Trabalho e alienação - capítulo 2

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A causa da riqueza das nações é o trabalho humano. O trabalho pode gerar um produtoanual menor ou maior, dependendo de dois fatores, divisão do trabalho e proporção detrabalhadores produtivos com relação aós improdutivos.O fator decisivo é a divisão do trabalho. Segundo Smith a divisão do trabalho resulta datendência inata do homem pára a troca (“não se encontrando em nenhuma outra raça deanimais”, p.73) e traz uma série de consequências positivas: aumento da destrezapessoal, economia de tempo e condições mais favoráveis pára que os trabalhadoresinventem e aperfeiçoem máquinas e instrumentos poupadores de esforço.Mão invisível – “Dê-me áquilo que eu quero, e você terá isto aqui, que você quer (...) édessa forma que obtemos uns dos outros a grande maioria dos serviços de quenecessitamos”. A correlação positiva entre auto-interesse e harmonia econômica sugerida por Smith criou uma forte mensagem política: o governo deve deixar as pessoas em paz nomercado e não interferir em suas decisões econômicas.Assim, Smith identificou duas principais causas do crescimento econômico: i)melhorias na destreza dos trabalhadores produtivos, associados à divisão do trabalho; ii)aumento no número de trabalhadores produtivos em relação aós improdutivos.“O maior aprimoramento das forças produtivas do trabalho, e a aior habilidade, destreza e bom senso com os quais o trabalho é em toda a parte dirigido ou executado, parecem ter sido resultados da divisão do trabalho.” Smith cita o exemplo da fábrica de alfinetes pára demonstrar o aumento considerável daprodutividade decorrente da divisão do trabalho. “Uma manufatura muito pequena, masna qual a divisão do trabalho muitas vezes tem sido notada.”A divisão do trabalho decorre de uma tendência inata do homem pára troca. Ela nãodecorre de uma sabedoria humana qualquer, nem está vinculada às características deuma determinada organização social (visão a-histórica).E a troca é estimulada pela ampliação dos mercados. Logo é preciso ampliar osmercados pára aumentar a produtividade e a riqueza.Assim qualquer restrição ao aumento das trocas seria contrário ao aprofundamento dadivisão do trabalho, o que leva a uma perda na produtividade do trabalho, e a restriçãoao crescimento econômico.É possível concluir da análise smithiana que o processo de aumento de riqueza atravésda difusão da troca decorre da racionalidade da natureza humana.A acumulação de capital aumenta as forças produtivas da nação. A acumulaçãodecorre da poupança. Por isso Smith elogia a parcimônia.“A parcimônia, e não o trabalho, é a causa imediata do aumento do capital. Comefeito, o trabalho fornece o objeto que a parcimônia acumula. Contudo, o que o trabalhoconsegue adquirir, se a parcimônia não economizasse e não acumulasse o capital nuncaseria maior.” Por outro lado, “o esbanjador desvia o capital da destinação correta”. O VALORSmith observa que a palavra valor possui dois sentidos diferentes, odendo exprimir autilidade de um dado objeto ou a possibilidade desse objeto servir pára comprar outrasmercadorias. No primeiro caso trata-se do “valor de uso” e no segundo do “valor detroca”.O trabalho é a medida real do valor de troca de todas as mercadorias.Primeiramente no capítulo V da obra Riqueza das Nações, Smith apresenta o conceitode trabalho omandado (labour commanded).A ideia do “trabalho comandado” é importante porque coloca em destaque que otrabalho individual somente determina a riqueza do indivíduo que o executa enquantotrabalho social e que, assim, o produto de seu trabalho lhe possibilita dispor de umaquantidade igual de trabalho social.“(...) uma vez implantada plenamente a divisão do trabalho, são muito poucas asnecessidades que o homem consegue atender com o produto de seu próprio trabalho. Amaior parte delas deverá ser atendida com o produto do trabalho de outros, e o homemserá então rico ou pobre, conforme a quantidade de serviço alheio que está emcondições de encomendar ou comprar. Portanto, o valor de qualquer mercadoria, pára apessoa que a possui, mas não pretende usá-lá ou consumi-lá ela própria, senão trocá-lapor outros bens, é igual a quantidade de trabalho que essa mercadoria lhe dá condiçõesde comprar ou comandar”.Entretanto Smith faz uma ressalva temporal pára vigência deste conceito: a economia deprodutores individuais e economia capitalista.Numa economia de produtores individuais (pré-capitalista) resulta que uma dadá quantidade de um bem só pode ser trocada por quantidades de outros bens que seu vendedor suponha conter uma quantidade de trabalho (trabalho contido) equivalente enecessária à sua produção. O valor de uma mercadoria é dado pela capacidade que elatem de comandar, ou adquirir, o trabalho despendido em outras mercadorias.Neste estágio, no qual não há propriedade privada da terra nem acumulação de capital, ovalor do produto do trabalho pertencia integralmente a quem o produzia. Assim,podemos concluir que a mercadoria X comanda no mercado uma mercadoria Y que tem
uma quantidade de trabalho contido igual à contida em si própria.
No estágio capitalista de produção, a quantidade de trabalho que uma mercadoria podecomprar ou comandar é maior do que a quantidade de trabalho nela contida, uma vezque o trabalhador é obrigado a ceder parte do que produziu com quem o empregou.Logo, a igualdade entre salário e valor do produto já não existi.Napoleoni em “Smith, Ricardo e Marx: Considerações sobre a história do pensamentoeconômico” – explica a questão do trabalho comandado da seguinte forma:"Suponha-se que em uma mercadoria estão contidas 100 horas de trabalho,proporcionadas por trabalhadores cuja subsistência custa 50 horas de trabalho: então,com essa mercadoria pode-se proporcionar a subsistência de um número de
trabalhadores capaz de proporcionar 200 horas de trabalho. Nesse caso, o trabalhocontido é 100 e o trabalho ordenado [comandado] é 200".
Smith considerava que o valor das mercadorias se media pela quantidade de trabalhoque podiam comandar, sugerindo que havia uma diferença positiva entre o custo de cada

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