Tópicos Essenciais em Odontopediatria e Ortodontia

Classificado em Medicina e Ciências da Saúde

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LIP BUMPER (PLA)

O Lip Bumper (PLA) é um aparelho utilizado para:

  • Ancoragem Inferior: Neutraliza o movimento mesial dos molares inferiores ou pode distalizá-los (especialmente quando um elástico é adicionado à PLA), utilizando a hipertonicidade do lábio inferior contra os molares.
  • Recuperação do Espaço Mandibular: Conquista de espaço no arco inferior pela vestibularização dos incisivos inferiores, resultado da anulação da ação do lábio sobre eles e da ação funcional da língua.

O espaço livre obtido com o uso da PLA pode ser empregado para diminuir o apinhamento. Este tratamento é considerado mais estável do que a extração de pré-molares.

Mordida Cruzada Anterior

Define-se como a relação vestibulolingual anormal entre incisivos superiores e inferiores, comprometendo a estética dentofacial e as funções do sistema estomatognático.

Classificação (Segundo Moyers)

Existem 3 tipos:

  1. Dentária
  2. Funcional
  3. Esquelética

Mordida Cruzada Dentária

Caracteriza-se pela relação normal do esqueleto anteroposterior. Geralmente, tem início durante a dentição mista e apresenta uma incidência de 4% a 5%.

Etiologia

É multifatorial, incluindo:

  • Fatores hereditários
  • Fatores ambientais
  • Trauma
  • Retenção prolongada
  • Perda prematura
  • Dentes supranumerários
  • Parafunção e hábitos
Tratamento

Pode ser realizado com pistas de Resina Composta (RC).

Sobremordida Profunda

Caracteriza-se por um trespasse vertical acentuado entre os dentes anteriores (o normal é de 2 a 3 mm).

Etiologia

A causa é multifatorial e pode estar relacionada a:

  • Perda dentária posterior
  • Retrusão mandibular
  • Desgaste dos dentes posteriores
  • Comprimento dos incisivos superiores e inferiores
  • Padrão facial
  • Supraerupção de incisivos
  • Infraerupção de molares ou a combinação desses fatores

Correção e Tratamento

O tratamento pode ser realizado com:

  • Aparelho Guia de Erupção: Proporciona protrusão mandibular. A espessura na região anterior mantém os dentes posteriores desocluídos e aplica forças intrusivas nos dentes anteriores quando o paciente oclui com força no aparelho.
  • Placa de Mordida.
Controle da Colaboração

Quando o paciente utiliza o aparelho corretamente por um período de 4 horas diárias ativamente e durante a noite, o aparelho, que possui um aspecto brilhante, torna-se fosco devido à absorção da umidade do meio bucal.

Hipoplasia Molar Incisivo (HMI)

A HMI é caracterizada pela formação incompleta ou defeituosa da matriz orgânica do esmalte dentário, resultante de estímulos sobre os ameloblastos do germe dentário em desenvolvimento.

Aspectos Clínicos

  • O esmalte é macio e poroso, com aparência de “queijo holandês” ou giz.
  • As opacidades demarcadas são amarelo-acastanhadas e possuem bordas distintas do esmalte normal adjacente.
  • Os dentes podem ser muito sensíveis ao ar frio, à água quente e durante a escovação, mesmo durante a erupção.
  • O esmalte poroso da hipomineralização pode romper-se facilmente, deixando a dentina desprotegida e favorecendo o desenvolvimento de lesão cariosa.
  • A perda de esmalte pode ocorrer rapidamente, parecendo que este tecido não foi previamente formado.
  • Pode atingir um ou todos os primeiros molares permanentes.
  • Defeitos são frequentemente encontrados nos incisivos superiores e inferiores, afetando principalmente os 2/3 oclusais da coroa.
  • Quando um defeito severo é encontrado em um molar, é provável que o dente contralateral também esteja afetado.
  • A HMI pode manifestar-se apenas em uma hemiarcada, enquanto no lado contralateral os dentes se apresentam hígidos.

Etiologia

Fatores de natureza sistêmica, como:

  • Doenças respiratórias e complicações perinatais.
  • Baixo peso ao nascimento associado à falta de oxigênio.
  • Doenças da infância com histórico de febre alta.

Pelo fato dos primeiros molares e incisivos permanentes serem frequentemente afetados, essa desordem deve ocorrer durante os três primeiros anos de vida da criança, período em que as coroas desses dentes estão em formação.

Tratamento

O tratamento varia conforme a severidade:

  • Escovação e educação dos pais e da criança.
  • Extração dos quatro primeiros molares, combinada com tratamento ortodôntico (em casos muito severos).
  • Restaurações com RC, clareamento dental ou microabrasão (incisivos são geralmente menos afetados que os molares).
Tratamento Restaurador

Materiais utilizados incluem:

  • Cimento de Ionômero de Vidro (CIV)
  • Cimentos de Ionômero de Vidro Modificado por Resina (CIVMR)
  • Resinas Compostas (RC)
  • Coroas de Aço Inoxidável (SSC)
  • Onlays adesivos indiretos e Amálgama

Pulpotomia em Dentes Decíduos

A pulpotomia é uma técnica conservadora essencial para evitar a perda prematura de dentes decíduos, seja por alterações provocadas pela cárie ou por traumas.

Materiais e Técnicas

Formocresol

Foi o material mais utilizado na pulpotomia. Possui características tóxicas, podendo causar agressão à polpa dental e reabsorção interna. O formocresol fixa os tecidos e não é considerado um material biológico como o MTA.

Hidróxido de Cálcio (Ca(OH)₂)

É mais indicado para dentes permanentes devido às suas propriedades antimicrobianas. Em dentes decíduos, pode resultar no desenvolvimento de inflamação pulpar crônica e reabsorção interna.

Agregado Trióxido Mineral (MTA)

É biocompatível e promove regeneração tecidual. Suas características incluem força mecânica, adequado tempo de presa e bom selamento marginal, prevenindo a microinfiltração.

Desvantagens: Elevados custos e dificuldades de manuseio.

Técnicas Eletrocirúrgicas

São mais rápidas e produzem menos efeitos colaterais quando comparadas à terapia com Formocresol.

Laser de Baixa Intensidade

Utilizado para diminuir a dor e estimular a reparação, cicatrização e regressão de edema, com consequente ação anti-inflamatória e bioestimulação celular. Promove ausência de comprometimento da furca ou necrose pulpar, com penetração autolimitante e redução ou ausência de sangramento.

Trauma na Dentição Decídua

Fatores Predisponentes e Fase Predominante

  • Fatores Predisponentes: Falta de selamento labial e Sobressaliência acentuada.
  • Fase Predominante: 1 a 3 anos.

Consulta Pós-Trauma: Diagnóstico

Anamnese
Coletar informações sobre: Quando, como e onde ocorreu o trauma?
Exame Geral
Verificar lesões extrabucais, na pele e no rosto.
Exame Radiográfico
Avaliar o estágio da erupção dentária, presença de fragmentos, fraturas ósseas, reabsorções radiculares e deslocamentos (intrusivos ou extrusivos).
Exame Clínico Intrabucal
Avaliar tecidos moles afetados, oclusão, teste de vitalidade e percussão, fratura e mobilidade.

Tratamento para Lesões Traumáticas nos Tecidos Dentários

1. Trinca de Esmalte
  • Tratamento: Fluorterapia.
  • Prognóstico: Favorável.
  • Proservação: Acompanhamento clínico e radiográfico nas consultas de rotina.
2. Fratura de Esmalte
  • Tratamento: Desgaste e polimento do dente (para evitar lacerações nos tecidos moles) e aplicação de flúor.
  • Prognóstico: Favorável.
  • Proservação: Realizada nas consultas de manutenção.
3. Fratura de Esmalte e Dentina (Sem Exposição Pulpar)
  • Tratamento: Verificar radiograficamente a proximidade com a polpa para determinar a necessidade de proteção do complexo dentino-pulpar.
    • Pacientes colaboradores: Resina Composta (RC).
    • Pacientes não colaboradores: Cimento de Ionômero de Vidro (CIV).
  • Prognóstico: Favorável.
  • Proservação: Clínica após 7 dias e radiográfica após 30/90 dias – até a esfoliação do elemento.
4. Fratura de Esmalte e Dentina (Com Exposição Pulpar)
  • Tratamento:
    • Dentes decíduos com raízes completas ou estágio inicial de rizólise: Pulpotomia.
    • Estágio tardio: Pulpectomia.
    • Dentes com rizólise avançada: Exodontia.
  • Prognóstico: Favorável.
  • Proservação: Clínica após 7 dias; Radiográfica após 30/90 dias e anualmente até a esfoliação.
5. Fratura Coroenorradicular (Sem Exposição Pulpar)
  • Tratamento:
    • Se a fratura se estender por 2 mm além do limite gengival: Exodontia.
    • Se a criança for colaboradora e a fratura estiver aquém do limite gengival: Restauração com Resina Composta.
  • Prognóstico: Favorável.
  • Proservação: Clínica após 7 dias. Clínica e radiográfica após 60/90/180 dias e anualmente até a esfoliação dentária.
6. Fratura Coroenorradicular (Com Exposição Pulpar)
  • Tratamento: O tratamento pulpar é necessário. Se subgengival, segue os mesmos princípios da fratura anterior.
  • Prognóstico: Favorável.
  • Proservação: Clínica após 7 dias. Clínica e radiográfica após 60/90/180 dias e anualmente até a esfoliação dentária.
7. Fratura Radicular
  • Fraturas Transversais:
    • Apicais e Médio: Reposicionamento por pressão digital e contenção rígida por 90 a 120 dias.
    • Terço Cervical: Exodontia (devido à mobilidade do fragmento que imobiliza a contenção).
  • Fraturas Longitudinais e Oblíquas: Exodontia.

Lesões Traumáticas nos Tecidos de Sustentação

1. Concussão

Pequena intensidade, envolvendo hemorragia do ligamento periodontal. Não provoca deslocamento, mobilidade ou sangramento do sulco.

  • Tratamento: Orientação dietética (dieta pastosa e líquida nas primeiras 48 horas). Restrição do uso de chupetas e mamadeiras.
  • Prognóstico: Favorável, com possibilidade de alteração de cor.
  • Proservação: 7 dias após o trauma e em consultas de rotina.
2. Subluxação

Intensidade baixa a moderada, provocando ruptura de fibras do ligamento, causando mobilidade sem deslocamento.

  • Tratamento: Orientação dietética e restrição do uso de chupetas e mamadeiras. Caso a mobilidade seja acentuada, contenção flexível por 10 a 14 dias.
  • Proservação: Clínica após 7 dias e clínico-radiográfica após 30/120 dias.
3. Luxação Lateral

Deslocamento no sentido mesial, distal, vestibular ou palatino. O estágio de rizólise deve ser inferior a 1/3 de reabsorção.

  • Tratamento:
    • Deslocamentos pequenos e sem interferências oclusais: A musculatura da língua e do lábio tende a reposicionar.
    • Deslocamentos maiores: Reposicionamento sob anestesia local e, caso haja mobilidade, contenção semirrígida.
    Deve-se realizar orientação em higiene e remoção de hábitos.
  • Prognóstico: Favorável para o dente permanente sucessor, mas com possibilidade de necrose no dente decíduo afetado.
  • Proservação: Avaliação clínica e remoção da contenção após 15 dias. Controle clínico e radiográfico 20/60/120 dias após a esfoliação.
4. Luxação Intrusiva
  • Tratamento:
    • Dentes intruídos em direção ao sucessor permanente: Exodontia.
    • Caso contrário: Aguardar a reerupção do dente decíduo.
    Nota: Em casos de fraturas da tábua óssea, a reerupção dificilmente acontece.
  • Prognóstico: Para o decíduo, se a reerupção ocorrer em até dois meses, o prognóstico é favorável.
  • Proservação: Avaliação clínica e radiográfica após 7 dias, 30/60/120 dias e até a erupção do dente permanente.
5. Avulsão (Luxação Total)
  • Tratamento: Não está indicado o reimplante na dentição decídua.
  • Prognóstico: Desfavorável para o sucessor permanente.
  • Achados Comuns: Hipocalcificações e hipoplasias no sucessor.
  • Proservação: Exame clínico após 1 semana e clínico-radiográfico após 6 meses até a erupção do dente permanente.

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