Transformações Culturais e Educação na Espanha (Séc. XIX)

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Transformações Culturais: Mudança de Atitudes, Educação e Mídia

As mudanças culturais na Espanha do século XIX abriram caminho com muita dificuldade, devido à forte resistência e sobrevivência da cultura oficial eclesiástica. As características gerais da cultura do século XIX são: a influência (embora escassa) das tendências europeias, a convivência entre a tradição (sobretudo eclesiástica) e o progresso, o elevado grau de analfabetismo e o pouco interesse na cultura e na ciência.

Realmente, não se pode falar de uma mentalidade de modo uniforme em todos os grupos sociais; por exemplo, na mente popular, havia desde carlistas até anarquistas. Dentro da mentalidade burguesa, não havendo consciência de uma unidade de classe social, não podiam ter uma unidade de pensamento. Destacamos também a mentalidade dos militares, baseada na honra, na vitória... As mudanças vêm das tendências europeias, que são o krausismo, o positivismo e o darwinismo:

  • Krausismo: de origem alemã, apresenta um novo modelo de pensamento baseado na razão, consciência, disciplina, tolerância, europeização e anticlericalismo.
  • Positivismo: de origem francesa, introduziu o método científico para as ciências sociais.
  • Darwinismo: mostra a evolução das espécies.

O sistema educativo espanhol no século XIX está dividido em diferentes fases. No final do século XVIII e início do século XIX, com influências do Iluminismo na Espanha, Jovellanos defende a necessidade de criar escolas primárias em todas as aldeias. No Triênio Liberal, o poeta Quintana promove a educação na Espanha, falando sobre a necessidade de a educação ser pública, gratuita, uniforme e universal.

Durante a Década Ominosa (ou projeto absolutista), o plano de Quintana é cancelado, e o ministro Calomarde chega a fechar universidades e escolas. Durante o reinado de Isabel II, no governo moderado, proclama-se a Lei Geral da Instrução Pública ou Lei Moyano (1857), que regulamenta o sistema de ensino espanhol, dividindo-o em:

  1. Ensino público e privado (nas mãos da Igreja);
  2. Educação obrigatória para mulheres;
  3. Três níveis: fundamental, médio e universitário.

O ensino primário era obrigatório, mas nem sempre gratuito, e era ministrado nas aldeias sob responsabilidade pública ou privada, sendo caracterizado pelo conflito religioso e pela falta de espaço e procura. O ensino secundário era ministrado em institutos (um por província) e as minorias tinham acesso a ele; para ingressar na universidade, deviam passar por um teste chamado exame da OAB. As universidades eram organizadas pelo Estado em distritos, com o Distrito Central (Madri) como referência centralizadora.

Durante o Sexênio Democrático, previu-se a liberdade acadêmica, mas na Restauração essa liberdade foi limitada, levando ao surgimento de uma tendência de ensino paralelo chamada "Instituição Livre de Ensino". O chefe desta nova escola privada e secular foi Giner de los Ríos. Com base na ideologia krausista, tentou despertar a curiosidade pela ciência e uma atitude crítica no aluno. Embora o analfabetismo tenha diminuído no século XIX, as taxas ainda eram muito elevadas.

A imprensa do início do século XIX caracteriza-se por refletir opiniões e disseminar correntes culturais. Nos anos trinta, adquiriu uma dimensão nacional e foi usada para expandir o liberalismo, com jornais como "O Tempo" e "Ibéria". Desde os anos sessenta, surge a imprensa informativa (com a invenção do telégrafo e o surgimento de agências de notícias, que trouxeram maior uniformidade), revistas especializadas e uma imprensa que tenta ser o mais objetiva possível, com jornais como "A Feira" e "Liberal".

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