Teorias Sociológicas: Organicismo, Contratualismo e Cultura
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Teoria Orgânica
Uma sociedade é um grupo de indivíduos que têm uma cultura comum. Historicamente, as primeiras teorias que surgem são as do organismo. De acordo com o organicismo, a sociedade é um organismo que transcende os indivíduos. O todo social é diferente da soma de suas partes (indivíduos). O organicismo postula que a sociedade é anterior ao sujeito. A parceria faz parte da essência do ser humano, de modo que aqueles que vivem isolados não podem ser considerados como tal. Aristóteles chegou a dizer que quem vive fora da polis ou é um deus ou uma besta, mas não um homem.
Teoria Contratualista: Hobbes, Locke e Rousseau
- Segundo Hobbes, no estado de natureza os homens são pobres e vivem em um estado de guerra de todos contra todos. Para resolver este problema e alcançar a paz, assinam um contrato social no qual as pessoas cedem todos os seus direitos ao Estado ou governante. O regime político resultante é a tirania. O Estado é um monstro criado com a liberdade e os direitos de todos os indivíduos.
- Locke apresenta um estado de natureza em que os indivíduos não vivem isolados, mas em pequenas comunidades e são felizes, desfrutando de plena liberdade e plenos direitos. O direito mais importante, segundo Locke, é o direito à propriedade privada. Surge a democracia liberal.
- Rousseau considera que os indivíduos no estado de natureza são livres, felizes e bons, mas são forçados a uma questão de sobrevivência. Para resolver este problema, baseia-se a sociedade e desenvolve-se uma instituição que permite o desenvolvimento econômico: a divisão do trabalho para que as pessoas troquem seus produtos; esta instituição é benéfica e necessária para a sociedade. Rousseau disse que os problemas da sociedade começam quando um indivíduo cerca um campo e diz: "Isto é meu", e os outros são ingênuos o suficiente para acreditar nele. Para ele, o contrato social não visa formar a sociedade, mas sim a sua consolidação.
Significado de Cultura
A palavra alemã Kultur tem a ver com todas as ideias e técnicas de uma sociedade, opondo-se à ignorância. O termo civilização francesa refere-se aos costumes e hábitos sociais, opondo-se à selvageria. De acordo com a visão grega, cultura é tudo o que permite e possibilita o desenvolvimento humano, a humanização do indivíduo. O conhecimento e a cultura são práticas sociais que possibilitam essa humanização, e não se opõem a ela, ao contrário do termo "barbárie".
Processo de Socialização
- Primária: Ocorre na infância e os principais agentes de socialização são a família e a escola. Neste processo, a criança internaliza as normas sociais fundamentais. Internalizar as regras significa adotá-las como próprias, de modo que se tornam parte da consciência do indivíduo. Exemplos: a proibição do incesto e do canibalismo.
- Secundária: Ocorre desde a adolescência e por toda a vida adulta, e seus agentes de socialização são as instituições às quais o indivíduo se une no curso de sua vida, tais como o trabalho, a faculdade ou o clube esportivo. Durante este processo, o indivíduo assimila o papel social. Papéis são as diferentes posições que um indivíduo pode ocupar em uma sociedade, e algumas não são escolhidas e outras sim. O papel social é o comportamento que acompanha um papel social.
Legalidade e Legitimidade do Estado
O Estado deve ser legal e legítimo. A legalidade refere-se à consistência de um Estado com as leis. Um Estado é legal se ele cumpre a lei. A legitimidade é um componente moral e refere-se à aceitação de um regime político no poder. Assim, um Estado é legítimo se cumpre uma série de condições morais e políticas que permitem sua permanência. Exemplos: a ditadura de Hitler foi legal, mas não foi legítima, enquanto a ditadura de Franco na Espanha foi ilegal e ilegítima desde o início.
A velha noção de legitimidade é a força: um regime é legítimo porque é o mais forte.
Outro critério é o carisma do líder: é a personalidade do líder, sua capacidade de conduzir as massas ou de desenvolver o Estado como lhe convém.
Outro critério é a tradição e a religião: um Estado é legítimo porque está definido em mandamentos divinos. Um Estado é legítimo quando respeita as regras da democracia.
Modelo Representativo
Deve ser estabelecido em todos os Estados democráticos. Tem suas origens nas teorias políticas do fascismo de Mosca e Pareto, segundo os quais o governo do Estado deve estar nas mãos de uma elite, tanto econômica quanto intelectualmente. Essas ideias são combinadas com a posição do teórico político e econômico austríaco Joseph Schumpeter, que defende que o governo da elite deve estar sujeito às leis do mercado. Desta forma, os cidadãos escolhem aquele que melhor atende às exigências da sociedade, ou aquele que oferece os melhores produtos para atender a essa demanda. A democracia representativa funciona como um mercado onde os cidadãos oferecem seus produtos e, de tempos em tempos, decidem quais produtos consideram melhores.