Tópicos Essenciais: Farmacologia e Qualidade Farmacêutica

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Resumo Comparativo: Maconha e Cocaína

1. Padrão de Uso

Maconha

É geralmente consumida por inalação (fumo) ou ingestão oral. Seus efeitos se manifestam em poucos minutos quando fumada, atingindo o pico em cerca de 30 minutos e durando até 2 horas. Quando ingerida, os efeitos demoram mais para iniciar, mas podem durar mais tempo.

Cocaína

É comumente utilizada por via intranasal (aspiração), intravenosa ou fumada (na forma de crack). A via de administração influencia a rapidez e intensidade dos efeitos, sendo a injeção intravenosa e o fumo as formas de ação mais rápida.

2. Características Químicas

Maconha

A principal substância psicoativa é o delta-9-tetraidrocanabinol (Δ9-THC), um composto fenólico lipofílico. O THC apresenta baixa solubilidade em água e é sensível à luz e ao calor, podendo se transformar em outros canabinoides, como o canabidiol (CBD).

Cocaína

É um alcaloide tropânico derivado das folhas da planta Erythroxylum coca. Apresenta-se principalmente na forma de cloridrato de cocaína (pó branco solúvel em água) e na forma de base livre (crack), que é insolúvel em água e geralmente fumada.

3. Toxicocinética

Maconha

Após a inalação, o THC é rapidamente absorvido pelos pulmões, atingindo o cérebro em minutos. Devido à sua alta lipossolubilidade, acumula-se no tecido adiposo, sendo liberado lentamente. O THC é metabolizado no fígado, principalmente pelas enzimas do citocromo P450, formando o 11-hidroxi-THC, um metabólito ativo. A eliminação ocorre principalmente pelas fezes e urina.

Cocaína

É rapidamente absorvida, dependendo da via de administração. Possui uma meia-vida plasmática curta (aproximadamente 1 hora) e é metabolizada principalmente no fígado e plasma, formando metabólitos como a benzoilecgonina e a ecgonina metil éster. A eliminação ocorre principalmente pela urina.

4. Mecanismo de Ação Farmacológica

Maconha

O THC atua principalmente nos receptores canabinoides CB1 e CB2, modulando a liberação de neurotransmissores como dopamina, noradrenalina, acetilcolina e GABA. Essa ação resulta em efeitos como euforia, alterações na percepção temporal e espacial, relaxamento e aumento do apetite.

Cocaína

Inibe a recaptação dos neurotransmissores dopamina, noradrenalina e serotonina, aumentando suas concentrações na fenda sináptica. Isso leva a efeitos estimulantes, como euforia, aumento da energia, vigilância e potencial para dependência.

5. Clínica da Intoxicação

Maconha

Os efeitos agudos incluem euforia, relaxamento, alterações na percepção sensorial, taquicardia, olhos vermelhos e aumento do apetite. Em doses elevadas, podem ocorrer ansiedade, paranoia e, raramente, alucinações. O uso crônico está associado a prejuízos cognitivos e síndrome amotivacional.

Cocaína

A intoxicação aguda pode causar agitação, taquicardia, hipertensão, hipertermia, convulsões e, em casos graves, infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC). O uso crônico está associado a distúrbios psiquiátricos, como paranoia e alucinações, além de danos ao septo nasal (uso intranasal) e risco aumentado de doenças cardiovasculares.

Garantia da Qualidade na Indústria Farmacêutica

Ementa e Objetivo da Disciplina

  • Estudo dos aspectos legais e aplicação prática de ferramentas para planejar, implementar e manter sistemas de Garantia da Qualidade (GQ) na indústria farmacêutica.

Legislação e Regulamentações

  • RDC nº 301/2019: Estabelece diretrizes das Boas Práticas de Fabricação (BPF).
  • IN nº 47/2019: Complementa a RDC 301/2019, focando em qualificação e validação.

Regularização na Indústria

A regularização envolve dois níveis:

  • Produto: Registro sanitário.
  • Empresa: Autorização de funcionamento.

Ambos devem estar em conformidade para operar.

Conceitos Fundamentais de Qualidade

  • Controle em Processo (CEP): Avaliações feitas durante a produção, em tempo real.
  • Controle de Qualidade (CQ): Análises finais, após a produção.
  • Garantia da Qualidade (GQ): Sistema que engloba todas as medidas preventivas e corretivas para assegurar a qualidade dos medicamentos ao longo de todo o processo.

Documentação e Tipos de Documentos

Procedimentos e Instruções

  • Procedimento Operacional Padrão (POP): Descreve rotinas padronizadas da empresa.
  • Instruções: Detalham como executar etapas específicas dentro dos procedimentos.

Manual da Qualidade

Documento macro que descreve:

  • Política de qualidade;
  • Escopo do sistema;
  • Processos e suas interdependências;
  • Responsabilidades da gestão.

Serve como guia geral do sistema da qualidade.

Protocolos

Documentos técnicos que descrevem como será executada uma qualificação, validação, limpeza ou qualquer processo controlado. Incluem cronogramas, critérios de aceitação e parâmetros críticos.

Registros

Comprovam que a atividade foi realizada como planejado. Incluem assinaturas, datas, medições, resultados e observações.

Definições Técnicas Importantes

  • Verificação: Confirmação pontual de conformidade.
  • Calibração: Comparação com padrões conhecidos.
  • Manutenção: Ações para manter equipamentos funcionais.
  • Qualificação: Demonstra que equipamentos/sistemas funcionam conforme requisitos.
  • Validação: Confirma que processos e métodos produzem resultados consistentes.

Abrangência da Qualificação e Validação

Qualificação

  • Equipamentos e sistemas, incluindo os computadorizados.
  • Utilidades que impactam a qualidade (ex.: água purificada, HVAC).
  • Fornecedores (matéria-prima, embalagem, serviços críticos).

Validação

  • Métodos analíticos, processos produtivos, esterilização, limpeza.
  • Sistemas computadorizados e transporte.

Tipos de Qualificação (QI, QO, QD)

  • QI (Qualificação de Instalação): Equipamento instalado conforme projeto.
  • QO (Qualificação de Operação): Equipamento opera dentro dos parâmetros previstos.
  • QD (Qualificação de Desempenho): Equipamento funciona de forma efetiva e reprodutível no processo real.

Componentes Essenciais da Validação

  • Plano Mestre de Validação (PMV): Documento geral de planejamento.
  • Protocolo de Validação: Detalhamento técnico do que será feito.
  • Registro do Processo: Execução documentada da validação.
  • Relatório Final: Avaliação dos resultados obtidos.

Tipos de Validação

  • Prospectiva: Realizada antes da produção.
  • Concorrente: Realizada durante a produção (circunstâncias especiais).
  • Retrospectiva: Baseada em histórico (quando não há alterações no processo).

Fórmula de Fabricação

Descreve:

  • Nome e código do produto;
  • Forma farmacêutica e concentração;
  • Matérias-primas;
  • Rendimentos esperados e limites aceitáveis.

Instruções de Processo

Incluem:

  • Local e equipamentos utilizados;
  • Métodos de limpeza e preparação;
  • Verificações prévias à produção;
  • Sequência de etapas, controles e parâmetros críticos;
  • Armazenamento intermediário e precauções especiais.

Sistema CAPA (Ação Corretiva e Preventiva)

  • Usado para investigar desvios, não conformidades e eventos críticos.
  • Busca a causa raiz e define ações corretivas e preventivas para evitar recorrência.

Ferramenta de Análise: Diagrama de Ishikawa

  • Também chamado de "espinha de peixe".
  • Estrutura visual usada para investigar causas de falhas e organizar ideias durante a investigação de desvios.

Etapas na Investigação de Falhas

  1. Identificação da falha: O que deu ou pode dar errado?
  2. Efeitos da falha: Impacto na qualidade ou segurança.
  3. Causas prováveis: Deve-se buscar a causa raiz, não apenas sintomas.
  4. Controles existentes: Medidas preventivas como POPs, análises de CQ, treinamentos e instruções formais.

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