A Alma na Filosofia Grega: Sócrates, Platão e Helenismo
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A Visão Socrática da Alma e do Autocontrolo
Contra os pontos de vista dos sofistas, Sócrates ofereceu uma visão diferente. Quando perguntado o que é a essência do homem, disse: o homem é a sua alma. Para Sócrates, a alma é a razão, a inteligência, responsável tanto pela moral como pela nossa atividade de pensamento. Ele despreza o corpo, que não é mais do que um mero instrumento da alma.
Algumas ideias importantes:
- A alma e a razão têm de andar juntas: esta é a capacidade de autocontrolo. Graças ao autocontrolo, os seres humanos podem alcançar a virtude moral e a liberdade.
- O autocontrolo e a liberdade fazem com que o homem se torne um ser autónomo.
- De acordo com Sócrates, a felicidade humana não pode vir de fora, mas sim da ordem espiritual e da harmonia dentro da alma.
Sócrates acredita que o homem pode ser feliz; o homem é o arquiteto da sua própria felicidade ou infelicidade.
O Problema da Relação Corpo-Alma
O problema mais importante da filosofia grega, e de maior impacto na filosofia posterior, é saber como a alma e o corpo se relacionam. A realidade pode ser explicada a partir de um único princípio (monismo), de dois (dualismo) ou de mais (pluralismo). Estes são entendidos como princípios da matéria e do espírito, e podem ser aplicados ao ser humano quando questionamos a sua natureza.
As respostas para o problema "alma-corpo" são:
- Monismo Antropológico Materialista: Todas as ações humanas são explicadas a partir de uma única realidade, o corpo, cujos processos físico-químicos levam ao pensamento e à atividade emocional do ser humano.
- Monismo Antropológico Espiritualista: Ao contrário do materialismo, é a alma ou a mente que, desde o começo, explica o homem.
- Dualismo Antropológico: O homem é composto por duas realidades diferentes (corpo e mente) que, pela sua interação, produzem todas as atividades humanas.
O Dualismo Platónico
A posição dualista é a mais aceita na filosofia. Um dos seus maiores defensores foi Platão, e a sua tese é:
- O ser humano é constituído por corpo e alma, mas a alma tem prioridade absoluta sobre o corpo, pois é a mais nobre, a fonte de todo o bem, como o conhecimento racional.
- O corpo é apenas o recipiente para a alma, sendo arrastado pelas suas paixões, pelos seus instintos animais, e levando a erros no conhecimento.
- A alma humana é eterna e imortal. Quando uma pessoa morre, a sua alma liberta-se do corpo e vai para outra dimensão onde pode alcançar o verdadeiro conhecimento, que é puramente racional, não condicionado pelos sentidos corporais. Depois de um tempo, a alma volta a reencarnar num corpo.
As Três Partes da Alma Segundo Platão
Para Platão, a alma tem três partes. Cada parte da alma corresponde a um estado ideal político e a um tipo diferente de cidadão:
- Racional (Sábia): Fonte de conhecimento e bondade, prudência, sabedoria.
- Irascível (Volitiva): Fonte de sentimentos nobres e da vontade, força, valor.
- Apetitosa (Concupiscente): Fonte de paixão e prazeres sensoriais, moderação, temperança.
Para que o ser humano alcance o equilíbrio, é necessário que a parte racional da alma se imponha sobre a vontade e o instintivo.
Helenismo (Século IV a.C. ao Século I a.C.)
O Helenismo é o último estágio da grande civilização grega. Começa com a figura de Alexandre, o Grande, rei da Macedónia, cujas conquistas resultaram na formação de um império que se estendia até à Índia. O período helenístico estende-se nos séculos seguintes, até que Roma assume o controlo absoluto do Mediterrâneo, na segunda metade do século I a.C.
O modelo grego fundiu-se então com outras formas de pensamento, e surgiu uma nova ideia: o mundo é visto como um todo integrado. O objetivo de Alexandre, o Grande, era alcançar um estado mundial, uma cosmópolis, considerando o mundo conhecido como uma cidade mundial.
Alexandre, o Grande, morreu muito jovem, mas o seu império gigantesco deu origem a um novo tipo de indivíduo. O ideal político era então a pólis (cidade-estado).
Implicações Filosóficas para o Homem no Helenismo
Os sucessores de Alexandre, os chamados Diádocos, distribuíram os territórios conquistados e instalaram monarquias absolutas, onde os cidadãos deixaram de participar na política, pois estavam sujeitos à vontade do monarca. Isto teve implicações filosóficas para o homem:
- O novo indivíduo afasta-se da política, adotando uma atitude de desinteresse, ou mesmo aversão. Para Epicuro, se o homem sábio quiser ser feliz, não deve intervir na política. Para o sábio Estoico, deve-se agir na política, embora se acredite que a verdadeira liberdade reside no foro pessoal e não no público.
- O homem é agora visto como um indivíduo, descobrindo-se a individualidade humana. Pela primeira vez, surge o conflito entre o seu papel na sociedade (a personalidade pública) e a sua vida privada (íntima).
- Surgem novos movimentos filosóficos (Estoicismo e Epicurismo) que defendem novos valores:
- A liberdade individual (liberdade da ansiedade e da dor).
- A autarquia (autocontrolo sobre a mente e o corpo, o que nos torna donos de nós mesmos).
Nesta época, surge também um ideal humano: o homem que dedica a sua vida aos outros e procura incentivar o seu desenvolvimento, sendo chamado de filantropo.