Transições de Saúde e Doenças Crônicas no Brasil
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Situação de Saúde da População Brasileira
As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são as principais causas de mortes e incapacidades em quase todos os países, independentemente do nível de desenvolvimento econômico. Em 2008, as DCNT responderam por 63,0% do total de 57 milhões de óbitos no mundo, sendo a maior parte destes atribuídos às doenças cardiovasculares, diabetes, cânceres e doenças respiratórias crônicas.
As DCNT têm gerado elevado número de mortes prematuras, aproximadamente 9 milhões em 2008, bem como perda de qualidade de vida com alto grau de incapacidades nas atividades de trabalho e de lazer, além de impactos econômicos para famílias, comunidades e a sociedade em geral, agravando as iniquidades e aumentando a pobreza.
- As mudanças ocorridas na sociedade nas últimas décadas carregam mudanças no perfil de saúde com consequências diretas na qualidade de vida das pessoas.
- Compreender tais mudanças é essencial para o planejamento em saúde e para traçar estratégias para mudança do quadro atual.
- As mudanças sociais não são definitivas, não são estáticas e, nesse caso, são denominadas de TRANSIÇÕES.
TRANSIÇÃO: Mudança de uma forma para outra, uma passagem ou movimento.
As Quatro Transições em Saúde Pública
Em saúde pública, temos 4 grandes períodos de transição que marcam a história da humanidade. Entende-se que esses processos ocorrem naturalmente com o desenvolvimento das sociedades:
- Transição Epidemiológica: Mudança no perfil de doenças e mortes que acometem a população.
- Transição Demográfica: Mudanças na distribuição etária dos grupos populacionais.
- Transição Alimentar: Mudanças no padrão de consumo alimentar da população.
- Transição Nutricional: Mudanças do perfil nutricional (estado nutricional) da população.
Transição Demográfica
A Demografia é a ciência que investiga as dinâmicas populacionais, estudando aspectos como natalidade, produção econômica, migração e distribuição de etnias sob uma perspectiva quantitativa.
Descreve a dinâmica do crescimento populacional decorrente dos avanços da medicina, controle de doenças, urbanização, desenvolvimento de novas tecnologias e número de filhos por famílias.
Mudança no Local de Moradia
- No passado: População predominantemente rural com economia baseada na agricultura.
- Êxodo Rural: Processo de industrialização e condições de vida precárias na zona rural.
- Atualmente: População predominantemente urbana.
Mudança no Perfil Etário
- Redução das Taxas de Mortalidade: Aumento da população idosa (menos pessoas morrem).
- Aumento da Expectativa de Vida: Pessoas passam a morrer em idade mais avançada devido a avanços na medicina e melhoria nos serviços de saúde.
- Redução das Taxas de Natalidade: Redução no número de nascimentos.
- Redução das Taxas de Fecundidade: Redução do número de filhos por mulher/família, influenciada pela saída das mulheres para o mercado de trabalho e aumento do custo de vida.
Consequências da Transição Demográfica
- Primeira fase: Mortalidade de crianças e jovens diminui; mais pessoas vivem mais tempo (aumento do número de idosos).
- Segunda fase: Natalidade diminui, resultando na redução de crianças.
- Última fase: Mudança na pirâmide etária. Reduz-se a base (crianças), aumenta-se o meio (adultos) e torna-se mais espessa no topo (idosos).
Mudanças demográficas no Brasil: Em 1980, a pirâmide tinha base larga e ápice estreito. Em 2000, houve redução da fecundidade (de 4,4 para 2,3 filhos por mulher) e a proporção de pessoas maiores de 60 anos cresceu de 6,1% para 8,6% (IBGE, 2002).
Uma população em envelhecimento rápido significa um incremento das condições crônicas. Dados da PNAD/IBGE (2008) mostram que 79,1% dos brasileiros com mais de 65 anos relataram ser portadores de, pelo menos, uma das doze doenças crônicas selecionadas.
Transição Epidemiológica
Define-se como as mudanças nos padrões de morte, doenças e invalidez ao longo do tempo. Ocorre em conjunto com transformações demográficas, sociais e econômicas.
- Antiguidade: Predomínio de óbitos por doenças infecciosas, parasitárias e guerras.
- Atualidade: Predomínio de Doenças Crônicas Não Transmissíveis e causas externas (violência, acidentes de trânsito).
Mudanças Básicas da Transição Epidemiológica:
- Substituição de doenças transmissíveis por doenças não transmissíveis e causas externas.
- Deslocamento da carga de morbimortalidade dos jovens para os idosos.
- Mudança do predomínio de mortalidade (morte) para morbidade (doenças).
Tripla Carga de Doenças
O Brasil enfrenta uma superposição de desafios:
- Doenças Transmissíveis.
- Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT).
- Causas Externas.
Contra-transição: Reintrodução de doenças como dengue e cólera, ou recrudescimento de malária, hanseníase e leishmanioses. Transição prolongada: A morbimortalidade persiste elevada em ambos os padrões. Polarização epidemiológica: Situações contrastantes entre diferentes regiões do país.
Doenças Crônicas no Brasil e Plano de Enfrentamento
As DCNT correspondem a 72% das causas de mortes, atingindo fortemente camadas pobres e vulneráveis. A maioria dos óbitos é atribuível a doenças do aparelho circulatório (DAC), câncer, diabetes e doenças respiratórias.
Evolução de Indicadores (2006-2016):
- Consumo de refrigerante e suco: Caiu de 30,9% para 16,5%.
- Consumo abusivo de álcool: Subiu de 15,7% para 19,1%.
- Hipertensão arterial: Subiu de 22,5% para 25,7%.
- Diabetes: Subiu 61,8% (de 5,5% para 8,9%).
Plano de Enfrentamento 2011-2022:
- Eixo I: Vigilância, monitoramento e avaliação.
- Eixo II: Prevenção e promoção da saúde.
- Eixo III: Cuidado integral.
Metas Propostas para 2022:
- Reduzir prevalência de tabagismo em adultos para 9%.
- Reduzir consumo nocivo de álcool em 12%.
- Aumentar atividade física no lazer para 22%.
- Aumentar consumo de frutas e hortaliças para 24%.
- Reduzir consumo médio de sal para 5g/dia.
Transição Alimentar e Nutricional
Transição Alimentar: Modificação no padrão alimentar brasileiro, com desvalorização de alimentos tradicionais e substituição por ultraprocessados.
- Fatores contribuintes: Melhoria do poder aquisitivo, falta de tempo, saída da mulher para o mercado de trabalho e acessibilidade de produtos industrializados (super sabor e prontos para consumo).
- Barreiras aos alimentos naturais: Perecibilidade, preço e necessidade de preparo.
Transição Nutricional: Processo de mudança nos hábitos de vida que altera a epidemiologia dos problemas nutricionais da população.
Estratégias de Enfrentamento:
Promoção da alimentação saudável, incentivo à prática de atividade física e controle da publicidade de alimentos.