Urbanismo no Extremo Oriente e Idade Média

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Extremo Oriente (Índia e China)

A civilização começa um pouco mais tarde do que na zona entre o Mediterrâneo e o Golfo Pérsico, por volta do milénio II a.C. A formação dos grandes estados reparte-se em grandes linhas que derivam do ambiente geográfico, das opções económicas, da agricultura primitiva e das diretivas culturais.

Os eixos de simetria ligam a cidade aos pontos cardeais. Os muros dão-lhe uma forma retangular e defendem dos inimigos.

As cidades chinesas, ligadas ao território agrícola, começam como cidades-refúgio, destinadas à residência instável da classe dirigente (sacerdotes, guerreiros e técnicos), sendo capazes de acolher a população camponesa.

Têm dois muros circundantes: um interno, que encerra a cidade habitada, e um externo que integra o espaço de hortas e pomares.

A casa é um recinto análogo à cidade, vinculada à mesma orientação e acessível pelo sul. Todos os ambientes se abrem sobre pátios internos, de modo a realizar a alternância entre sombra e sol (yin yang). Os elementos construtivos de base são as plataformas da base, os muros externos e a madeira. As divisões internas de tijolos não têm função sustentatória e são móveis para acompanhar as funções domésticas.

A forma regular e simétrica introduz-se num cenário natural. Os edifícios para cerimónias públicas são rigidamente agrupados ao redor de um eixo de simetria que vai de sul para norte.

Japão

Com a falta de grandes espaços planos e de rios navegáveis, exclui, nos primeiros tempos, a presença de grandes cidades. Mas, depois da unificação do país (séc. III a.C.), nasce a exigência de uma cidade capital, que é projetada conforme as regras chinesas.

A arquitetura japonesa utiliza os modelos chineses com características originais de simplificação geométrica. As composições dos edifícios são reguladas por duas normas complementares: a liberdade informal da instalação paisagística e a constância da esquadria dos edifícios, baseada num modelo altimétrico e planimétrico dos tatami.

Idade Média

Nos territórios do Império Romano – Itália, Gália, Germânia, Bretanha – a vida das cidades diminui. Forma-se uma nova vida económica e civil, e as cidades voltam a desenvolver-se. Em muitos casos, a cidade cresce sobre o traçado da antiga; algumas cresceram e se tornaram grandes metrópoles modernas, como Paris e Londres.

  • Paris divide-se em três partes: Cité – na ilha, Ville – na margem direita do Sena, Université – na margem esquerda.
  • Londres divide-se em duas: City, sede do poder económico, e Westminster, sede do poder político.

O efeito mais evidente da crise económica e política nos primeiros cinco séculos depois da queda do Império Romano é a ruína das cidades e a dispersão dos habitantes pelos campos, onde podem extrair da terra o seu sustento. O campo é dividido em grandes propriedades que compreendem várias centenas de quintas. O território que depende de cada corte é dividido em três partes: as terras reservadas ao senhor, as divididas em fazendas entre as famílias dos camponeses dependentes do senhor e as zonas não cultivadas, onde todos podem apanhar lenha, frutos selvagens e pôr o gado a pastar.

As cidades não funcionam mais como centros administrativos e, em mínima parte, como centros de produção e de troca. As estruturas físicas das cidades romanas ainda estão de pé e se tornam locais de refúgio. Os grandes edifícios públicos transformam-se em fortalezas. Os muros são mantidos ou reduzidos para defender uma parte limitada da cidade, ligando entre si as bases mais importantes e fortificadas.

Nota-se o caráter despreocupado e espontâneo da construção e do urbanismo. Este caráter depende da escassez dos meios, da raridade dos técnicos especialistas, da falta de uma cultura organizada, da urgência das necessidades de defesa e de sobrevivência, mas também de um novo espírito de liberdade e de confiança. As novas instalações adaptam-se ao ambiente natural e, entre as ruínas antigas, não respeitam nenhuma regra, seguindo com indiferença as formas irregulares do terreno. Apagam toda a diferença entre natureza e geometria, deformam as linhas precisas dos monumentos e estradas antigas.

No século X, a população aumenta, a produção agrícola aumenta, a indústria e o comércio adquirem nova importância.

As cidades medievais têm uma rede de ruas não menos irregular que a das cidades muçulmanas. Porém, as ruas são organizadas; não são todas iguais, mas existe uma gradação contínua de artérias principais e secundárias.

As praças são recintos independentes das ruas, mas largos ligados às ruas para que elas converjam. As casas, quase sempre de muitos andares, abrem-se para o espaço público e têm uma fachada que contribui para formar o ambiente da rua ou da praça. Os espaços públicos e privados não estão separados.

O espaço público da cidade dá lugar a diversos poderes: o episcopado, o governo municipal, as ordens religiosas, as corporações. Assim, uma cidade bastante grande nunca tem um só centro. Tem um centro civil, um religioso, centros comerciais com lojas e associações.

A cidade medieval é um corpo político privilegiado, e a burguesia da cidade é uma minoria da população total. O centro da cidade é o mais procurado, e as classes mais abastadas vivem lá; as mais pobres, na periferia.

Não há nenhuma regra geral para a construção das cidades, mas tem-se em conta a natureza do terreno, a tradição local, as sugestões exóticas, o simbolismo sagrado e profano.

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