Terraço do Café e Impressionismo: Van Gogh e Renoir
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Van Gogh — "O Terraço do Café à Noite"
O Terraço do Café à Noite é uma pintura de Vincent van Gogh que expressa suas impressões do sul da França. O café retratado fica na Place du Forum, no coração de Arles. A iluminação a gás e a luz das estrelas tornam a composição especialmente atraente: as pequenas mesas e cadeiras ocupadas por clientes, a garçonete em evidência e, na rua mais escura, várias figuras andando.
O pintor se interessa por mostrar, em detalhe, o terraço com pinceladas soltas — sem perder a expressividade. O pavimento é trabalhado com pequenos toques curtos que caracterizam grande parte de sua obra. As sombras apresentam um tom roxo que remete à iluminação a gás e a atenção de Van Gogh às qualidades lumínicas aproxima a obra de conceitos impressionistas.
As cores — especialmente lilás, roxo e amarelo — preenchem a composição e transmitem a alegria que impregnava o espírito do artista enquanto aguardava a chegada de Paul Gauguin, com quem esperava formar uma comunidade de artistas. A criação de Van Gogh nasce da observação direta da natureza e da liberdade expressiva.
Van Gogh — "Noite Estrelada" (Saint-Rémy, 1889)
Noite Estrelada (Starry Night) é uma das cenas mais vigorosas e sugestivas de Van Gogh. Pintada em maio de 1889, enquanto estava internado no asilo de Saint-Rémy, mostra a vista a partir de sua janela. A representação das estrelas como pontos de luz rodeados por halos e o padrão em espiral que domina o céu são toques pessoais do artista, influenciados pelas gravuras japonesas e pela observação de técnicas pontilhistas como as de Seurat.
Ao fundo, vê‑se a silhueta de uma cidade com uma torre de igreja que preside o conjunto. As linhas de contorno dos edifícios e das montanhas são marcadas por tons escuros, lembrando a técnica do cloisonné usada por alguns contemporâneos. A paleta característica do período de 1889 — lilás, roxo e amarelo — traduz a euforia do artista, embora também antecipe uma recaída grave que Vincent sofreria posteriormente.
Contexto: "Impressão, Nascer do Sol" e a ruptura com o Salão
Impressão, Nascer do Sol (Impression, Sunrise) de Claude Monet foi fundamental para o nome e a visibilidade do movimento impressionista. No século XIX, o Salão de Paris era a principal vitrine oficial da pintura na França, com um júri rigoroso. O escândalo de 1863 — com a recepção polêmica de O Almoço na Relva de Manet — contribuiu para a criação do Salon des Refusés, onde muitas obras rejeitadas ganharam destaque entre artistas jovens e vanguardistas.
Os pintores que se reuniam no Café Guerbois em torno de Manet decidiram criar um fórum alternativo para expor obras modernas. Essa iniciativa culminou na Primeira Exposição dos pintores, escultores e escritores realizada entre 15 de abril e 15 de maio de 1874 nas salas cedidas pelo fotógrafo Nadar. Em obras como Impressão, Nascer do Sol, as pinceladas soltas e a sensação de improvisação privilegiam o instante e não o detalhe minucioso. Barcos e reflexos aquáticos são sugeridos por traços nervosos e cores fragmentadas que criam sensação de movimento.
Renoir — "Almoço dos Remadores"
O Almoço dos Remadores (Le Déjeuner des Canotiers), de Pierre-Auguste Renoir, é um exemplo marcante do interesse impressionista pelas cenas da vida cotidiana. Renoir sentia atração especial por temas como Le Moulin de la Galette, guarda-chuvas e cenas de convívio carregadas de alegria e vitalidade.
Para pintar O Almoço dos Remadores, Renoir passou um verão em Chatou. No primeiro plano à esquerda está Aline Charigot, costureira que mais tarde foi sua esposa, brincando com um pequeno cão. Ao lado aparece Alphonse Fournaise, proprietário do restaurante; atrás, Alphonsine Fournaise inclina‑se sobre o corrimão; o Barão Raoul Barbier, um oficial de cavalaria, surge entre os personagens. À direita, em primeiro plano, está o artista e patrono Gustave Caillebotte; ao seu lado, a atriz Ellen Andrée; o jornalista italiano Maggiolo inclina‑se junto a ela. Ao fundo aparecem Eugène Lestringuez, Paul Lhote e a atriz Jeanne Samary. No centro e na parte inferior da tela, sentada à mesa, está Angèle, modelo favorita de Renoir, capturada bebendo de seu copo. Atrás dela, o filho do dono do restaurante conversa com o financista Charles Ephrussi, identificado pelo cartola.
Nessa obra, Renoir captura grandes quantidades de luz: uma abertura no balcão ao fundo fornece a maior parte da iluminação, e as camisas dos homens funcionam como superfícies que refletem luz por toda a composição. A natureza morta de garrafas, frutas, pratos e copos integra a cena, demonstrando a facilidade de Renoir com esse gênero. As figuras estão sob um toldo que filtra a luz solar, criando sombras coloridas típicas do impressionismo. A disposição das figuras, os rostos realistas e o sentimento de vida tornam a obra uma das mais atraentes do pintor.
Características do Impressionismo
- Plein air: a prática da pintura ao ar livre consolidou o interesse pela natureza efêmera — o mar, o céu, as nuvens e o sol.
- Realismo do instante: captura de fragmentos de vida e da volatilidade do visível, priorizando o momento.
- Teoria das cores: influência das teorias sobre decomposição da luz; uso de cores puras e misturas diretas na tela para que o olho do espectador produza a cor resultante.
- Desenho não é prioritário: o desenho tradicional, usado para definir volumes, perde importância diante da busca pela mudança luminosa e atmosférica; as formas podem ficar vagas.
- Pincelada solta e rápida: manchas mais ou menos densas, toques grossos e curtos traduzem as vibrações da atmosfera.
- Luz como elemento central: seguindo ideias como as de Constable, os impressionistas consideraram a cor em termos de luz e pintaram matizes brilhantes entrelaçados.
- Influências: entre as principais influências estão o retrato, o pontilhismo em certos casos e as gravuras japonesas.
Esses traços definiram o impressionismo como um movimento que revolucionou tanto a técnica quanto a percepção da pintura, privilegiando a experiência visual imediata e a sensibilidade diante da luz e da cor.