Winnicott: Suprimento Social e Terapia Individual
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Parte III – O Suprimento Social
Se, durante o processo de ajustamento, o problema da delinquência não é resolvido em sua própria casa, a criança delinquente é encaminhada para um alojamento de crianças desajustáveis (reformatórios, abrigos, lares para menores). Se a criança ou adolescente falhar no processo de ajustamento, é enviado pelo Tribunal para um instituto correcional ou prisão.
No capítulo dois, Winnicott realiza uma avaliação da privação, afirmando a importância da história pregressa da criança, o uso da terapia e da administração. Discorre sobre a função dos pais adotivos, lares e instituições:
- Lares adotivos: após a criança sentir-se segura, surge o ódio pela privação sofrida. É vital que os pais adotivos saibam lidar com isso.
- Alojamento/Instituições: provisão de roupas, comida e teto.
- Hospital psiquiátrico: para casos mais graves.
- Prisão: quando falha a tentativa de correção terapêutica.
Neste capítulo, Winnicott introduz os fenômenos transicionais.
Winnicott aborda a psicologia de grupo e a base da integração individual, diferenciando o agrupamento maduro do imaturo. A criança caminha da dependência para a independência; o instinto saudável identifica-se com grupos amplos sem perder a espontaneidade. Grupos grandes demais causam perda de contato; pequenos demais, perda do sentimento de cidadania.
Capítulo IV – Comentários sobre o “Report of the Committee Punishment in Prisons and Borstals” (1961)
Winnicott discute a tendência da sociedade ao sentimentalismo na punição de adolescentes:
- A função precípua da lei é expressar a vingança inconsciente da sociedade.
- Na visão da psicanálise, é ilógico punir um delinquente, pois ele é um doente que necessita de tratamento e administração corretiva.
- A sociedade também precisa de tratamento.
- Cerca de 5% da população carcerária apresenta casos psiquiátricos (principalmente maníacos-depressivos).
Parte IV – Terapia Individual
Nesta última parte, o autor discute as variedades de doenças e psicoterapia, afirmando que a base para a prática é o treinamento psicanalítico.
Capítulo I – Variedades de Psicoterapia (1961)
Variedades de doença:
- Psiconeurose: o indivíduo foi bem cuidado nos estágios iniciais e consegue enfrentar as dificuldades da vida.
- Psicose: ocorreu algo errado nos estágios iniciais, acarretando perturbação na estrutura básica da personalidade (ex: psicose infantil).
- Estados intermediários (tendência antissocial/delinquência): o desenvolvimento foi bom até ocorrer uma privação, levando o indivíduo a cobrar do mundo essa falta.
(*) Winnicott atribui maior importância ao ambiente do que ao fator genético na psicose.
Variedades de psicoterapia:
- Psiconeurose: psicanálise e tratamento psicoterapêutico.
- Psicose: o tratamento foca na reposição da falta através de amizade, cuidados de enfermagem e assistência social (holding).
- Privação: o tratamento deve ser preventivo. Quando a tendência antissocial se estabiliza, recorre-se a ambientes especializados que visam a socialização ou apenas o suporte físico básico.
Capítulo II – Psicoterapia dos Distúrbios de Caráter
Winnicott define o caráter como uma manifestação de integração bem-sucedida, sendo o distúrbio de caráter uma distorção da estrutura do ego. A tendência antissocial resulta de uma privação e representa a reivindicação da criança para retornar ao estado de bem-estar anterior. Tais distúrbios envolvem ativamente a sociedade, que reage desde a tolerância até a vingança. A terapia busca atender às reivindicações do paciente por amor e confiabilidade, fornecendo uma estrutura de suporte ao ego.
Capítulo III – Dissociação Revelada numa Consulta Terapêutica (1965)
A tendência antissocial é uma tentativa de estabelecer uma reivindicação. Em psicopatologia, a reivindicação é a negação da perda do direito de reclamar. O jovem antissocial busca corrigir uma omissão esquecida; o comportamento corresponde a um momento de esperança. É preciso distinguir privação de carência: a carência produz um defeito de personalidade, enquanto a privação gera um defeito de caráter. A tendência antissocial pode ocorrer em qualquer diagnóstico, exceto na esquizofrenia, onde o indivíduo não é maduro o suficiente para sofrer privação.