Transporte e Distribuição de Gás Natural (GN)

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Transporte de Gás Natural: Conceitos Fundamentais

Transporte: É a movimentação do gás desde a exploração até a distribuição, seguida pela sua comercialização.

Transferência: É a movimentação de petróleo e seus derivados ou gás natural, em meio ou percurso considerado de interesse específico e exclusivo do proprietário ou explorador das facilidades.

Modalidades de Contratos de Transporte de Gás Natural

  • Contrato Firme: Serviço prestado pelo transportador ao carregador, com movimentação de gás de forma ininterrupta até o limite estabelecido pela capacidade contratada.

  • Contrato Não Firme: Serviço de transporte de gás prestado a um carregador, que pode ser reduzido ou interrompido pelo transportador.

Observação: O transporte de gás natural canalizado só pode ser realizado por empresas que não comercializam o produto, ou seja, que não podem comprar ou vender gás natural, com exceção dos volumes necessários para o consumo próprio.

Terminologia de Volumes e Agentes

Volume Disponível: É a quantidade de gás que uma determinada tubulação tem disponível para ser ofertada a outra empresa, podendo ser também um volume inferior ao disponível (contrato firme).

Volume Ocioso (Contrato Não Firme): Refere-se à diferença entre a capacidade contratada e o volume diário de gás efetivamente transportado para o carregador. Ou seja, é o volume contratado, mas que não está sendo usado naquele momento. (Exemplo: contrato de 100%, mas a empresa transporta 70%), sendo que os 30% podem ser comercializados para outra empresa.

Autoconsumidor: Quando o consumidor final adquire o gás canalizado diretamente do produtor, sem precisar passar pelo distribuidor representante do estado.

Autoprodutor: Agente explorador e produtor de gás natural que utiliza parte ou a totalidade de sua produção como matéria-prima ou combustível em suas instalações industriais.

Tipos de Transporte de Gás Natural

  • Fase Gasosa: Rede de gasodutos, interligando as áreas de produção aos pontos de entrega (City Gate das Distribuidoras).

  • Fase Líquida (GNL – Gás Natural Liquefeito): Transporte em tanques terrestres ou navios metaneiros.

  • GNC (Gás Natural Comprimido): Transporte em cilindros de alta pressão por caminhões em rodovias.

Dutos de Transferência

Transportam gás da unidade de exploração para a unidade de processamento, não transportando gás para a unidade de consumo.

Características:

  • Transportam grandes volumes de gás.
  • Grandes diâmetros.
  • Altas pressões devido a grandes distâncias.

Infraestrutura de Transporte

Estação de Compressão: Fornece ao GN energia suficiente para o transporte.

Supervisório: Transmite informações “online” para uma sala de controle, onde é feito o monitoramento de uma determinada malha de dutos.

  • O transporte de gás numa tubulação gera atrito, consequentemente, há perda de trabalho (pressão).
  • A pressão diminui, a temperatura também diminui, e com isso pode haver a condensação do gás.

Distribuição de Gás Natural

O que é Distribuição de Gás Natural?

A distribuição de gás é a etapa final do sistema. É quando o gás chega ao consumidor final (residencial, comercial ou industrial).

O Sistema Regulatório da Distribuição

O sistema de distribuição de gás canalizado (que envolve a comercialização do GN) é de responsabilidade dos estados. Cada estado é responsável por legislar e fiscalizar essa etapa da cadeia do gás natural.

A distribuição de gás natural por tubulação (dutos) é considerada um serviço público e é monopolizada (cada estado geralmente possui uma companhia para fornecer).

As Distribuidoras de GN no Brasil

As companhias de distribuição de gás natural geralmente são de economia mista (visando atendimento ao público): 51% estado e 49% ente privado (onde a participação pública tem predominância), exceto São Paulo e Rio de Janeiro, que são de economia privada (visando exclusivamente a lucratividade).

Cada estado tem uma distribuidora.

As Distribuidoras de GN na Bahia

A distribuição na Bahia começou no final da década de 70, no polo petroquímico de Camaçari, sendo distribuída para a indústria e realizada pela Petrobras. A Bahia Gás foi criada em 1992 e entrou em operação em 1994, tendo a responsabilidade de expandir sua malha de distribuição por ser um serviço público.

Segmentos de Comercialização de Gás Natural

  • Indústria (química, petroquímica, etc.)
  • Comercial (shopping centers, hospitais, etc.)
  • Residencial
  • Transporte (centro automotivo)

City Gates

Estações do fornecedor, onde é feita a entrega do gás natural às concessionárias e há a medição de custódia para faturamento do produto entregue.

Terminologia da Rede de Distribuição

  • Linha Tronco: Dutos que abastecem o município.
  • Ramal Secundário: Trecho da rede de distribuição interna, compreendido entre o medidor individual (ou local a ele destinado) e os pontos de utilização.
  • Ramal Cliente: [Definição ausente no original].
  • ETC (Estação de Transferência de Custódia): O transportador entrega o gás ao distribuidor.
  • ED (Estação de Distribuição): [Definição ausente no original].
  • ERPM (Estação de Redução de Pressão e Medição): [Definição ausente no original, mas detalhada abaixo].
  • ED (Estação Distrital): Estações que ficam nas ruas, reduzindo as pressões da rede de tubulações em aço para a tubulação em polímero (redução para especificação do material de distribuição de aço para polímero).
  • EO (Estação de Odorização): Tem como função injetar o odorante no gás natural (o enxofre mercaptano). Só não odoriza o gás natural quando é utilizado como matéria-prima.
  • XV: Válvula de bloqueio do fornecimento.
  • Filtro: Retém partículas sólidas.
  • PCR: Válvula que regula a pressão do gás natural.
  • PSV: Válvula de alívio (sinalizador).
  • M: Medidor.

Importante: Todo cliente, antes de consumir o gás, deve ter uma ERPM (Estação de Redução de Pressão e Medição) para reduzir a pressão para, em média, 0,05 kgf/cm² (no caso de residências). A ERPM também mede o consumo do gás.

Concessionária: Entidade pública ou particular responsável pelo fornecimento, abastecimento, distribuição e venda de gás canalizado.

Estação de Compressão

No transporte por dutos, para manter o nível de pressão pré-estabelecido e compensar as perdas de carga causadas pelo consumo e pelo atrito do gás com a parede interna do próprio duto, são dimensionados e distribuídos vários sistemas de compressão por turbinas a gás ou motores elétricos ao longo da rede.

Estação de Redução de Pressão e de Medição (ERPM)

São compostas por válvulas de redução de pressão, de bloqueio automático e/ou alívio de pressão, e são instaladas nos pontos de entrega com o objetivo de adequar a pressão para o uso, ou seja, limitar a pressão entre a máxima e a mínima contratada. As estações que possuem medidores de vazão também servem para registrar o volume de gás consumido.

Dutos de Distribuição

Menores Diâmetros em Relação ao Transporte

A tubulação de distribuição é composta por dutos com diâmetros menores que os dutos de transporte, pois são tubulações destinadas à distribuição dentro da cidade (cliente final), com distâncias e volumes menores.

As tubulações de gás, nas cidades, são de responsabilidade de empresas concessionárias, que fazem a distribuição e a expansão da rede. Antes de chegar até as concessionárias, a matéria-prima do gás é extraída dos poços e, depois de tratada, o produto é transportado até os City Gates, local em que é vendido às distribuidoras.

Menores Pressões que os Dutos de Transporte

Na distribuição, a pressão é menor ou igual a 16 kgf/cm², segundo a ABNT, mas geralmente é utilizado 4 kgf/cm² em polietileno e 8 a 12 kgf/cm² em aço.

Enquanto na linha de transporte, os dutos têm que suportar pressões entre 100 e 120 kgf/cm².

Métodos de Instalação dos Dutos

  • Escavando valas.
  • Usando máquinas direcionais.

Na distribuição, por motivos técnicos e de segurança das pessoas, as concessionárias utilizam pressões entre 8 e 12 kgf/cm² dentro das cidades.

Cada estado e concessionária define qual pressão deve ser utilizada, de acordo com a malha de distribuição local.

A Utilização de Materiais Poliméricos

Embora o aço seja o material mais indicado para a indústria de distribuição de gás, por questões de preço, condição técnica e comercial, o polímero (polietileno) é utilizado para atender clientes que utilizam baixas vazões, pequenas distâncias e baixas pressões, utilizando no máximo 11 kgf/cm². A Bahia Gás, por exemplo, utiliza 4 kgf/cm².

  • Desvantagem dos Polímeros: Baixa resistência mecânica.
  • Vantagem em Relação ao GLP: Menores custos e pagamento somente após o consumo.

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