral de que todas as espécies foram criadas e mantiveram-se inalteradas desde a criação; também confrontou Cuvier, influente na época, que justificava a perda de espécies não como etapas intermediárias entre o primitivo e o presente, mas como formas de vida diferentes, extintas por catástrofes geológicas sofridas pela Terra. A teoria de Lamarck trata da evolução da vida, não da sua origem: ele aceitava que a vida surgiu espontaneamente em suas formas mais simples. Seriam necessários cinquenta anos até que Pasteur demonstrasse que processos como fermentação e decomposição eram devidos à ação de organismos vivos; o crescimento de microrganismos em caldo nutritivo não ocorria por geração espontânea.
Lamarck delineou sua teoria em um momento em que o estado das ciências naturais era considerado caótico. Com base na observação da natureza, onde os organismos parecem perfeitamente adaptados ao ambiente em que vivem, ele postulou a seguinte alternativa: ou os organismos foram criados com todos os ajustes para todos os ambientes existentes na Terra e esses ambientes não mudaram desde a criação, ou os organismos adaptaram-se aos ambientes e, portanto, modificaram sua estrutura à medida que o ambiente mudava. Ao propor a evolução da vida, Lamarck desenvolveu um mecanismo para explicar como ela ocorreria. Para ele, a natureza procedia por tentativa e erro, e sua teoria pôde ser resumida assim: as circunstâncias criam necessidades; a necessidade cria hábitos; as mudanças de hábito, por uso ou desuso de órgãos, produzem alterações; e instrumentos específicos da natureza são responsáveis por fixar essas alterações.
Seis pontos descritos por Lamarck
- Todas as entidades organizadas (organismos) da Terra foram produzidas pela natureza após uma sucessão de tempo enorme.
- Na sua marcha constante, a natureza começou, e mesmo reiniciou em várias ocasiões, a formar grupos organizados mais simples, e não diretamente os mais complexos; ou seja, esses organismos foram primeiros esboços gerados por geração espontânea.
- Os primeiros esboços de animais e plantas desenvolveram-se gradualmente e, eventualmente, os órgãos diversificaram-se.
- O poder de uso inerente a cada órgão deu origem a diferentes modos de propagação e regeneração dos indivíduos. Assim, os progressos adquiridos foram preservados.
- Com o passar do tempo, as mudanças nas circunstâncias do planeta Terra — resultantes de hábitos diferentes e novas situações — exigiram que os organismos mantivessem e aumentassem sua diversidade.
- Mudanças na organização e nas suas partes — formando novas espécies — foram sucessivamente produzidas de modo insensível. Como as espécies não mantêm constância absoluta, elas não podem ser tão antigas quanto se supunha.
Duas leis de Lamarck
Primeira lei: Em todo animal, enquanto não ultrapassado o prazo do seu desenvolvimento, o uso frequente e contínuo de qualquer órgão fortalece-o gradualmente, em proporção ao tempo de uso, enquanto o desuso constante enfraquece-o e pode até fazê-lo desaparecer.
Segunda lei: Tudo o que um ser vivo ganha ou perde por influência das circunstâncias em que a raça foi submetida por longo tempo é preservado pela natureza para a geração de novos indivíduos, desde que as modificações adquiridas sejam comuns a ambos os sexos ou possam ser transmitidas por reprodução.