Administração de Estoques: Guia de Gestão e Estratégia
Administração de Estoques
A administração de estoques faz parte do ativo da empresa. Por muitas vezes, a participação relativa desse componente é muito elevada em relação ao Ativo Total, além de ter a característica de ser um item de baixa liquidez. Baixos estoques podem colocar em risco o atendimento às vendas; já estoques superdimensionados podem levar à falta de capital de giro. Logo, a análise desse ativo deve ser vista como uma decisão financeira de investimento.
Aspectos Básicos dos Estoques
Definição: São os materiais, mercadorias ou produtos mantidos fisicamente disponíveis pela empresa, na expectativa de ingressarem no ciclo de produção. Podemos classificá-los em quatro tipos:
- Mercadorias e Produtos Acabados: Refere-se a todos os itens adquiridos de terceiros (mercadorias) ou fabricados pela própria empresa (produtos acabados).
- Produtos em Elaboração: Inclui todas as matérias-primas e demais custos relativos ao estágio de produção em que os produtos se encontram em determinada data de balanço. Nesse estágio, não possuem condições físicas normais para a venda.
- Matérias-primas e Embalagens: Todos os materiais adquiridos pela empresa e disponíveis para sua incorporação e transformação no processo produtivo e acondicionamento (embalagens) do produto acabado, visando à remessa ao cliente.
- Materiais de Consumo e Almoxarifados: Inclui os itens destinados ao consumo industrial, materiais de consumo de escritório, material de propaganda, etc.
O montante de estoque é influenciado, principalmente, pelo comportamento e volume previstos da atividade da empresa. Em geral, as empresas costumam manter determinado volume estocado acima de suas necessidades normais, denominado de estoque de segurança, como forma de atender a certos imprevistos, tais como aumentos inesperados da demanda.
Influências no Nível de Estoques
- Demanda: A previsão de demanda das vendas de um produto constitui um dos principais fatores de definição do volume a ser mantido em estoque. Devem ser levados em conta os padrões de sazonalidade de vendas.
- Natureza: Nesse quesito, observa-se a perecibilidade e a obsolescência do produto.
- Economia de Escala: Para determinadas empresas, um alto nível de produção poderá gerar importantes reduções nos custos unitários dos produtos acabados, fundamentalmente por maior diluição dos custos de despesas fixas nas unidades fabricadas.
- Investimento Necessário: Trata-se dos custos em manter os estoques armazenados. Investimentos maiores pressupõem uma maior demanda por fontes de financiamento.
Perspectivas dos Executivos sobre os Níveis de Estoque
Quais costumam ser os pontos de vista dos executivos de finanças, produção e compras no que diz respeito aos níveis de estoque?
- O gerente financeiro pensa sempre em manter estoques em níveis baixos, garantindo que o dinheiro da empresa não esteja sendo investido em excesso.
- O gerente de produção busca assegurar o processo produtivo, para que haja nível adequado de produtos acabados com qualidade a custos baixos. Para tanto, tal gerente se beneficia de níveis altos de estoques de matérias-primas, o que evita atrasos na produção, além da fabricação de grandes lotes, diminuindo os custos unitários de produção.
- O gerente de compras preocupa-se basicamente com o estoque de matérias-primas, sendo sua responsabilidade garantir o atendimento da produção em quantidades adequadas, nos prazos desejados e a preços favoráveis.
Por que o estoque é considerado investimento?
São várias as razões para considerarmos a existência de estoques como um investimento. Algumas causas para se ter estoque incluem: evita a interrupção no fluxo de produção; protege contra perdas inflacionárias; características econômicas particulares de cada setor (produção concentrada em épocas do ano) e perspectiva de aumento imediato do preço do produto.
Principais Características dos Estoques Diante de Variações nos Índices de Preços
É prudente, em contextos inflacionários, a empresa minimizar seus investimentos em ativos monetários. Uma ideia muito difundida é a de aplicar maiores volumes de recursos em ativos não monetários, como forma de proteger o capital da corrosão provocada pela inflação.