A Transição do Sábado para o Domingo na Igreja Primitiva
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Lição 11: O Dia de Adoração e Serviço a Deus
Introdução
Nesta lição, estudaremos sobre o real significado da guarda do Sábado (do hebraico: Shãbat, que significa descanso, cf. Gênesis 2.2) para Israel e da guarda do Domingo para a Igreja. Depois de tantos séculos de ensino bíblico e teológico acerca do cumprimento da Lei do Senhor, ainda há muitos que misturam as práticas do Antigo Testamento (AT) com os ensinamentos de Jesus nos Evangelhos no que diz respeito às práticas cerimoniais da antiga aliança. Nesta ocasião, desejamos aproveitar o relato bíblico de Neemias quanto ao seu zelo pela guarda do Sábado, com o objetivo de contribuir para o esclarecimento sobre o posicionamento do crente acerca do cumprimento dos preceitos legais do AT.
I. A Guarda do Sábado Foi Ordenada Apenas para Israel
Neemias era um fiel cumpridor da Lei de Deus. Como judeu verdadeiro, sabia o que significava desrespeitar os mandamentos e os juízos estabelecidos por Deus. Cumprir a Lei não era opcional, era questão sagrada (RENOVATO, 2011, p. 133). A guarda do Sábado era um ritual que se repetia a cada final de semana. Deus ordenou a guarda do Sábado como um sinal de sua [aliança]. Deus havia [estabelecido este dia]. O propósito era que o povo tivesse um dia de [descanso e santificação].
Vejamos algumas informações sobre a guarda do Sábado:
- O Sábado representava o selo da aliança mosaica (Êxodo 20.10; 23.12; 31.15; Deuteronômio 5.15; Isaías 56.4-6);
- O Sábado foi separado como santo (Êxodo 16.23-29; 20.10-11; 31.17);
- Era expressamente proibido trabalhar no Sábado (Êxodo 35.3; Números 15.32);
- Era um sinal entre Deus e seu povo Israel (Êxodo 31.13; Levítico 26.14-16; Ezequiel 20.12, 20);
- Na teologia hebraica, esse dia sagrado comemorava a criação original e a redenção de Israel do Egito (Deuteronômio 5.5);
- Era associado a festas solenes, especialmente aquelas em dia de lua cheia (Amós 8.5; Oseias 2.13; Isaías 1.13);
- Era um sinal de lealdade entre Israel e Yahweh (Isaías 56.2; Ezequiel 20.12, 21);
- Era um dia de deleites e felicidades, não um dia de obrigações infelizes (Números 10.10; Isaías 58.13; Oseias 2.11);
- Quem profanasse o dia de Sábado morreria (Êxodo 31.14-15; Números 15.32-36; Jeremias 17.19-27).
II. O Que Podemos Aprender com a Guarda do Sábado?
Assim como o Sábado recorda o fato de os israelitas terem sido libertados do Egito, de igual forma, torna-se um agente libertador, pondo em liberdade aqueles que na sociedade sofrem algum tipo de jugo (HARRIS, 1998, p. [referência incompleta]). O descanso oferecia a oportunidade de engajamento em louvor, estudo e, especialmente, a leitura das Escrituras. O dia era comemorado, provavelmente, como um dia de louvor, adoração e oração (Levítico 23.1-3, CHAMPLIN).
Vejamos o que podemos aprender com o shabbatôn:
- Em primeiro lugar, aprendemos que precisamos de um dia sabático, ou seja, um dia para o descanso e adoração ao Senhor (Êxodo 20.8; Isaías 56.4-6);
- Em segundo lugar, o Sábado é uma estipulação social ou humanitária que concede um dia de descanso àqueles que trabalham sob as ordens de alguém (Êxodo 23.12; 20.10; Deuteronômio 5.14-15);
- Em terceiro lugar, o Sábado é um sinal da aliança e, desse modo, se projeta no futuro;
- Em quarto lugar, enquanto para Israel isso demonstra sua lealdade ao Senhor e assegura sua presença salvífica. Por meio dele entramos no próprio descanso de Deus (Hebreus 4.1-11);
- Em quinto lugar, o que se deve guardar é a essência do Sábado: o descanso em um dia da semana em gratidão a Deus pela criação, pela vida, pelo trabalho, enfim, por tudo;
- Em sexto lugar, Jesus nos ensinou que o homem não havia sido feito para o Sábado, mas, sim, o Sábado havia [sido feito para o homem].
III. A Igreja Primitiva e a Adoração no Domingo
Como a Lei de Moisés foi ultrapassada pela Lei de Cristo, a guarda dos mandamentos de modo [literal] converteu-se em radicalismo teológico ou em sectarismo perigoso (RENOVATO, [referência incompleta]).
Vejamos alguns motivos pelos quais a Igreja Ocidental observa o Domingo:
- Cristo ressuscitou num Domingo (Mateus 28.1; Marcos 16.9);
- Jesus apareceu 5 vezes num Domingo e outra vez no Domingo seguinte (Lucas 24.13, 33-36; João 20.13-19, 26);
- O Espírito Santo foi derramado no Domingo, ou seja, no dia de Pentecostes (Atos 2.1-4);
- Cristo se revelou ao apóstolo João na ilha de Patmos num Domingo (Apocalipse 1.10);
- A Santa Ceia, as pregações e as ofertas eram observadas no Domingo (1 Coríntios 16.1, 2; Atos 20.7);
- O Sábado foi abolido (Oseias 2.11; Colossenses 2.14-17).
O Didache (150 d.C), uma espécie de manual de ética e doutrina do cristianismo inicial, fala sobre o Domingo. O mesmo é mostrado nos escritos dos historiadores do segundo século, Hipólito (160 d.C) e Clemente de Alexandria (200 d.C). [Em 4.4], o Sábado não é apresentado nem promovido como um dia que devesse ser celebrado.
IV. Por Que os Crentes Não Guardam o Sábado?
O Sábado judaico não é obrigatório para os crentes, pois já não estamos sob o jugo da Lei (Romanos 6.14; 7.14; 8.1). Fomos [libertos da Lei]. Devemos crer em Jesus (1 João 5.13), receber o seu Espírito e a sua graça e, assim, receber o perdão, a regeneração e capacitação para produzir fruto para Deus (Romanos [referência incompleta]).
O acúmulo de regras ao Sábado era sufocante na época de [Jesus]. Stamps, comentando Mateus 5.17, nos diz o seguinte:
- A Lei que o crente é obrigado a cumprir consiste nos princípios éticos e morais do AT (Mateus 7.12; 22.36-40; Romanos 3.31; Gálatas 5.14), bem como os ensinamentos dos apóstolos (Mateus 28.20; 1 Coríntios 7.19; Gálatas 6.2);
- [A Lei Moral é universal] (Romanos 1.18-21; 2.12-16);
- A celebração do Sábado é uma forma de legalismo que Paulo refutou, pois os crentes não estão sob a Lei (Romanos 6.14; Gálatas 3.10-23);
- O simples fato de que o Sábado era um sinal do Pacto Mosaico mostra que ele não pertence ao Novo Pacto;
- As leis do AT destinadas diretamente à nação de Israel, tais como as leis sacrificiais, cerimoniais, sociais ou cívicas (Levítico 1.2-3; 24.10), já não são obrigatórias (Colossenses 2.16-17; Hebreus 10.1-4);
- O crente não deve considerar a Lei como sistema de mandamentos legais através do qual se pode obter mérito [para a salvação]. Pelo contrário, a Lei deve ser vista como um código moral para aqueles que já estão em um relacionamento salvífico com Deus e que, por meio de sua obediência à Lei, expressam a vida de Cristo dentro de si mesmo (Romanos 6.15-22);
- Mediante a fé Nele, Deus torna-se nosso Pai (João [referência incompleta]). Por isso, a obediência que prestamos como crentes não provém somente do nosso relacionamento com Deus como legislador soberano, mas também do relacionamento de filhos para com o Pai (Gálatas 4.6);
- Os crentes, tendo sido libertos do poder do pecado, e sendo agora servos de Deus (Romanos 6.18-22), seguem o [exemplo de Cristo]. Ao fazermos assim, cumprimos a Lei de Cristo.
V. Explicando a Questão do Sábado no Livro de Neemias
O propósito era que o [povo honrasse a Deus]. Todavia, por diversas vezes, eles não cumpriram esta [ordem]. No tempo de Neemias não foi diferente.
Conclusão
Por outro lado, um cristão tem [liberdade para escolher o dia de adoração]. Lembrando que este dia sagrado não se constitui um pré-requisito para sua salvação, visto que sua salvação é pela [graça, mediante a fé em Cristo Jesus].