O Termo "Reconquista": Análise Historiográfica e Crítica
Classificado em História
Escrito em em
português com um tamanho de 2,93 KB
O Termo "Reconquista": Historiografia e Tradição
Segundo alguns estudiosos [1], o termo é historicamente inexato, uma vez que os reinos cristãos que "recapturaram" o continente foram estabelecidos após a invasão islâmica, apesar das tentativas de algumas dessas monarquias se apresentarem como descendentes diretos do antigo Reino Visigodo. Seria, sim, um desejo de legitimidade política desses reinos, que de fato se consideravam verdadeiros herdeiros e descendentes dos Visigodos, e a tentativa dos reinos cristãos (especialmente Castela) de justificar as suas conquistas, considerando-se os herdeiros de sangue dos Godos.
O termo também parece confuso, especialmente considerando o fato de que, após o colapso do Califado (início do século XI), os reinos cristãos optaram por um domínio de política fiscal – as parias (tributos) – sobre as Taifas, e não por uma clara expansão para o sul. Além disso, os conflitos entre as diferentes coroas e as lutas de sucessão dinástica só levaram a acordos de parceria contra os muçulmanos em momentos pontuais.
No entanto, a reação precoce na costa cantábrica contra o Islão (lembre-se que D. Pelayo repeliu os sarracenos em Covadonga apenas sete anos após a travessia do Estreito de Gibraltar), e a rejeição do território francês após a Batalha de Poitiers, em 732, podem apoiar a ideia de que a Reconquista começou quase imediatamente após a conquista árabe.
Além disso, "grande parte da costa cantábrica nunca chegou a ser conquistada" [ carece de fontes? ], o que justifica a ideia de que a conquista árabe e a Reconquista cristã tiveram durações muito diferentes (curta e muito longa, respetivamente), mas se sobrepõem. Deste modo, o período poderia ser considerado como um único período histórico, principalmente se considerarmos que a Batalha de Guadalete, a primeira batalha para defender o Reino Visigodo em 711, marca o início da invasão muçulmana.
Na Idade de Ouro, havia poetas que definiam e nomeavam os espanhóis como "Godos" (como disse Lope de Vega: "Eia, o sangue dos Godos" [ carece de fontes? ]). O termo também era usado por patriotas americanos durante as Guerras de Independência na América (daí o seu uso nas Ilhas Canárias para se referir à Espanha continental).
É por isso que os críticos dizem que o termo é um conceito parcial, pois só transmite a visão cristã e europeia deste complexo processo histórico, ignorando o ponto de vista dos muçulmanos andalusis. Por outro lado, do lado cristão, pode-se dizer que houve consciência da "Reconquista".
Outros historiadores, como Ignacio Olague Videla, na obra A Revolução Islâmica no Ocidente (1974), acreditam que a invasão militar...