Agricultura em Espanha: Usos da Terra e Produção
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Aplicações e Usos da Terra
O setor agrícola tem vindo a diminuir desde o início do século em vários aspetos (económicos, demográficos, etc.); porém, tem havido um aumento da produção devido ao aumento dos rendimentos e da produtividade. Ocorreram importantes mudanças, como a grande expansão da irrigação, reduzindo a área sob cultivo de cereais (trigo), e o elevado crescimento das culturas forrageiras, culturas industriais e árvores de fruto.
3.1. Relação entre a produção e a superfície cultivada
A economia espanhola é cada vez menos agrícola e cada vez mais pecuária. A distribuição da produção agropecuária não se distribui uniformemente em todo o território.
3.2. Relação entre Sequeiro e Regadio
Na Espanha, podemos encontrar uma grande variedade de paisagens agrícolas onde, junto a grandes áreas de cultivo de cereais em pousio, existem áreas irrigadas de cultivos intensivos, tais como os pomares do Levante, por exemplo.
A importância da irrigação não é meramente espacial, mas económica, porquanto as culturas irrigadas são o protótipo da agricultura intensiva, gerando emprego e rendimentos elevados.
A irrigação tem uma série de vantagens, como o aumento dos rendimentos e, portanto, do rendimento para os agricultores. Mas também apresenta problemas, como o abuso e conflitos no uso da água com a procura interna, a área industrial e o turismo.
A. Agricultura de Sequeiro
A agricultura de sequeiro está relacionada com a agricultura extensiva, que, por vezes, ainda é praticada em pousio com culturas arvenses.
Entre os destaques das culturas arvenses de sequeiro, como os cereais (trigo, cevada, aveia, etc.), alternam-se geralmente leguminosas com cereais, devido à sua capacidade de fixar nitrogénio da atmosfera no solo, impedindo o esgotamento deste (grão-de-bico, fava, etc.), sementes oleaginosas (soja ou girassol) e linho, com uma clara predominância de cereais, bem como o cultivo de oliveiras e vinhas, que formam a trilogia mediterrânica.
As culturas arvenses ocupam uma extensão maior, representando 62% dos mosaicos cultivados. As leguminosas estão em declínio devido ao baixo rendimento, que pode estar relacionado com as dificuldades de mecanização do cultivo e a utilização de herbicidas.
O girassol, cuja produção se destina ao óleo, apresentou um crescimento significativo desde a entrada do país na União Europeia devido aos subsídios recebidos; hoje, porém, com a redução desses subsídios, verifica-se um ligeiro declínio.
Quanto ao plantio de árvores, destacam-se, sobretudo, a oliveira e outras menos importantes, como a amendoeira, a avelã, a figueira, etc. Outras culturas arbóreas (amêndoas, nozes, avelãs, alfarroba, figo) estão muito atrás da oliveira. Neste bloco, destaca-se a cultura da amêndoa, concentrada principalmente no leste da Andaluzia, Múrcia, Baleares e Catalunha. Finalmente, aponta-se o vinhedo.
B. Agricultura Irrigada (Regadio)
A irrigação é uma prática agrícola que consiste numa contribuição especial de água para as culturas onde a precipitação é insuficiente. Falar da agricultura irrigada implica falar sobre o cultivo intensivo, mecanizado, com grande consumo de fertilizantes químicos, novas culturas, novas técnicas agrícolas e, claro, altos rendimentos.
Os sistemas de irrigação extensiva seriam aqueles em que as culturas recebem uma contribuição especial de água para garantir e aumentar a produção; são aplicados mesmo em terras áridas. São culturas irrigadas que fornecem uma única colheita anual, regulada na sua produção, mas coincidindo no tempo com as culturas de sequeiro. No fundo, são as mesmas culturas de sequeiro que são regadas para alcançar um aumento de produção.
Mais significativo é o regadio intensivo praticado nos pomares da costa levantina, das Canárias e nos distritos frutícolas do Ebro, Tejo, Guadiana e Guadalquivir.
Estas culturas intensivas de regadio apresentam mudanças importantes nas técnicas agrícolas (culturas sob plástico, hidroponia, etc.), irrigação por gotejamento com distribuição informatizada, alto consumo de fertilizantes e diversificação da produção. Podemos falar de explorações altamente tecnológicas e capitalizadas, que exigem mão de obra qualificada e oferecem altos rendimentos.
No entanto, são acusadas de usurpar os recursos hídricos disponíveis. Das culturas irrigadas intensivas, 30% dedicam-se aos citrinos, 28% a outros frutos e 42% ao cultivo de vegetais. Regionalmente, são mais difundidas na Andaluzia, Valência e Múrcia.
Finalmente, observa-se uma especialização clara da produção regional:
- Citrinos: Valência e Múrcia (interior).
- Hortaliças: (alface, tomate, alcachofra, etc.) na costa de Múrcia.
- Árvores de fruto: nos vales do interior.
- Produtos hortícolas: (pimento, abobrinha, pepino, etc.) em estufas.
As diferenças básicas entre o cultivo intensivo e extensivo podem ser especificadas em: o primeiro é sazonal, enquanto os últimos são extraestacionais. Nas práticas intensivas, colhe-se ao longo do ano, com rendimentos 3 a 4 vezes superiores à média do extensivo. O cultivo intensivo contribuiu significativamente para aumentar o PIB do país.
3.3. O Pousio
O pousio é uma prática tradicional de permitir que a terra descanse após a colheita. Uma terra de pousio exige atividades (como lavouras) para quebrar a crosta superficial e preparar o solo para recolher melhor a água no outono ou destruir ervas daninhas.
O pousio significa que uma parcela significativa de terra arável está fora do sistema de produção em sentido estrito a cada ano, caracterizando uma agricultura extensiva. Esta tendência enfrenta hoje os requisitos europeus, pois o recebimento de subsídios para certas culturas arvenses exige a reserva de excedentes de terras agricultáveis.
3.4. Algumas culturas: evolução e distribuição
A. Cereais e leguminosas: Cereais, olival e vinha ocupam mais de 55% da área cultivada. Os cereais ocupam atualmente 37% das terras cultivadas; a produção tem aumentado devido à seleção de sementes, fertilizantes e expansão da irrigação.
- Milho: Típico das áreas húmidas de Espanha e áreas irrigadas da Espanha seca. Produção principal na Galiza, seguida de Andaluzia, Aragão e Castela-La Mancha.
- Arroz: Exigente em água, localizado no Delta do Ebro, Albufeira de Valência, pântanos do Guadalquivir e Calasparra.
- Trigo e cevada: Cereais de sequeiro cultivados no interior da península (Castela e Leão, Castela-La Mancha, Aragão e Andaluzia).
- Leguminosas: (Grão-de-bico, lentilhas, feijão, etc.) Alternadas com cereais para fixar nitrogénio no solo.
B. Vinhas e olivais: São as culturas lenhosas mais comuns em Espanha, mas estão em declínio. A produção do vinhedo destina-se principalmente ao vinho. O olival tem 90% da cultura usada para azeite. Após a entrada na UE, esta cultura cresceu devido aos subsídios. Hoje, enfrenta problemas como a vezeria (variações de safra) e dificuldades de mecanização.
C. Árvores de fruto: Experimentaram um crescimento tremendo, sendo destinadas à exportação. Os citrinos (laranja, tangerina, limão) lideram as exportações. A amêndoa é a principal cultura de sequeiro neste grupo. Outras frutas como pera, maçã, pêssego e banana cobrem áreas semelhantes aos citrinos.
D. Legumes e tubérculos: Os vegetais ganham importância enquanto os tubérculos perdem. A expansão das hortaliças (sob plástico e areia) ocupa hoje 393 mil ha. Destacam-se os espargos em Navarra, melão em Ciudad Real, e tomate em Almeria e Múrcia, focados na exportação.
E. Culturas industriais: Produtos que precisam de processamento industrial (açúcar, têxteis, óleo, especiarias). O girassol teve um crescimento espetacular graças aos subsídios. A beterraba sacarina é a segunda mais importante. O algodão concentra-se em Sevilha, Alicante e Córdova. O tabaco concentra-se em Cáceres e Granada, enfrentando redução de subsídios devido à luta contra o fumo. Outras incluem pimenta, cânhamo, soja e açafrão.
F. Culturas forrageiras: Destinadas à alimentação animal. As mais comuns são a alfafa (irrigada), silagem de milho, cereais de inverno e ervilha (sequeiro).