A Obra Aberta e a Evolução da Arte Interativa
Esta análise explora os principais conceitos e interfaces teóricas que conduzem à compreensão das relações autor-obra-receptor e à arte interativa. A abertura da obra de arte à recepção, relacionada às três fases produtivas da arte — obra artesanal (imagens de primeira geração), industrial (imagens de segunda geração) e eletroeletrônica (imagens de terceira geração) —, estabelece diversos graus de interpretação:
- Abertura de primeiro grau: Identifica-se com a Obra Aberta, remetendo à polissemia, à ambiguidade, à multiplicidade de leituras e à riqueza de sentido.
- Abertura de segundo grau: Refere-se à arte de participação, onde alterações estruturais e temáticas incorporam o espectador, permitindo processos de manipulação e interação física.
- Abertura de terceiro grau: Mediada pela interatividade tecnológica na relação homem-máquina, onde a intervenção técnica atua como agente de instauração estética, característica das Imagens de Terceira Geração.
O tema da recepção percorre o século XX. M. Duchamp já afirmava que é o espectador quem faz a obra, indicando uma preocupação central com a recepção. Como aponta Bill Viola, a natureza da nossa relação com o real reside nos modelos formalizados que o cérebro cria a partir das sensações visuais.
Estamos presenciando a dissolução da distinção entre produtores e consumidores. Na textualidade interativa, opera-se a poética da obra aberta em campo eletrônico digital. Segundo Risério, o que está em questão é o eixo autor-obra-receptor, e não a dissolução do autor. O autor providencia o espaço e a cartografia, mas cabe ao usuário traçar o seu percurso.
É importante ressaltar que alterar textos, diagramá-los, realizar operações de corte e montagem ou executar scripts não torna ninguém um autor no sentido genuíno. A dissolução do autor só se consuma fora da esfera estética, nos grandes sistemas hipertextuais que produzem mensagens semânticas, o mundo dos "escreventes".