Zaha Hadid: Biografia, Filosofia e Obras Essenciais
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Zaha Hadid (1950 – 2016)
Arquiteta iraquiana de nascimento e inglesa de adoção, Zaha Hadid foi uma das figuras mais influentes da arquitetura contemporânea.
- Formação: Licenciada em Matemática em Beirute e, posteriormente, em Arquitetura na Architectural Association of London (onde se tornou professora).
- Reconhecimento: Em 2004, tornou-se a Primeira Mulher a receber o Prêmio Pritzker.
Filosofia Arquitetônica e Influências
Sua arquitetura inspira-se nas Vanguardas Artísticas do século XX, especialmente nas experiências Neoplásticas de Mondrian e Rietveld, e nas espacialidades fluidas de Kandinsky.
Os princípios centrais de sua obra incluem:
- Desarticulação da Forma: Utilização de geometrias opostas.
- Fragmentação e Dinamismo: Reagrupamento dinâmico dos fragmentos do projeto.
- Inovação Espacial: Reinvenção das formas no espaço.
- Permeabilidade: Essencial tanto na arquitetura quanto no planejamento urbano.
- Trabalho com Opostos: Exploração de dualidades como: cheio X vazio, pesado X leve, sólido X fluído, aberto X fechado, opaco X transparente.
Obras Selecionadas
Rosenthal Center for Contemporary Arts (Cincinnati, EUA, 1998-2003)
O centro é um espaço dedicado a exposições temporárias, instalações e performances. Sem acervo permanente, permite um espaço mutável, aberto e permeável, promovendo a integração interna e externa.
- Acessibilidade e Luz: No pavimento térreo, a calçada atravessa o átrio envidraçado. A luz natural atravessa os volumes, tornando o interior do Museu visível da rua.
- Interação: Rampas em zigue-zague facilitam a interação dos visitantes com as obras, permitindo a percepção da arte de forma coletiva.
- Estrutura: Devido à esquina, o edifício se desenvolve em duas fachadas articuladas por blocos horizontais de vidro, concreto e metal, superpostos e contrapostos. Internamente, ressalta-se a dimensão vertical nos espaços expositivos.
Conjunto Residencial Spittelau (Viena, Áustria, 1994-2005)
Projeto de requalificação urbana focado na revitalização de uma área da cidade com importantes elementos infraestruturais:
- A Spittelauer Lände (linha ferroviária movimentada).
- O Canal Danúbio (ligando a Alemanha à Hungria, com ciclovia em suas margens).
- O Viaduto Otto Wagner (1841).
O complexo abriga ateliês, apartamentos e escritórios. Os volumes dos edifícios, juntamente com o tecido urbano coberto, geram uma multiplicidade interna e externa em torno do Viaduto. Os blocos interagem com o Viaduto, atravessando-o e contornando-o, criando uma plataforma vivaz para a vida pública da cidade. Ao reconectar as áreas públicas externas, o projeto se estabelece como um requalificador da área urbana.
Ampliação do Ordrupgaard Museum (Copenhague, Dinamarca, 2001-2005)
A ampliação adicionou 1100m² ao acervo, incluindo galeria de exposição, área de evento, restaurante, foyer, bar e sala multifuncional.
- Diálogo com o Existente: A nova estrutura estabelece um diálogo inusitado com o edifício pré-existente, apresentando uma forma zoomórfica e curvilínea que se camufla pela vegetação do parque.
- Fluxo: As curvas e linhas remetem à ideia de uma “trilha” que guia e auxilia o movimento dos visitantes internamente.
- Materialidade e Vistas: Uso manifesto do concreto armado em linguagem física, material e escultórica. A luz natural é abundante através de amplas janelas e claraboias em linha, e as grandes paredes envidraçadas dão leveza aos volumes, abrindo vistas múltiplas para o exterior.
- Acesso: A entrada principal se dá através de um pátio que separa o edifício novo do antigo. Uma rampa separa o acervo permanente das exposições temporárias.
Outros Projetos e Design
One North Masterplan (Cingapura, 2001 – em construção)
Projeto que explora a paisagem artificial a partir de uma coerência visual. É um Centro de Pesquisa Científica (Science Hub) com múltiplas atividades relacionadas à ciência biomédica, em contato com um complexo de indústrias. Caracteriza-se pela fluidez, dinamismo e articulação plástica entre os edifícios.
Cenografia e Mobiliário
- Ballet Metapolis (1999): Cenografia para o Ballet de Frederic Flamand (Charleroi Danses, Bélgica). A proposta cria espacialidades híbridas e fluidas que exacerbam os movimentos dos bailarinos.
- Mobiliário Sawaya & Moroni (2000): Peças com forma ergonômica e linguagem desarticulada e abstrata.