Ação Humana: Liberdade, Determinismo e Condicionantes
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Condicionantes da Ação Humana
Nós, seres humanos, herdamos um património genético dos nossos progenitores (sexo, cor da pele, cor dos olhos, inteligência, etc.) que faz parte de um conjunto de condicionantes das nossas ações:
- Condicionante física: Relaciona-se com o código genético. Por exemplo, se os pais têm olhos azuis ou tendência para a obesidade, há uma maior probabilidade de o descendente ter olhos azuis ou ser gordo.
- Condicionante biológica: Refere-se a limitações orgânicas. Por exemplo, se alguém deseja ser atleta, mas herdou um problema cardíaco, ficará impossibilitado de praticar desporto por motivos médicos.
- Condicionante psicológica: Ocorre quando a mente é afetada. Por exemplo, se um aluno sofre uma punição financeira (corte da mesada) ou discute com um amigo antes de um teste, a preocupação pode levar a uma má nota.
- Condicionante histórica: Refere-se ao contexto da época. Por exemplo, se estivéssemos no tempo de Salazar e alguém criticasse a política, essa pessoa e a sua família poderiam ser presas.
- Condicionante sociocultural: Relaciona-se com o meio onde vivemos. Por exemplo, se alguém vivesse na Arábia Saudita e se recusasse a usar a burka por não gostar, poderia ser expulso do país por não respeitar a cultura local.
O que é ser livre?
Ser livre é tomar as nossas próprias decisões; é dizer "sim" ou "no", "querer" ou "não querer". Por mais apertados que nos vejamos pelas circunstâncias, nunca temos um só caminho a seguir, mas sempre vários. No entanto, não podemos fazer tudo o que quisermos. Não somos livres de escolher o que nos acontece — como o dia do nascimento, os pais, o país de origem, sofrer de uma doença ou ser atropelado — mas somos livres de responder de uma maneira ou de outra ao que nos acontece.
A liberdade (escolher dentro do possível) não é o mesmo que a omnipotência (conseguir sempre o que se quer, mesmo o impossível). Por exemplo, alguém é livre de querer subir ao Monte Evereste, mas perante um estado físico lamentável e preparação nula, é praticamente impossível alcançar o objetivo. A nossa liberdade é a nossa força. Ao contrário de outros seres, nós podemos inventar e escolher, em parte, a nossa forma de vida, optando pelo que nos parece conveniente (bom) face ao inconveniente (mau). Como podemos escolher, também podemos enganar-nos — algo que não acontece a castores ou abelhas. A ética é, precisamente, esse saber viver ou a arte de viver que nos permite acertar.
Determinismo e Livre-Arbítrio
O determinismo é a doutrina segundo a qual todos os acontecimentos têm uma causa. A crença no livre-arbítrio defende que há ações humanas que dependem da nossa vontade e escolha. Já o determinismo defende que todos os acontecimentos são o desfecho causal de eventos anteriores. Existem três perspetivas principais:
- Determinismo moderado: Defende que todas as ações têm uma causa (interna ou externa), mas agimos livremente quando não somos obrigados por forças externas. As ações livres são causadas pelas nossas crenças e desejos, sendo o determinismo compatível com a liberdade e a responsabilidade moral.
- Determinismo radical (Incompatibilismo): O livre-arbítrio é incompatível com um mundo regido por leis causais. Como tudo tem uma causa, não há ações livres e, consequentemente, não podemos ser responsabilizados pelo que fazemos.
- Indeterminismo: Afirma que as nossas ações não são determinadas. Baseia-se na ideia de que é impossível prever certos comportamentos (como na física de partículas), onde os eventos ocorrem sem uma explicação causal necessária.
Tipos de Liberdade
O termo liberdade deriva de libertas (latim), que significa autonomia e independência. O homem livre é aquele que não tem de servir ninguém. Existem várias dimensões da liberdade:
- Física: Possibilidade de movimentação corporal sem obstáculos (ex: caminhar, nadar).
- Biológica: Identifica-se com a saúde; a pessoa doente é limitada pelo equilíbrio interno do corpo.
- Psicológica: Capacidade interior de escolher entre várias alternativas, tornando os atos voluntários.
- Sociológica: Condições sociais que permitem a realização das liberdades básicas individuais.
- Moral: Não consiste no que se faz, mas no modo como se faz, baseando-se na boa vontade e não apenas em inclinações.
O determinismo é uma ameaça à liberdade?
Sim, nesta perspetiva, o homem não dispõe de margem de escolha, sendo a liberdade ilusória. O indivíduo seguiria apenas uma linha de conduta exteriormente orientada e previamente determinada por leis fixas. Por exemplo, se um aluno tira negativa num teste, poderia argumentar que não é responsável, pois o resultado já estava determinado por uma cadeia causal: a falta de dinheiro (corte da mesada) levou à falta de alimentação, que causou dor de cabeça, resultando na nota negativa.