Álvaro de Campos: Fases e Evolução Poética
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Álvaro de Campos
Fase Decadentista
A nostalgia e a expressão do tédio, do cansaço e da saturação da civilização provocam a necessidade de novas sensações, muitas vezes tentadas na embriaguez do ópio. Opiário revela-nos um sujeito poético doente e inadaptado ao mundo e à vida. Traduz a falta de um sentido para a existência, o desencanto face à inutilidade da vida e a necessidade de fuga à monotonia.
Fase Futurista e Sensacionista
Caracteriza-se pela exaltação da energia, de todas as dinâmicas, das velocidades e da força até situações de clímax. Procura um corte com o passado para exaltar a necessidade de uma nova vida futura, onde se tem a consciência da sensação do poder e do triunfo.
- Visão do real: Possui uma visão excessiva e intensiva do real, provocando um estado de quase alucinação marcadamente sensual.
- Sensacionismo: A única realidade é a sensação. A nova tecnologia provoca a vontade de ultrapassar os limites das próprias sensações.
- Comparação com Caeiro: O sensacionismo de Campos inspira-se no de Caeiro, pois ambos apreendem o real através das sensações. Contudo, enquanto Caeiro o faz de forma calma e tranquila, Campos deixa-se levar pelos excessos característicos do futurismo.
Fase Intimista/Abúlica
Procurando transmitir o espírito do mundo moderno, da energia e da velocidade, evocando as sensações da vida urbana e industrial, o sujeito poético sente-se abatido face à incapacidade de realização. Assume a falta de sentido da existência humana, que se revela numa angústia existencial e sensacionista:
- Vazio existencial: Um vazio completo que se estilhaça e se fragmenta em mil pedaços de novas sensações confusas, num cansaço psíquico indefinível.
- Crise de valores: Recusa as normas, os sentidos e os valores tradicionais.
- Temas centrais: Reflexão intimista e angustiada, tédio existencial, a infância como tempo de felicidade perdido, individualismo exacerbado e perda de identidade.