Tipos de Estudos Epidemiológicos: Guia Completo
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Estudos Descritivos
Os estudos descritivos incluem: séries de casos, séries temporais, estudos transversais e estudos ecológicos.
- Séries de Casos: Documentam características particulares e pouco habituais num conjunto de indivíduos doentes.
- Séries Temporais: Documentam as alterações na ocorrência da doença ao longo de períodos de tempo prolongados, geralmente anos ou décadas.
- Estudos Transversais: Determinam quantitativamente a distribuição dos estados de saúde e dos seus determinantes numa população e num determinado momento temporal.
- Estudos Ecológicos: Utilizam como unidade de observação grupos de indivíduos e não indivíduos isolados; estudam a ocorrência de doença num grupo em função das características desse grupo.
Estudos Analíticos
Estudos Transversais
Avaliam a hipótese de existir associação entre um fator de risco e uma doença. A medição do estado de exposição e do estado de saúde/doença é realizada em simultâneo.
- Casos prevalentes: Risco de causalidade inversa.
- Vantagens: Geralmente menos dispendiosos; resultados obtidos com maior rapidez.
- Limitações: Dificuldade no estabelecimento da sequência temporal entre exposição e doença; enviesamento dos resultados quando o fator de risco é também fator de prognóstico.
Estudos Ecológicos
- Vantagens: Menos dispendiosos; resultados obtidos com maior rapidez.
- Limitações: Disponibilidade de informações sobre a exposição (ex: consumo de álcool) e doença (ex: taxa de mortalidade por cirrose); falácia ecológica; dificuldade em avaliar potenciais confundidores.
Estudos de Coorte
Podem ser prospectivos (casos diagnosticados durante o estudo) ou retrospectivos (casos diagnosticados antes do início do estudo).
Retrospectivos
- Mais rápidos e menos dispendiosos.
- Permitem estudar exposições que já não são utilizadas e doenças com longo período de latência.
- Dependem da existência de registos sistemáticos.
Prospectivos
- Informação obtida em registos recentes ou propositadamente para a investigação.
- Mais morosos e dispendiosos.
Seleção dos participantes: Indivíduos sem a doença em estudo, selecionados de acordo com o estado de exposição (fumadores vs. não fumadores). Fontes: registos médicos, entrevistas ou medições fisiológicas.
Vantagens: Estabelecimento da relação temporal, útil para exposições raras, permite estudar múltiplos efeitos e medição direta da incidência.
Limitações: Perda de indivíduos no seguimento, pouco eficiente para doenças raras ou com longos períodos de latência.
Estudos Experimentais
A atribuição de uma exposição (intervenção) implica limitações éticas: só podem ser intervenções preventivas ou terapêuticas, e não pode haver conhecimento de uma intervenção melhor do que a do protocolo.
- Ensaios de Campo: Avaliam prevenção primária (vacinas, suplementos). Participantes sem doença; aleatorização individual.
- Intervenções Comunitárias: Avaliam efeitos preventivos (comportamentais, ambientais). Participantes são comunidades; aleatorização por grupos.
- Experiências Laboratoriais: Estudam respostas fisiológicas ou comportamentais em voluntários. Comparação antes e depois da intervenção.
Ensaios Clínicos
Fases de desenvolvimento:
- Fase I: Tolerabilidade (dose máxima).
- Fase II: Atividade biológica (estudo piloto).
- Fase III: Ensaio clínico (papel na prática clínica).
- Fase IV: Vigilância pós-comercialização (segurança).
Medicina: Foca em etiologia, diagnóstico, intervenção e prognóstico.
Critérios de exclusão: Risco de reação adversa, baixa probabilidade de eficácia, baixa adesão, risco de perda de seguimento ou questões práticas.
Randomização: Essencial para promover a comparabilidade entre grupos e permitir inferências causais.
Efeito do tratamento: E = HN (História Natural) + SD (Subjectividade do Doente) + SM (Subjectividade do Médico) + EF (Efeito Farmacológico).