Teorias do Conhecimento: Dogmatismo, Ceticismo e Positivismo
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Teorias do Conhecimento e os Limites da Razão
Filosofia e Conhecimento Dogmático
O conhecimento dogmático e as crenças vulgares baseiam-se na tradição ou no dogma revelado por um deus. As tradições e os dogmas são indiscutíveis porque são justificados pela autoridade sagrada dos ancestrais ou deuses. Estes conhecimentos são comuns porque não oferecem qualquer prova racional dos seus créditos. O conhecimento dogmático é aceito sem contestação ou argumento, muitas vezes devido a histórias de feiticeiros ou mitos supersticiosos.
Estes conhecimentos aceitam a existência de entidades sobrenaturais que agem por impulso e causam desastres naturais. A Filosofia Grega, desde a sua origem, é caracterizada pela crítica aos mitos específicos de cada comunidade que apelam a forças sobrenaturais. A filosofia exclui a intervenção de seres sobrenaturais e as suas explicações baseiam-se em leis imutáveis.
Os Limites do Conhecimento
Existem três teorias básicas sobre os limites do conhecimento:
1. Dogmatismo
O Dogmatismo corresponde à infância da razão humana, segundo Kant. Esta é a posição intelectual daqueles que acreditam que a razão humana pode conhecer todas as leis da natureza e decifrar todos os enigmas, pois a sua capacidade não conhece limites. Os dogmáticos acreditam que a ignorância é temporária e desaparecerá no futuro, quando os homens tiverem atingido a onisciência.
2. Ceticismo
O Ceticismo é definido pela vontade de investigar para encontrar uma prova incontestável da veracidade das afirmações. Os céticos reconhecem que o nosso conhecimento tem limites e duvidam de qualquer afirmação sobre a qual não há certeza absoluta. O ceticismo suspende o julgamento sobre a verdade ou falsidade das declarações até ao momento em que se descubra a prova indiscutível de uma ou outra coisa. A prática da suspensão do julgamento, ou *epoché*, evita comentar declarações que ainda não são evidentes.
3. Criticismo de Kant
O Criticismo de Kant admite que há conhecimentos científicos, mas que a razão humana tem limites. A ciência torna-se possível ao estudar as condições de possibilidade do conhecimento científico. Estes estudos determinam os limites do conhecimento humano. Kant argumenta que a ciência natural só pode tratar os fenômenos ou fatos da experiência e, portanto, não pode ter qualquer conhecimento de algo que ultrapasse a experiência humana. O Criticismo é uma posição intelectual intermédia entre o dogmatismo e o ceticismo, e resume-se na afirmação de que a razão humana só pode conhecer os fenômenos.
Positivismo e Pragmatismo
Positivismo (Auguste Comte)
Auguste Comte fundou um sistema filosófico denominado Positivismo. É uma teoria do conhecimento que aponta limites muito claros para a razão humana. O Positivismo aceita que a experiência sensorial é a única fonte de conhecimento e concorda que a indução permite descobrir as leis universais necessárias. Rejeita qualquer saber metafísico que não esteja relacionado à experiência dos fatos.
Comte via a Física Social como a ciência suprema, visando descobrir as leis que regem os fatos sociais e determinar a ordem e o progresso. Isso envolve uma interpretação do cientificismo que afirma que o único conhecimento válido é o *saber positivo*, aquele que utiliza o método experimental.
Pragmatismo
O Pragmatismo sugere que as teorias científicas devem ser examinadas pela sua utilidade na solução de problemas sociais. A ciência não deve apontar para descobrir leis objetivas que regem o mundo, mas sim desenvolver teorias científicas que são confirmadas pela experiência. Os pragmatistas rejeitam a hipótese tradicional de que as teorias verdadeiras descrevem a realidade, alegando que não há prova disso. Rejeitam o conceito de verdade e propõem a chamada Teoria Pragmatista da Verdade, segundo a qual as teorias são alternativas preferíveis com base na sua eficácia.
O Idealismo de Hegel
Hegel era um filósofo idealista alemão que defendia que a realidade é totalmente racional. Ela provém do que Hegel chama de Espírito Absoluto, uma entidade imaterial que rege a natureza e toda a história. Afirma que o real é racional porque se trata do Espírito Absoluto, e diz que o racional é real no sentido de que as instituições humanas estão a tornar-se mais racionais e justas.
Hegel defende o progresso histórico e a *astúcia da razão*, segundo a qual a humanidade progride indefinidamente, utilizando os meios mais inesperados, como é o caso da guerra. Ele tem total confiança na capacidade da razão humana, porque a realidade é racional. Sua teoria do conhecimento é considerada um dogma.