Traços do Fascismo na Itália após a Primeira Guerra
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Traços do fascismo
Traços do fascismo. O fascismo, surgido na Itália após a Primeira Guerra Mundial, foi o movimento mais proeminente do período entreguerras. A ideologia antiparlamentar e a oposição ao liberalismo tornaram-se a principal linha de divisão entre partidos políticos e cidadãos. Estados e grupos argumentavam princípios doutrinários que caracterizam o fascismo:
Princípios doutrinários
- Nacionalismo radical: representa, muitas vezes, um nacionalismo de povos derrotados ou defraudados, que consideram não ter recebido o que consideram um direito; esse nacionalismo radical pode incluir imperialismo, reivindicações territoriais e uma política agressiva.
- Antiparlamentarismo e anti-liberalismo: incentivou a submissão do indivíduo e a negação das liberdades pessoais. Os indivíduos são subordinados ao Estado ditatorial, e o governo deve ser exercido por uma elite eleita. Essas ideias favoreceram o racismo.
- Desconfiança da razão: o fascismo desconfia da primazia da razão e do intelecto, privilegiando sentimentos e fanatismos de massa.
- Liderança e culto ao chefe: a nação coloca seu destino nas mãos de um líder que reúne todos os poderes; o regime baseia-se no culto da personalidade do chefe, com proibição ou forte controle da propaganda que seja crítica.
A Itália, após a Primeira Guerra Mundial, ficou decepcionada com a Grande Guerra e com suas esperanças de expansão territorial, que não foram satisfeitas. Isso gerou uma séria crise política, econômica e social. Mostrou-se a incapacidade dos sucessivos governos em solucionar os problemas que afetavam o país. A situação econômica foi negativa e levou a protestos dos trabalhadores e sindicatos. A crise social aumentou e, entre os operários, confrontos entre polícia e trabalhadores resultaram em centenas de mortos.
Benito Mussolini criou as camisas-pretas. Seus militantes foram muito ativos no confronto com movimentos sociais de esquerda. Isso significava que as entidades patronais e o governo acreditavam que essas forças poderiam deter o movimento operário e restaurar a ordem pública. Em 1921, os fascistas se tornaram o Partido Nacional Fascista, com uma agenda política extremista que logo recebeu apoio político das classes médias.
Mussolini ganha poder
Mussolini ganha poder: A força do Partido Fascista de Mussolini levou-o ao poder. Os fascistas ameaçaram marchar sobre Roma, justificando a ameaça com a acusação de que o governo era incapaz de garantir a ordem. Diante desse fato, o rei demitiu o gabinete e nomeou Mussolini primeiro‑ministro.
Mussolini manteve a aparência de legalidade democrática enquanto transformava o Estado em ditadura. Obteve plenos poderes no parlamento à frente de um gabinete conservador‑fascista. Nas eleições convocadas em 1924 ele obteve cerca de 65% dos votos. Os partidos políticos foram abolidos e a imprensa passou a ser controlada e censurada. As agências governamentais fascistas, a propaganda e os ideais fascistas foram introduzidos na educação da juventude; os que não se conformavam sofreram perseguições.
Mussolini procurou legitimidade junto ao povo por meio de uma gestão eficaz. Prosseguiu uma política de grandes obras, como estradas, grandes edifícios e obras urbanas. Também promoveu medidas protecionistas para a indústria contra a concorrência externa e o desenvolvimento de uma economia com autonomia (o chamado autarquismo fascista). O regime introduziu medidas sociais, como legislação social e férias.
O Tratado de Latrão com a Santa Sé foi um dos primeiros sucessos do regime fascista. Foi reconhecida a soberania do Papa no Vaticano; a Igreja foi compensada financeiramente e recebeu um papel proeminente na educação. À metade dos anos 1930, a ditadura estava consolidada. No entanto, a Itália continuava sendo um país atrasado, com desenvolvimento econômico escasso.